domingo, 26 de março de 2017

Instituto Histórico convida para o I Fórum Sul-Brasileiro de IHs


Dos engenhos de açúcar à Carne Fraca: como a pecuária ajuda a contar a história do Brasil



Bois em fazenda na cidade mineira de UberabaDireito de imagemMUSEU DO ZEBU
Image captionPrimeiros bois a chegar ao país também eram empregados nas fazendas de açúcar como bestas de carga e força motriz
Muito antes da Operação Carne Fraca, que denunciou um esquema de corrupção envolvendo frigoríficos e fiscais agropecuários, a pecuária no Brasil era só para os fortes - bois e seus donos.
Encomendados por senhores de engenho, os primeiros bovinos a chegar ao país eram empregados nas fazendas de açúcar do Brasil Colônia como bestas de carga e força motriz, além de fonte de comida e couro.
Segundo o Centro de Referência da Pecuária Brasileira - Zebu, as primeiras reses desembarcam no país por volta de 1534, vindos da então colônia portuguesa de Cabo Verde, na África.
Desde então, a pecuária se tornou um dos setores mais rentáveis da economia brasileira, movimentando R$ 400 bilhões em 2016 - mas a expansão da atividade jamais se dissociou de polêmicas e escândalos.

Ocupação de territórios

Conforme os rebanhos cresciam, o gado deixou de ser usado unicamente na lavoura de cana e se tornou crucial para a ocupação de territórios da jovem colônia.
Em artigo publicado em 1995 na revista Le Portugal et l'Europe Atlantique, le Brésil et l'Amérique Latine, a historiadora Maria Yedda Leite Linhares (1921-2011) remonta o crescimento da pecuária no Brasil às sesmarias, terras distribuídas pela Coroa e destinadas à produção agrícola.
Linhares conta que, para conseguir ocupar os territórios, os sesmeiros costumavam arrendar áreas menores a sitiantes que possuíam rebanhos. Era importante preencher as áreas porque terras livres podiam ser retomadas pela Coroa para serem redistribuídas.
Começa então a grande marcha bovina para o interior: o gado avança de São Vicente (SP) até os campos de Curitiba; de Pernambuco, para o Agreste e o Piauí; da Bahia, para o Ceará, o Tocantins e o Araguaia. Nos séculos seguintes, os rebanhos ocupariam ainda o Semiárido, Minas Gerais, o Rio Grande do Sul, o Cerrado e franjas da Amazônia.
Linhares diz que está superada a noção de que as fazendas de gado pioneiras se caracterizavam pela natureza livre do trabalho de peões e vaqueiros, em contraste com a escravidão nos engenhos de cana.
"Tal avanço sobre a terra nada teve de pacífico, sendo numerosos os registros de reação violenta das populações indígenas à incorporação de sua força de trabalho nas fazendas de gado", ela afirma.
Em Os índios e a civilização, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) descreve o avanço da pecuária em terras dos povos Timbira, no sul do Maranhão.
Bois em UberabaDireito de imagemMUSEU DO ZEBU
Image captionAlguns mascates fizeram fortuna conduzindo e vendendo pequenos rebanhos de fazenda em fazenda
"À custa de tramoias, de ameaças e de chacinas, os criadores de gado espoliaram a maioria deles, e os remanescentes de vários grupos se viram obrigados a juntar-se nas terras que lhes restavam, insuficientes para o provimento da subsistência à base da caça, da coleta e da agricultura supletiva desses índios."
No século 19, a atividade se transforma com a chegada de raças zebuínas da Ásia, mais adaptadas ao clima tropical. Até então, boa parte do rebanho brasileiro era composto por raças taurinas, de origem europeia.
Alguns fazendeiros do Triângulo Mineiro viajam eles próprios à Índia para buscar os animais, identificados pela presença de corcova (cupim) e pelas orelhas longas.
Outros pecuaristas compram as reses de mascates, vendedores ambulantes que conduzem pequenos rebanhos de fazenda em fazenda. Alguns mascates fazem fortuna e mandam construir palacetes nas principais cidades da região.

Perón e o primeiro impulso à exportação

Nos anos 1940, com a ascensão de Juan Domingo Perón à Presidência da Argentina, novos mercados se abrem para o Brasil.
Pesquisador de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da escola de agricultura da USP (Esalq), Sérgio de Zen diz que naquela época a Argentina era a grande fornecedora de carne bovina do mundo.
Ele conta, porém, que o intervencionismo de Perón fez com que multinacionais do setor buscassem o Brasil como alternativa.
É nessa época que empresas como a inglesa Anglo e a americana Swift se instalam no país, trazendo técnicas industriais para o abate e o processamento da carne.
Com o fim da Segunda Guerra (1939-1945), diz Zen, a pecuária se reorganiza na Europa e avança nos EUA e na Austrália. O Brasil sofre com a competição, e as multinacionais deixam o país, pressionadas também pela concorrência com abatedouros clandestinos.
Homem trabalha em frigoríficoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa década de 1970, a agricultura avançou e até hoje a pecuária é tida como a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia
Na década de 1970, o avanço da agricultura pelo Cerrado dá novo fôlego ao setor. Com a correção da acidez dos solos e a introdução de capins mais adaptados ao bioma, a raça zebuína Nelore se consolida como a principal variedade do país.
Hoje o Centro-Oeste é a principal região produtora do Brasil, mas a expansão de capins exóticos - especialmente do gênero braquiária - ameaça a vegetação original remanescente.
A ditadura militar também estimulou a atividade ao promover a colonização da Amazônia. A construção da rodovia Transamazônica (1968-1974) empurrou a fronteira pecuária até o sul do Pará, enquanto a oeste fazendeiros - muitos deles paulistas e gaúchos - substituíam florestas por pastagens em Mato Grosso, em Rondônia e no Acre, às margens da BR-364.
Até hoje, a pecuária é tida como a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia. Áreas destruídas pelo fogo podem se tornar pastagens sem grandes custos, e a mobilidade dos bois permite que sejam criados longe de estradas e centros de consumo.
Além disso, o gado criado em áreas desmatadas ilegalmente pode ser abatido e comercializado por frigoríficos regulares, o que dificulta seu rastreamento.
Na Amazônia, assim como em boa parte do Centro-Oeste, os rebanhos têm espaço, água e clima favorável o ano todo, uma grande vantagem competitiva em relação à Europa ou aos EUA, onde os invernos são rigorosos e os animais passam ao menos parte do ano confinados.

Especulação bovina

Mesmo com a expansão territorial, o setor ainda enfrentava turbulências. Entre as décadas 1980 e 1990, nos anos de hiperinflação, o gado se tornou uma alternativa à moeda que desvalorizava rapidamente. Os animais eram comprados e logo revendidos para que se lucrasse com a especulação.
Só após a estabilização da economia com o Plano Real, em 1994, o setor é forçado a se tornar mais eficiente.
Avanços tecnológicos possibilitam que mais bois sejam criados em menos espaço. No fim dos anos 1990, a epidemia de vaca louca na Europa e a de febre aftosa na Argentina abrem espaço para o gado brasileiro.
A pressão de compradores estrangeiros e de ambientalistas quanto ao desmatamento da Amazônia e à qualidade da carne leva a indústria nacional a endurecer o controle sobre o abate.
As autoridades sanitárias também se tornam mais rigorosas. Sérgio de Zen, da Cepea-Esalq, diz que um estudo de 2012 apontou que naquele ano só 6% dos abates ocorriam sem fiscalização.
Homem carrega carne para frigoríficoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionBrasil passou disputar com a Índia o posto de maior exportador mundial de carne bovina e se tornou o segundo maior produtor, atrás dos EUA
Nos anos Lula e Dilma, o governo estimula a concentração do setor com sua política de "campeões nacionais". Sob a gestão de Luciano Coutinho, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) injeta recursos em alguns grupos, que incorporam outros e se tornam gigantes globais.
A Sadia se funde com a Perdigão, dando origem à Brasil Foods (hoje BRF); o Grupo JBS compra as redes de frigorífico Bertin e Independência e passa a controlar algumas das principais marcas do mercado, como Swift, Friboi e Seara.
A financeirização da pecuária atinge níveis inéditos. O Brasil passa a disputar com a Índia o posto de maior exportador mundial de carne bovina e se torna o segundo maior produtor, atrás dos EUA.

Novas técnicas

Pesquisador-chefe da subdivisão de gado de corte da Embrapa, agência de pesquisa subordinada ao Ministério da Agricultura, Cléber Soares diz que hoje a expansão da atividade não necessita de novas áreas.
Ele afirma que nas fazendas bovinas do Brasil se produzem hoje, em média, 90 quilos de carne por hectare ao ano, mas que é possível produzir até 600 quilos com a adoção de tecnologias já disponíveis.
Soares aposta em sistemas que integram, numa mesma fazenda, pecuária, plantações de soja ou milho e florestas comerciais. Hoje boa parte do gado brasileiro se alimenta só de capim. Quando é possível complementar a dieta com cereais, Soares diz que os rebanhos requerem menos espaço.
O pesquisador também aposta no contínuo aperfeiçoamento dos animais e conta que, séculos após importar seus primeiros bois e vacas, o Brasil se tornou o maior exportador de genética bovina do mundo.
Ele diz que, numa inversão de papéis, o país passou a vender inclusive para as regiões a que deve a formação de seu rebanho: hoje raças zebuínas brasileiras são exportadas para a Índia, e raças taurinas nacionais são despachadas para a Europa.
Fonte: BBC

Antes de fevereiro


A profundidade da crise social, econômica e militar na Rússia, somada à consciência política e organização da classe trabalhadora, estavam muito à frente de qualquer outro lugar do mundo no inverno de 1916-1917
“Nós, da geração mais velha, talvez não vivamos para ver as batalhas decisivas da revolução que se aproxima”, avisou Lenin em uma apresentação para um grupo de jovens suíços no 12° aniversário da revolução derrotada de 1905. A justaposição de suas observações e a queda do czar Nicolau II, apenas seis semanas depois, criou o cenário para uma piada clássica do movimento marxista: “Não se atrase para o protesto, pois a revolução pode começar!”
Mas estava claro em sua obra que Lenin, a essa altura, sabia que a situação política em sua pátria-mãe poderia explodir a qualquer momento. Por trezentos anos a dinastia dos Romanov governara, com mão de ferro, um império na Rússia que se expandia sendo os falantes de russo a minoria.
Longe de agonizarem no isolamento, os czares deixaram sua marca reacionária na Europa Ocidental, recrutando vastos exércitos camponeses para apoiar a monarquia e a reação frente aos movimentos democráticos e nacionalistas da Revolução Francesa de 1789 em diante. Os Romanov até conseguiram atingir o topo da lista dos inimigos mortais na frase de abertura do Manifesto Comunista. Ainda assim, na aurora do século XX, as fundações deste império estavam severamente abaladas.
Em sua História da Revolução Russa, Leon Trotsky explica a volatilidade da sociedade russa, apontando o descompasso inevitável do desenvolvimento econômico global. Nicolau estava sentado sobre sobre uma miríade de territórios e povos – um pequeno exemplo disso era seu próprio título oficial: “Imperador e Autocrata de todas as Rússias, de Moscou, Kiev, Vladimir, Novgorod, Czar de Kazan, Czar de Astrakhan, Czar da Polônia, Czar da Sibéria… e Grão-duque de Smolenski, Lituânia… e mais, e mais, e mais”.
Antes de mais nada, o czar era o maior latifundiário dentre a classe dos barões de terras que resistiram por um século ou mais em relação à contraparte feudal da Europa Ocidental – a servidão só foi abolida em 1861. Essa classe de trinta mil aristocratas possuía, aproximadamente, 765 milhões de quilômetros quadrados (as propriedades tinham, em média, 21,85 km²), mais terra do que possuíam 50 milhões de camponeses pobres e médios.
Wikimedia Commons

Vladimir Ilyych Lenin fala a tropas do Exército Vermelho diante do Teatro Bolshoi, em Moscou, em 1920; embaixo à direita estão Leon Trotsky e Lev Kamenev
Além de compor “um programa pronto para a revolta agrária”, os números também denunciavam o aumento da distância entre o poder produtivo Europa Ocidental em processo de industrialização e a Rússia agrária. Preocupado que o atraso tecnológico pudesse colocar em perigo seu poderio militar, o czar apoiou-se nos bancos franceses e ingleses para financiar um exército moderno e altamente centralizado, assim como uma indústria metalúrgica centrada em São Petersburgo e alguns outros lugares. Algumas das maiores fábricas do mundo saíram do solo russo, concentrando em si uma nova classe de pessoas que não tinham nada para vender, senão sua força de trabalho. Em Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia, de 1899, Lenin estimava que, por volta de 1890, os trabalhadores assalariados no país somassem dez milhões.
O czar buscou fundir este “amálgama” com a chibata.  Gangues antissemitas, conhecidas como Centenas Negras, rondavam a zona rural aterrorizando judeus, o nacionalismo da Grande Rússia impedia o ensino em línguas locais e as greves eram resolvidas por meio da força militar. Na esperança de conseguir um porto na costa ocidental, ao mesmo tempo em que atiçava o fogo do patriotismo, a coroa declarou guerra contra o Japão, em 1904, mas os equipamentos e estratégia superiores dos japoneses logo despertaram o ímpeto da oposição interna.
Em nove de janeiro de 1905, centenas de milhares de trabalhadores, estudantes, e pobres marcharam atrás de um eclesiástico, Padre Gapón, implorando que o czar diminuísse o fardo que carregavam. Eles foram recebidos com baionetas e munição real que deixou centenas de pessoas sangrando até a morte nas ruas.
O “ensaio geral” de 1905, como ficou conhecido, expôs uma indignação social multifacetada: campesinato contra latifundiários, trabalhadores contra patrões e, virtualmente, o país inteiro (incluindo alguns setores da classe média e até alguns capitalistas) contra a monarquia.
Ao final de tudo, os marinheiros amotinaram-se no Encouraçado Potemkin, camponeses incendiaram mansões em um sétimo das províncias, e uma nova frase passara a integrar a consciência da esquerda internacional, como Lênin definiu, “formou-se uma peculiar organização de massa, o famoso Soviete de Deputados Operários, reunindo delegados de todas as fábricas”.
Rosa Luxemburgo – uma das fundadoras da Social Democracia do Reino da Polônia e Lituânia – generalizou para além das condições russas, anunciando a “greve de massas [como] a primeira forma natural, impulsiva, de toda a luta revolucionária do proletariado”.
Em meio à revolução, a esquerda socialista desabrochou. Nos anos que antecederam o famoso Congresso do Partido Operário Socialdemocrata Russo, em 1903, quando os bolcheviques e mencheviques uniram-se e, em seguida, se dividiram – e onde se deram também as complicadas negociações com muitas organizações socialistas de base étnica, tais como judeus, poloneses, finlandeses e outras nacionalidades – havia, talvez, cerca de dez mil partidários afiliados nas diversas facções. Até o chamado Congresso da Unidade, na primavera de 1906, outras dezenas de milhares de filiações ocorreram, e até o Congresso do Partido Operário Socialdemocrata Russo (incluindo suas ramificações nacionais), de 1907, os membros subiram para quase 150 mil, apesar da repressão brutal.
De tão aterrorizado que estava, o czar concedeu uma concessão à revolução, uma espécie de parlamento de brinquedo chamado Duma. Inicialmente, os trabalhadores urbanos sequer tinham o direito a voto aí, embora o corpo depois tenha sido alterado possibilitando a eleição de um delegado para cada dois mil latifundiários, frente à razão de noventa mil para a eleição de delegados entre os trabalhadores. Essa migalha oferecida era mais do que o desejado por Nicolau e ao mesmo tempo, sequer próximo do suficiente para aplacar a revolução; o Estado, então, transformou a Rússia em um cemitério – quinze mil pessoas foram executadas, vinte mil feridas, quarenta e cinco mil exiladas. O sangue aplacou o fogo, ao menos por um tempo.
No começo de 1912, as greves estavam em alta novamente até que a tampa estourou em uma cidade siberiana de mineração de ouro chamada Lena, onde tropas czaristas atiraram contra centenas de grevistas. A classe trabalhadora ressurgiu como uma fênix das cinzas, os partidos socialistas expandiram-se novamente, e as greves proliferaram. Em 1914, o jornal socialista Pravda tinha uma circulação diária de trinta a quarenta mil exemplares – em um país predominantemente analfabeto.
O verão de 1914 testemunhou a Rússia tensionada ao limite – o status quo tornara-se insustentável. Nicolau declarou guerra à Alemanha em 19 de julho de 1914. Desta vez, mais do que um conflito contido com o Japão na sua fronteira oriental, a guerra contra a Alemanha e o Império Austro-Húngaro trouxe a fome e a pestilência às portas da monarquia. 
No entanto, nos primeiros dias da guerra, uma onda de entusiasmo patriótico sustentou o posicionamento do czar. Centenas de milhares de garotos e jovens camponeses correram para juntar-se ao exército e os grupos nacionalistas polvilhavam as praças das cidades e das vilas.
Ao mesmo tempo, todos os conflitos que conduziram a 1905 voltaram a efervescer. A Grande Guerra entregava “túmulos compactos”[1] para as massas russas em uma escala quase impossível de imaginar. A I Guerra Mundial patrocinou o espetáculo do sistema social mais atrasado e subdesenvolvido do continente, enfiado até a cabeça em uma luta de vida ou morte com a mais avançada economia industrial do mundo. Os resultados foram aterradores.
Três milhões de soldados do exército imperial do czar morreram, outros quatro milhões foram feridos, e algo em torno de três milhões de civis morreram por causas relacionadas à guerra – isso tudo numa população aproximada de 175 milhões. Frente à tecnologia militar alemã, o czar enviou centenas de milhares de soldados precariamente armados e mal equipados para a morte certa. Ao longo dos invernos de 1915, 1916, e 1917, dezenas de milhares de soldados simplesmente morreram congelados em suas trincheiras.
Enquanto isso, a corte real afundava em novos níveis de devassidão. Um eclesiástico místico chamado Grigori Rasputin detinha o controle sobre a czarina Alexandra, exigindo que seu marido punisse todos os sinais de deslealdade, tal como Ivan, o Terrível havia feito. A influência dele era tamanha que os aristocratas russos o assassinaram, na esperança de reconquistar a influência sobre Nicolau e sua política de guerra. Tendo, por séculos, bebido do poço real, os barões agora temiam ser envenenados por seu corpo político putrefato. Como Tsuyoshi Hasegawa relata, o casal real “recusava-se a entender o mundo exterior”.
Os levantes camponeses aumentaram conforme a guerra se arrastou, assim como em 1905, mas agora eles já se concentravam em uma nova forma; a dizer, no conflito entre os oficiais da aristocracia e os soldados camponeses nas trincheiras.  Cada vez que um oficial ordenava um avanço suicida sob fogo alemão, não eram somente as vidas desses soldados do campo que estavam em jogo, mas também o próprio futuro da família que dependia do retorno dos seus filhos ao lar, tanto para o cuidado como para o trabalho. Além disso, alimentar o exército tirava o sustento das famílias rurais e as sementes para as colheitas do ano seguinte.
Talvez Nicolau, ou pelo menos a monarquia, sobrevivesse à crescente raiva do campesinato, às catastróficas perdas militares, e ao descontentamento dentro de sua própria classe. Porém, um inimigo ainda mais potente se erguia. Assim como a guerra enchera as trincheiras de sangue, ela enchera São Petersburgo de proletários. A mesma classe trabalhadora que havia lutado contra o regime até o impasse de 1905 e que sofrera terrivelmente por seus esforços, era responsável agora por produzir e distribuir cada rifle, cada projétil, cada estojo, cada vagão, dos quais dependia a guerra do czar.  E mais: Nicolau não tinha escolha senão fortalecer esse adversário.
Hasegawa relata que, entre 1914 e 1917, o número de trabalhadores em São Petersburgo cresceu de aproximadamente 242 mil para 392 mil, algo próximo de 62%, sendo as mulheres um quarto de todos os trabalhadores. As greves esfriaram no começo patriótico da guerra – por exemplo, enquanto aproximadamente 110 mil trabalhadores entraram em greve antes da guerra, em 1914, em homenagem ao Domingo Sangrento, apenas 2.600 pararam em 9 de janeiro de 1915. Entretanto, conforme os esforços de guerra colapsavam, as greves voltaram se proliferar. Em um período de seis meses, entre setembro de 1916 e fevereiro de 1917, por volta de 589.351 trabalhadores pararam e cerca de 80% deles participavam de greves políticas.
Além disso, em meio a esse movimento de massas, as obstinadas organizações socialistas construíram uma longa luta para implantarem-se entre os trabalhadores. Milhares de revolucionários perderam suas vidas em 1905, ou em decorrência da repressão que se seguiu; outros milhares foram recrutados e enviados para o front em uma tentativa de expurgar o movimento operário de organizadores forjados no calor da batalha. Na verdade, a polícia czarista chegou perigosamente perto de erradicar a esquerda socialista organizada em diversos momentos; no entanto, as sementes de mais de uma dúzia de anos de confrontos, organização de partidos clandestinos e educação socialista tinham firmado raízes.
Ao contrário da Alemanha e da França, nas quais as lideranças das organizações socialistas mais importantes apoiavam suas próprias classes dominantes na I Guerra Mundial, a maior parte do movimento socialista russo adotou princípios internacionalistas contrários à guerra. Como um todo, São Petersburgo estava repleta de socialistas revolucionários, organizados em grupos operacionais em diversos estados de competição e cooperação, incluindo bolcheviques, mencheviques, internacionalistas,[2] SRs, e até anarquistas.
É claro que, dentre eles, havia alguns patriotas sociais famosos, sendo o mais notável o líder menchevique direitista Georgi Plekhanov, o “pai do marxismo russo”, que, tanto Lenin quanto o menchevique-internacionalista Julius Martov, um dia consideraram como mentor.
Por fim, as primeiras semanas de 1917 chegaram perto de encontrar o que Lenin sugeriu serem as premissas para a “lei fundamental da revolução”, ou seja:
“Somente quando as ‘classes baixas’ não quiserem viver da maneira antiga e as ‘classes altas’ não conseguirem sustentar a velha forma é que a revolução poderá triunfar”.
No Império russo, a classe trabalhadora não estava sozinha na resistência contra as condições surgidas da guerra.  Karl Liebknecht rompeu com a liderança pró-guerra do Partido Socialdemocrata Alemão e votou contra os financiamentos à guerra no parlamento; na cadeia, Rosa Luxemburgo escreveu o Panfleto Junius; soldados franceses e alemães declararam uma trégua unilateral de Natal e a esquerda do Partido Socialista Americano e a Trabalhadores Industriais do Mundo[3] opôs-se veementemente à vontade bélica de Woodrow Wilson.
No entanto, a profundidade da crise social, econômica e militar na Rússia, somada à consciência política e organização da classe trabalhadora (em conjunto com as crescentes revoltas entre os soldados, camponeses, estudantes e nacionalidades oprimidas), estavam muito à frente de qualquer outro lugar do mundo no inverno de 1916-1917.
Acima de tudo isso, havia a bela ilusão (se não universalmente difundida, ao menos suficientemente comum) que mantinha unido o amplo movimento anticzarista. Isto é: decepar a cabeça da monarquia para que a paz, a democracia e a prosperidade possam chegar à Rússia.
Não demorou muito para o movimento revolucionário russo colocar sua teoria à prova. Fevereiro foi apenas o começo.
 Notas
[1] Graças à grande quantidade de cadáveres, os túmulos eram feitos quase sem espaço entre um e outro. (N. T.)
[2] Internacionalistas ou mejraióntsy eram uma facção independente do Partido Social Democrata Operário Russo. Em abril de 1917, o grupo decidiu unir-se aos Bolcheviques. (N. T.)
[3]  Industrial Workers of the World (IWW), central sindical americana fundada em 1905. (N. T.)

*Publicado originalmente no site Jacobin e traduzido por Rafael Bonavina para o blog Junho.
Fonte: Opera Mundi

1958: Armas nucleares para a Bundeswehr

No dia 25 de março de 1958, o governo alemão deliberou que as Forças Armadas receberiam armas nucleares. O tema foi motivo de muita polêmica em todo o país.
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Logotipo das Forças Armadas Alemãs
A decisão foi justificada por Konrad Adenauer, então chefe de governo alemão, com a política expansionista da União Soviética. A resolução havia sido apresentada pelos três partidos no governo: União Democrata Cristã, União Social Cristã e Partido Alemão.
Adenauer alegou que "enquanto o chefe de Estado e de Partido Nikita Kruchov tiver a intenção de destruir a unidade do Ocidente, é dever da Alemanha e seus aliados fazer de tudo para manter essa unidade política e militar".
O político alemão democrata-cristão ressaltou que, no dia 22 de janeiro de 1958, Kruchov havia admitido publicamente que seu país dispunha de tecnologia para atingir qualquer ponto do planeta através de mísseis armados com ogivas nucleares. "Quem quer garantir a paz, precisa equiparar-se ao poder militar soviético", argumentou Adenauer.
Ameaça soviética
O então ministro da Defesa, Franz Josef Strauss, ressaltou no plenário do Parlamento que os submarinos nucleares soviéticos pretendiam, com seu avançado sistema de armamentos, eliminar os aliados ocidentais e depois arriscar uma guerra com os Estados Unidos.
"Não tememos armas nucleares nas mãos dos norte-americanos, dos britânicos, nem de nenhum país democrático. Poderíamos prescindir deste tipo de armas para sempre, mas temos medo do potencial nuclear soviético, por causa de sua política agressiva", argumentou o ministro Strauss.
A oposição estava chocada. Depois de quatro dias de acalorados debates no Bundestag, o deputado Gustav Heinemann, do Partido Social Democrata (SPD), acusou o governo alemão de acoplar a questão armamentista nuclear à filiação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Podemos continuar na Aliança, mesmo sem armas nucleares", afirmou o deputado Heinemann.
Resistência, também, da sociedade civil. A Igreja e os sindicatos protestaram contra as intenções do governo. No dia da votação, milhares de trabalhadores paralisaram suas atividades em forma de protesto.
Pura ignorância, criticou Strauss: "A população foi enganada com a informação de que assumiríamos armamentos americanos ou britânicos, mas na realidade estamos seguindo apenas uma determinação tomada em conjunto na Otan".
Segurança coletiva
A estratégia conjunta de defesa da organização previa tarefas a serem cumpridas por todos os membros, do Canadá à Turquia, para garantir a segurança coletiva. Com o propósito de evitar uma nova guerra, a conferência de cúpula da aliança militar ocidental, em dezembro de 1957, em Paris, havia decidido colocar armas nucleares à disposição das Forças Armadas nos países europeus. A guarda e seu uso, entretanto, seriam de responsabilidade dos EUA.
Na resolução aprovada pelo Parlamento, os deputados conclamaram o governo alemão a se engajar por um acordo internacional de controle de armamentos nucleares.
  • Autoria Petra Kohnen
  • Link permanente http://dw.com/p/21Ug

quinta-feira, 23 de março de 2017

Há 75 anos, EUA criavam campos de concentração para japoneses

Logo após bombardeio a Pearl Harbor, uma base naval no Havaí, o presidente norte-americano Franklin Roosevelt assinou um decreto autorizando a delimitação de zonas militares de exclusão. O documento serviu de base para realocação e confinamento de mais de 110 mil americanos de ascendência japonesa, com cidadania ou não.

O ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941 levou os Estados Unidos a entrar definitivamente na II Guerra Mundial e a mudar radicalmente a vida de 120 mil homens, mulheres e crianças de ascendência japonesa que viviam nos Estados Unidos.

O ataque, além de intensificar o preconceito racial contra os nikkeis, descendentes japoneses nascidos fora do Japão, espalhou o temor de possível sabotagem e espionagem dentro do governo, do exército e da mídia.

Sem o devido processo legal, o governo concedeu poucos dias para que os ascendentes japoneses, que viviam na costa Oeste do país, se desfizessem de seus bens. Muitas famílias venderam a preços irrisórios tudo que possuíram ao longo da vida.

Outras conseguiram alugar abaixo do preço suas propriedades aos vizinhos. Os cidadãos japoneses residentes nos Estados Unidos não sabiam para onde iam e por quanto tempo. As famílias receberam número de identificação e levaram o que coube nos carros, ônibus, caminhões e trens.

Foram transportadas sob escolta militar para 17 centros temporários montados em hipódromos, parque de diversões, e outras instalações similares em três estados. Depois essas pessoas foram levadas para um dos 10 acampamentos de realocação construídos às pressas, muitas outras repatriadas para o Japão.

Em janeiro de 1944, a Suprema Corte mandou suspender o decreto e esses cidadãos deixaram os campos de concentração tentando reconstruir suas vidas. O último foi fechado em 1946. No fim do século 20, o governo americano foi obrigado a pagar R$ 1,6 bilhão pelos danos causados àquelas pessoas que ficaram detidas e seus descendentes.

História Hoje: Programete sobre fatos históricos relacionados às datas do calendário. É publicado de segunda a sexta-feira. Acesse aqui as edições anteriores.

Edição: Patrícia Leite
Sonoplastia: Messias Melo

Fonte: EBC

segunda-feira, 20 de março de 2017

Curso de História no Projeto Rondon – Operação Tocantins 2017




            “O Brasil além dos livros”, essa foi uma das frases mais repetidas pelos responsáveis do Projeto Rondon e que resume muito bem a experiência de mais de 15 dias na Operação Tocantins. Nós não apenas conhecemos uma realidade diferente, mas pudemos viver e em certa medida intervir nela.
            O grupo da UPF que participou do Projeto era composto por estudantes de diversas áreas (Nutrição, Geografia, Educação Física, Odontologia, Enfermagem, Psicologia, Biologia e História), o que possibilitou um trabalho interdisciplinar de capacitação de agentes multiplicadores de conhecimento no município de Divinópolis do Tocantins. Nossas ações atenderam professores da Educação Básica, agentes de saúde, estudantes, merendeiras e a população em geral. Além do grupo da UPF, a equipe que realizava a operação em Divinópolis era formada pelos estudantes da UNIPAM - MG.
            No entanto, mais do que ensinar, nós aprendemos. Desde que nos tornamos rondonistas a aprendizagem foi constante: os estudos e preparação das oficinas em Passo Fundo; os diálogos com estudantes de universidades de todo o país enquanto estávamos em Palmas; a experiência adquirida das oficinas; o intercâmbio acadêmico; a aproximação do conhecimento acadêmico com a comunidade; a vivência no município e o processo de nos tornarmos parte da comunidade de Divinópolis.
            O Projeto Rondon como bem diz seu lema é “uma lição de vida e cidadania”. Uma lição que oportunizou a difusão de conhecimentos acadêmicos e sua transposição para a realidade, permitiu a interação com culturas diferentes, e o mais importante, a vivência com pessoas. Participar do Projeto Rondon foi de uma intensidade e profundidade indescritível, contribuindo muito para minha formação acadêmica, mas principalmente para minha formação como ser humano.


Bruna Zardo Becker

Rondonista e acadêmica do VII nível de História - UPF


CONVITE

A imagem pode conter: texto

domingo, 19 de março de 2017

Arquivo Histórico Regional abre vagas para voluntários


O Arquivo Histórico Regional (AHR), laboratório vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da UPF, abre vagas para voluntários visando a iniciação dos graduandos do Curso de História da UPF  em atividades de gestão e organização de arquivos.  As atividades compreenderão aspectos teóricos e práticos envolvendo a conservação do acervo documental e bibliográfico, o que implicará no treinamento dos voluntários em técnicas de conservação, higienização e digitalização do acervo. O acompanhamento e avaliação dos estagiários, e estagiárias, será feito pela coordenação do AHR em conjunto com os funcionários. 

Público alvo

Graduandos do Curso de História da  Universidade de Passo Fundo que tenham conhecimentos básicos de informática.

Exigências

Ser acadêmico de História da UPF e realização de trabalhos em um turno semanal (escolhido pelo pretendente e equipe AHR), por três meses ininterruptos. 

Certificação

Os voluntários que cumprirem o período proposto receberão certificação emitida pela Coordenação do AHR, totalizando 50 horas de atividades teórico-práticas. 
ATENÇÃO: Havendo interrupção das atividades não será emitido certificado parcial!

Inscrição

Os pretendentes devem enviar os documentos e informações abaixo relacionadas ao email ahr@upf.br até o dia 31 de março.

  • Histórico do Boletim Acadêmico
  • Currículo 
  • Endereço completo
  • Contatos: fone e email
  • Justificativa de interesse em participar como voluntário
  • Indicação do turno preferencial para realização das atividades voluntárias (matutino ou vespertino)
Cronograma

Até 31 de março - envio dos documentos e informações ao email AHR
Até 07 de abril - entrevista com candidatos e seleção dos voluntários
A partir de 10 de abril - início das atividades 
Até 07 de julho - fim das atividades
Até 30 de julho - emissão de certificação pela coordenação do AHR

1848: Combates em barricadas nas ruas de Berlim

Em 18 de março de 1848, 270 pessoas morreram em choques nas ruas de Berlim. Chegara à capital da Prússia a Revolução de Março, que conduziria à convocação da Assembleia Constituinte na Paulskirche de Frankfurt.
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A população berlinense estava inquieta desde 14 de março de 1848: um dia antes, Viena, a capital da Áustria, fora contagiada pelo espírito que motivara uma rebelião popular em Paris no mês anterior, levando à destituição do rei e à proclamação da Segunda República. Nas ruas de Berlim, a cavalaria avançou pela primeira vez contra os cidadãos que, por sua vez, levantaram barricadas para se defender.
No dia 18 de março, uma grande multidão aglomerava-se na praça diante do castelo. Operários e estudantes queriam estar presentes quando o rei anunciasse a abolição da censura e a convocação de um parlamento prussiano. As tropas em posição na frente do castelo foram vistas como uma ameaça pelos manifestantes, que exigiram aos brados que elas se retirassem.
Foi quando se ouviram os primeiros tiros – ninguém sabia de onde vinham – e caíram os primeiros mortos. Os manifestantes se refugiaram para trás das barricadas e, embora estivessem em menor número que os soldados – calcula-se que 4 mil contra 15 mil –, ofereceram resistência ferrenha.
Vítimas da industrialização
Das 270 pessoas que morreram nos combates de rua em Berlim, mais da metade eram artesãos, segundo a lista oficial de óbitos. Desenraizados em consequência da primeira onda de industrialização, eles constituíam o grupo mais numeroso entre os combatentes nas barricadas da capital da Prússia.
Na tarde do dia seguinte, um cortejo fúnebre em que muitos dos cadáveres eram transportados em carro aberto passou pelo castelo e obrigou o monarca a prestar homenagem aos mortos da revolução. Com isso, o rei perdera sua autoridade, na opinião dos monarquistas.
Primeiro Parlamento alemão
Mas Frederico Guilherme 4º resolveu virar o jogo e colocar-se ativamente à frente dos revolucionários. Dois dias após os sangrentos combates nas barricadas, ele saiu às ruas de Berlim a cavalo, portando uma echarpe em vermelho, amarelo e preto, as cores do movimento liberal-nacionalista. Na mesma noite, anunciou que se empenharia pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para todo o território alemão.
A 18 de maio do mesmo ano, reuniu-se na Igreja de São Paulo (Paulskirche), de Frankfurt, o primeiro Parlamento alemão. Um grupo ilustre, constituído em sua maioria por representantes da elite. Apenas quatro deputados eram artesãos, o operariado não tinha nenhum representante no grêmio.
Os debates na Assembléia Constituinte estenderam-se por dez meses, tempo suficiente para que os regentes dos diferentes Estados alemães se recuperassem do abalo causado pela Revolução de Março. A recusa de Frederico Guilherme, que não se dispôs a aceitar a coroa de imperador de uma Alemanha unificada oferecida pelos parlamentares, acabou por esvaziar o poder do Parlamento, minimizando os efeitos do movimento iniciado em março de 1848.

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  • Autoria Norbert Ahrens (lk)
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quinta-feira, 16 de março de 2017

Fazendo História com solidariedade



por Matheus Grossi Castro

Desde a entrada no curso de História, a turma 2016/2 já planejava fazer algo diferenciado e de real valor para receber os futuros bichos do curso - ingressantes em 2017. Em vista disso, realizando também as tradicionais brincadeiras com os calouros, nós, os alunos do segundo nível, decidimos devolver um pouco de carinho para a comunidade passo-fundense, em especial às crianças vulneráveis de nossa cidade. Lembrando dos princípios comunitários e filantrópicos da UPF repassados a nós em cada aula por nossos professores, foi decidido que o trote seria solidário. Pedimos então que cada calouro e veterano fizesse uma doação em gibis, livros, brinquedos ou alimentos não perecíveis no prazo de uma semana para arrecadação. A ideia foi muito bem recebida entre os calouros, cujo entusiasmo levou que alguns doassem muito além do esperado, fazendo que as doações ultrapassassem as expectativas.

A campanha foi um grande sucesso, com dezenas de kg de alimentos, vários brinquedos e materiais de leitura sendo doados pelas turmas do curso de História da UPF. Os alimentos foram repassados à Casa de Acolhimento à Criança II pelos alunos Matheus Grossi Castro e Jeferson Hensel Zanon com mensagens de carinho de todos os alunos e professores do curso, sendo muito bem recebidos pelas atendentes da Casa e pelas crianças que ali se encontravam. As crianças receberam os presentes com generosos abraços e agradecimentos emocionando a todos os ali presentes, alunos e funcionários. Esperamos, com total sinceridade, que a prática solidária se institucionalize entre as vindouras turmas de calouros do curso de História e que a cada semestre se repita o gesto.  Parabéns à todos os calouros por realizarem esta ação de caridade e carinho.