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terça-feira, 30 de agosto de 2016

1842 – Tratado de Nanquim encerra Guerra do Ópio entre chineses e britânicos


Desfecho do conflito foi considerado humilhação para imperador chinês, cuja dinastia começou a sofrer pressão dos levantes populares
Em 29 de agosto de 1842, o Tratado de Nanquim pôs fim à Guerra do Ópio entre a China e a Grã Bretanha.
Algumas décadas antes, em 1793, o grande imperador Qianlong havia zombado dos britânicos, rejeitando suas tentativas de aumentar o comércio com o Império do Meio.
WikiCommons

Pintura de John Platt e John Burnet, de 1846, encena a assinatura do Tratado de Nanquim
Os mercadores da Companhia Inglesa das Índias Orientais e o governo de Londres receberam muito mal a indisposição do imperador em encontrá-los. Não deixaram de difundir fortemente em toda a Europa o desprezo que lhes inspirava essa China, outrora tão elogiada, hoje arcaica, imóvel, voltada para si mesma.
Seu despeito era ainda maior visto que continuavam comprando da China o chá que os britânicos consumiam bastante, bem como muitos outros produtos de luxo – porcelanas, pedrarias e sedas.
Para tentar equilibrar uma balança comercial pesadamente deficitária, a Companhia das Índias pôs em ação um “comércio triangular” tão pouco recomendável quanto era o tráfico de escravos. A companhia desenvolveu nas Índias a cultura do pavot – toda planta papaverácea do gênero Papaver, agrupando diversas espécies que produzem flores indo da papoula (Papaver rhoeas) ao pavot a ópio (Papaver somniferum) — e de modo totalmente ilegal, inicia os chineses no consumo do ópio.
As vendas ilegais de ópio na China passaram de 100 toneladas para 2.000 toneladas em 1838.
Fonte: Opera Mundi

1918: Atentado contra Lenin

No dia 30 de agosto de 1918, Vladimir Lenin, líder do Partido Comunista da Rússia, foi gravemente ferido por duas balas, mas sobreviveu.
Monumento em homenagem a Lenin
Desde 7 de novembro de 1917, a Rússia era um país agitado, onde reinava o caos da guerra civil. Após o bem-sucedido golpe de Estado, Vladimir Ilitch Ulianov, apelidado Lenin, estava construindo um sistema ditatorial de governo, sob a liderança dos quadros do partido bolchevista. A oposição era reprimida de maneira radical.
Mas o entusiasmo estava arrefecendo. Além disso, reinava a guerra na Europa e parecia que os alemães iriam vencê-la também no Leste. Em 9 de fevereiro de 1918, foi assinado um tratado de paz entre a Ucrânia e a Alemanha. Aumentou a pressão sobre os bolchevistas, fazendo com que Lev Trotski, como chefe da delegação russa, anunciasse oficialmente a retirada do país da guerra, e interrompesse as negociações de paz, sem fechar um acordo.
Resistência no partido a acordo com a Alemanha
O Alto Comando do Exército alemão ordenou o prosseguimento da marcha militar em direção ao Leste. O novo governo russo, ainda instável, teve que capitular e aceitar as exigências alemãs. O tratado de paz de 3 de março, entre a Rússia e o Império Alemão, foi assinado por Lenin contra uma enorme resistência dentro do partido.
Os comunistas necessitavam de paz externa, a fim de poder impor internamente a sua sangrenta revolução. No dia 17 de julho, então, a família do czar foi eliminada, com a execução, em Lecaterinburgo, de todos os membros da casa real.
Mas apenas seis semanas mais tarde veio o grande choque para a revolução. Lenin, o líder do Partido Comunista da Rússia, tinha acabado de entrar no seu carro, após uma assembleia com os operários de uma fábrica de armamentos. Antes que o motorista pudesse dar a partida, foram disparados três tiros.
Dois deles acertaram o alvo: uma bala atingiu a omoplata esquerda, a segunda alojou-se diretamente no ombro esquerdo do líder. Lenin desmaiou e a polícia revolucionária prendeu imediatamente a suposta autora do atentado: Fanya Kaplan.
Dúvidas quanto à autoria do atentado
A anarquista ucraniana, de 30 anos de idade, havia sido condenada à pena perpétua de trabalhos forçados, em 1906, pelo atentado fracassado contra o governador da província. Ela fora anistiada após a Revolução de 1917. E acusada, pouco depois, dos disparos contra Lenin.
Trecho do protocolo do interrogatório pela polícia secreta, no dia 30 de agosto de 1918, às 23h30: "Eu me chamo Fanya Efimovna Kaplan, este é o nome sob o qual fui registrada como prisioneira do campo de trabalhos forçados de Acatua. Eu disparei hoje contra Lenin. Disparei contra ele por convicção própria. Disparei várias vezes, mas não sei quantas. Não contarei nenhum pormenor em relação à arma. Disparei contra Lenin porque o considero um traidor da Revolução e a sua existência irá destruir a crença no socialismo."
Foi uma declaração misteriosa, que ainda desperta dúvidas quanto ao papel de Kaplan no atentado contra Lenin. Pois ela parece ser apenas uma vítima voluntária. São muito estranhos os indícios que procuravam transformar a revolucionária numa assassina.
Não houve nenhuma testemunha que a tivesse visto realmente fazer os disparos. No ano de 1906, ela havia perdido inteiramente a visão, recuperando-a parcialmente seis anos depois. Mas era extremamente míope e, por isto, pouco adequada como assassina.
Dossiê médico trouxe a prova
Nas investigações feitas por Yurovski – o assassino do czar – no local do atentado contra Lenin, foram encontradas quatro cápsulas de bala, apesar de todas as testemunhas terem ouvido apenas três disparos. Também suscita desconfiança o fato de que Fanya Kaplan tenha confessado tão prontamente sua suposta culpa.
Prova cabal da sua inocência parece ser um dossiê médico do ano de 1922, quando foi retirada finalmente a bala do ombro de Lênin. Com toda certeza, o projétil não foi disparado de um revólver Browning, como o que a polícia secreta teria encontrado na bolsa de Fanya Kaplan e afirmava ser a arma do crime.
Assim, um outro boato foi espalhado desde então. O verdadeiro autor do atentado de 30 de agosto de 1918 contra Lenin teria sido um homem chamado Protopopov, chefe de uma unidade da Tcheka – a organização predecessora do serviço secreto KGB – e que estaria decepcionado com a revolução. Também ele teria sido preso no local do crime e executado no mesmo dia. Kaplan deveria acobertá-lo e, não sabendo da sua prisão, teria "confessado" o crime.
Foto de Lenin em 1918
A Tcheka também fez processo sumário contra Kaplan. No dia 4 de setembro, ela foi executada por Pavel Malkov numa garagem. Cumprindo ordens superiores, seus restos mortais foram eliminados sem deixar vestígios.
Posteriormente, no terror da era de Stalin, bastava alguém ter o sobrenome Kaplan para que vivesse sob constante ameaça de morte. E ouvia sempre a mesma pergunta: "É parente da Kaplan?"
De qualquer forma, o dia 30 de agosto de 1918 ofereceu ao líder dos bolchevistas um pretexto bem-vindo para radicalizar ainda mais a caça a todos os seus adversários. Começou então o "terror vermelho". As vítimas foram principalmente os integrantes do Partido Social Revolucionário, que tinha obtido nas eleições um resultado muito melhor do que o Partido Comunista.
Lev Trotski descreveu assim a situação daquele momento: "Curiosamente, a revolução não foi estabilizada através de uma curta fase de tranqüilidade, mas sim através da ameaça do atentado".
  • Autoria Jens Teschke (am)
  • Link permanente http://dw.com/p/1LJL

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Cronograma de atividades - Projeto Ensino e Inovação


Local: Sala 230 - IFCH
Horário: 14:00hs às 17:00hs
Dia dos encontros: quinta-feira à tarde
Metodologia: leituras dirigidas e discussão

Programação:

13 de agosto - sábado - 8:30 hs às 11:30hs
Encontro geral

8 de setembro - quinta-feira - 14:00hs às 17:00hs
Tema: História regional
Ministrantes: Marcos Gerhardt e Ironita Machado
Textos:
RECKZIEGEL, Ana Luiza Setti. História regional: dimensões teórico-conceituais. História: debates e tendências, Passo Fundo, v. 1, p. 15-23, 1999.
MARTINS, Marcos Lobato. História Regional. In: PINSKI, Carla Bassanezi (Org.) Novos temas nas aulas de História.  São Paulo: Contexto, 2010. p. 135-152.

13 de outubro - quinta-feira - 14:00hs às 17:00hs
Tema: História e representação
Ministrante: Jacqueline Ahlert
Textos:
CARVALHO, Francismar Alex Lopes de. O conceito de representações coletivas segundo Roger Chartier. Diálogos, DHI/PPH/UEM, v. 9, n. 1, p. 143-165, 2005.
SANTOS, Dominique Vieira. Acerca do Conceito de Representação. Revista de Teoria da História, Goiânia, ano 3, no 6, dez. 2011.

10 de novembro - quinta-feira - 14:00hs às 17:00hs
Tema: História e cinema
Ministrante: Gizele Zanotto
Textos:
BARROS, José D´Assunção. Cinema e história – considerações sobre os usos historiográficos das fontes fílmicas. Comunicação & Sociedade, Ano 32, n. 55, p. 175-202, jan./jun. 2011.
MEIRELLES, William Reis. O cinema como fonte para o estudo da história. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 38, p. 11-42, 2003. Editora UFPR.

26 de novembro - sábado - 8:30 hs às 11:30hs
Encerramento

1885: Daimler patenteia a motocicleta

Em 29 de agosto de 1885, Gottlieb Daimler obtém patente para seu veículo motorizado de duas rodas. O que no início simbolizou progresso tecnológico passou mais tarde a ser identificado com liberdade e homens destemidos.
Rodinhas laterais apoiavam a construção de madeira do inventor alemão
A criação de Gottlieb Daimler de 1885 era uma construção tosca de madeira, com duas rodinhas laterais de apoio, para evitar que o veículo tombasse. Para o inventor suábio, seu protótipo não passava de apenas um passo na revolução tecnológica e, por isso, jamais utilizou ele próprio o aparelho.
Apesar disso, ao contrário do pesado motor de quatro tempos desenvolvido por Nikolaus Otto, a invenção de Daimler era uma obra-prima: rápida, leve e alimentada a gasolina, em vez do gás, como era comum até então. Seu "cavalo motorizado" atingia velocidade de 8 quilômetros por hora e resistiu bravamente ao teste de três quilômetros entre Cannstatt e Untertürkheim.
O veículo não ganhou adeptos rapidamente. Somente na alta sociedade francesa, via-se como chique possuir tal engenho. Na Alemanha, a produção em massa só começou próximo à virada do século. Em 1897, a empresa Hildebrandt und Wolfmüller, de Munique, tomou a iniciativa de patentear a expressão "motocicleta".
Veículo da Primeira Guerra Mundial
Fábricas para produzir o novo meio de transporte pipocavam por todos os lados, principalmente voltadas à exportação, pois os alemães preferiam fazer piada daquela viatura fedorenta e que dava estalos. Dizia-se nas ruas que o motorista poderia até mesmo cair duro, intoxicado, se abrisse a boca ao andar muito devagar.
Americanos e ingleses pensaram mais longe. Na Primeira Guerra Mundial, as Forças Armadas britânicas chegaram a dispor de 50 mil máquinas das marcas Douglas e Triumph, enquanto os EUA equiparam suas tropas com 10 mil Harley Davidson e Indians. Já na terra do invento, os alemães dispunham de apenas 5 mil motocicletas. Só depois do conflito mundial é que os ventos mudaram na Alemanha. A BMW criou a R32, um modelo com 8,5 cavalos-vapor, capaz de atingir 92 km/h. A R32 era tida como segura e até mesmo algo esportiva.
Os anos seguintes à Segunda Guerra foram de ouro para as motocicletas. Elas tinham preço mais em conta, acessível também para as camadas sociais menos privilegiadas. Em 1956, uma NSU MAX custava quase 2 mil marcos, tinha 17 cv e alcançava 126 km/h. Um Fusca não saía por menos de 4 mil marcos, com 30 cv e velocidade máxima de 120 km/h. Naquela época, um operário podia ficar feliz se ganhasse 105 marcos por semana.
Boom e declínio
O sucesso das motos fez florescer a indústria alemã. DKW, Adler, Tornax, Horex und Zündap, Maiko e Kreidler igualmente lançaram modelos no mercado. A elas somavam-se as importadas: Harley Davidson e Indians, dos Estados Unidos, Norton e Triumph, da Inglaterra, e as esportivas Motor Guzzi, Gilera e Benelli, da Itália.
Com o milagre econômico alemão, no entanto, cada vez mais pessoas foram adquirindo automóveis, bem mais confortáveis, e as vendas de motocicletas caíram. Apenas quando os japoneses entraram no setor é que houve reversão no cenário. Eles mudaram a imagem do produto e a estratégia de vendas. A começar por Soishiro Honda.
Alternativa cara
O empresário japonês apresentava suas motos aos consumidores americanos como as mais bonitas para hobby e aventuras, vendendo a sensação de liberdade sobre duas rodas. "You meet the nicest people on a Honda" (Você encontra as pessoas mais legais numa Honda), dizia o slogan publicitário. O público mordeu a isca e as motocicletas passaram a ser tratadas como uma alternativa de lazer cara e, portanto, elitista. Carro, qualquer um poderia ter.
Nos anos 70, o filme Easy Rider – Sem destino contribuiu ainda mais para fixar esta imagem. Andar e viajar de motocicleta virara um ato cult, sinônimo de ruptura, rebeldia e prazer. Os Beach Boys cantavam Good vibrations e pelo mundo todo os motoqueiros morriam de rir do chiste: "Não sei para onde vou, mas quero chegar lá bem rápido."
Previsão de Daimler
Hoje, motocicleta é um hobby com muitos adeptos. Os fãs do invento de Daimler têm à disposição os mais variados modelos: desde máquinas de dois tempos dignas de um grand prix às confortáveis soft choppers, apropriadas para estradas asfaltadas; das motos de enduro e cross às lambretas e scooters com motor de quatro tempos, para-brisa e pequenos "bagageiros".
Gottlieb Daimler havia ele próprio previsto: "Será algo indescritível, gostoso, possuir um veículo motorizado, que desenvolva uma velocidade compatível e apta para transportar ao menos uma pessoa, e que possa percorrer livre as estradas."
  • Autoria Tom Buschard (mw)
  • Link permanente http://dw.com/p/2auA

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

1944: Paris é libertada da ocupação alemã

Em 25 de agosto de 1944, tropas francesas e americanas libertaram Paris da ocupação alemã. Da Inglaterra, o general Charles de Gaulle conclamou, pelo rádio, seus compatriotas a apoiarem os Aliados.
Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães. Tardaria até meados de agosto de 1944 para que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.
Já nos dias que antecederam à libertação da cidade ocorreram greves da polícia, dos correios e do metrô parisiense. O rádio suspendeu suas transmissões e, no dia 19 de agosto de 1944, o Comitê da Libertação de Paris conclamou a população a rebelar-se.
Ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal foram ocupados. Os grupos da Resistência parisiense passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas.
Seu líder era o comunista convicto Henri Tanguy, conhecido como coronel Rol. Ele e seus correligionários queriam aproveitar uma rebelião geral em Paris, a fim de assumir o poder político antes que as forças francesas de Charles de Gaulle e as tropas aliadas chegassem para libertar a cidade.
Desobediência a Hitler
Desde 7 de agosto de 194, o comandante alemão da região metropolitana de Paris era o general Von Choltitz. Do ditador alemão Adolf Hitler, Von Choltitz recebera carta branca para defender a cidade com todos os recursos e para destruí-la inteiramente antes de uma retirada. O general, no entanto, contrariou as ordens cada vez mais insistentes de Hitler para a destruição de Paris.
Ele solicitou ao cônsul-geral da Suécia em Paris, Raoul Nordling, que cruzasse o front e entrasse em contato com os Aliados, a fim de apressá-los e acelerar assim a capitulação nazista.
Atendendo a uma sugestão de Raoul Nordling, o general Von Choltitz buscou contato com a Resistência em 19 de agosto. Porém, Raoul Nordling sofreu um ataque cardíaco pouco antes da sua partida. A carta de livre trânsito tinha sido emitida com o nome abreviado de R. Nordling. O irmão do cônsul-geral sueco, Rolf Nordling, assumiu assim a missão de alto risco.
O general Leclerc juntara-se a Charles de Gaulle e comandava então a 2ª divisão blindada francesa, que avançou rapidamente para Paris, a partir de 23 de agosto de 1944. Já no dia seguinte, companhias aliadas estavam nos subúrbios ocidentais da capital. Na tarde de 25 de agosto, o general Leclerc e o coronel Rol receberam a capitulação do general Von Choltitz, no departamento de polícia da capital francesa.
De Gaulle também chegou a Paris em 25 de agosto de 1944 e discursou à noite diante da prefeitura. Ele lembrou o sofrimento de uma Paris martirizada pela ocupação e preconizou, ao mesmo tempo, o futuro de liberdade e de autodeterminação da cidade.
Restauração da República
No dia seguinte, 26 de agosto de 1944, De Gaulle participou da parada triunfal da 2ª divisão blindada francesa, sob o comando do general Leclerc. Partindo do Arco do Triunfo, ele desceu a Avenida Champs Elysées, prosseguindo até a Catedral de Notre Dame. Os parisienses saudaram o libertador com grande entusiasmo.
O passeio pela cidade encerrava grande risco para o general, pois muitos franco-atiradores ainda disparavam dos seus esconderijos. Mas De Gaulle recusou-se a interromper a sua caminhada e marchou orgulhosamente pelas ruas parisienses.
Na catedral, continuou a ser celebrado o Te Deum, apesar de tiros disparados até mesmo dentro do templo gótico. Nunca se soube quem ordenou os disparos. Dois franco-atiradores foram presos em outras partes da cidade, mas não puderam ser interrogados, pois foram linchados imediatamente pela população furiosa.
Há quem atribua os tiros aos comunistas. Eles procurariam, desta forma, impedir que De Gaulle subisse ao poder. Essa hipótese, no entanto, jamais pôde ser provada. A parada da 2ª divisão blindada na cidade recém-liberada tinha como objetivo ressaltar o papel do movimento França Livre e reforçar a posição do general De Gaulle como líder do novo governo francês.
Com isso, ele queria rechaçar as ambições comunistas de poder na França. Especialmente o fato de que o líder comunista da Resistência, coronel Rol, tenha sido um dos signatários da capitulação alemã, ao lado do general Leclerc, deixou o general tremendamente indignado.
De Gaulle forçou resolutamente a constituição de um governo francês, impedindo assim que a França se tornasse uma zona de ocupação das potências aliadas. No dia 9 de setembro, tomou posse um governo de unidade nacional, sob a presidência de Charles de Gaulle. Com isso, ele cumpriu a missão a que se propusera: libertar o país, restabelecer a República e organizar eleições livres e democráticas na França.
Em Berlim, Hitler procurava saber, em vão, do seu general Jodl: "Paris está em chamas?"

terça-feira, 23 de agosto de 2016

1572: A Noite de São Bartolomeu

Noite de 23 para 24 de agosto de 1572: os sinos da catedral de Saint Germain-l’Auxerrois fizeram o prenúncio do dia de São Bartolomeu – um mártir.
Gravura da época registrou os horrores da 'Noite de São Bartolomeu'
Na Noite de São Bartolomeu de 1572, os católicos massacraram os huguenotes na França. Somente em Paris, três mil protestantes foram exterminados nessa noite. A violência estava espalhada por todo o país, o número de huguenotes mortos foi de dezenas de milhares.
Poucos dias antes, era calmo o ambiente na capital. Celebrara-se um matrimônio real, que deveria encerrar um terrível decênio de lutas religiosas entre católicos e huguenotes. Os noivos eram Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos huguenotes, e Margarida Valois, princesa da França, filha do falecido Henrique 2º e de Catarina de Médici.
Margarida era irmã do rei Carlos 9º. Alguns milhares de huguenotes de todo o país – a nata da nobreza francesa – foram convidados a participar das festas de casamento em Paris. Uma armadilha sangrenta, como se constataria mais tarde.
Casamento sobre o Sena
A guerra entre católicos e protestantes predominou na França durante anos, com assassinatos, depredações e estupros. E agora, um casamento deveria fazer com que tudo fosse esquecido?
O casamento não foi realizado na catedral. O noivo protestante não deveria entrar na Notre Dame, nem assistir à missa. Diante do portal ocidental da catedral, foi construído um palco sobre o rio Sena, no qual celebrou-se o casamento. Margarida não respondeu com um "sim" à pergunta, se desejava desposar Henrique, mas fez simplesmente um aceno positivo com a cabeça. Como era comum na época, o casamento tinha motivação exclusivamente política.
No século 16, o maior esteio da França não era o rei, mas sim a Igreja. E ela estava inteiramente infiltrada pela nobreza católica. Uma reforma do clero significaria, ao mesmo tempo, o tolhimento do poder dos príncipes. Assim, a nobreza – tendo à frente os Guise – buscava a preservação do status quo.
Casamento forçado seguido de atentado
Os Guise – a linhagem predominante na França – observavam com profunda desconfiança a cerimônia ao lado da Notre Dame. O casamento foi realizado por determinação da poderosa rainha-mãe Catarina de Médici – uma mulher fria, detentora de um marcante instinto de poder.
Poucos dias depois da cerimônia, almirante Coligny sofreu um atentado em rua aberta. O líder huguenote teve apenas ferimentos leves. Ainda assim, os huguenotes pressentiram uma conspiração. Estava em perigo a trégua frágil, lograda através do casamento. Por trás do atentado, estavam os Guise e Catarina de Médici.
O casamento era parte de um plano preparado a longo prazo. Carlos, o rei com olhar de louco, ficou furioso ao saber do atentado a Coligny, que era seu conselheiro e confidente. Os católicos espalharam então o boato de que os huguenotes estavam planejando uma rebelião para vingar-se do atentado.
Começa o plano diabólico
O rei Carlos foi pressionado por sua mãe, Catarina. Carlos vacilou, ficou inseguro. Mas cedeu, finalmente, e ordenou a execução de Coligny. E exigiu, de repente, um trabalho completo: não deveria sobrar nenhum huguenote que pudesse acusá-lo posteriormente do crime.
Coligny foi assassinado com requintes de crueldade na noite de São Bartolomeu. Com ele, milhares de pessoas que professavam a mesma fé.
Henrique de Navarra sobreviveu à noite de São Bartolomeu nos aposentos do rei, que tinha dado a ordem para o massacre. Henrique teve de renegar a sua fé e foi encarcerado no Louvre. Quatro anos mais tarde, ele conseguiu fugir. Retornou ao seu reino na Espanha e, anos depois, subiu ao trono francês.
Henrique, que permaneceu católico, mas irmão espiritual dos huguenotes, concedeu-lhes a igualdade de direitos políticos através do Édito da Tolerância de Nantes. Uma compensação tardia para os huguenotes. Henrique defendia a coesão do país: "A França não se dividirá em dois países, um huguenote e outro católico. Se não forem suficientes a razão e a Justiça, o rei jogará na balança o peso da sua autoridade."

domingo, 21 de agosto de 2016

HQ e Ensino de História em debate! Vagas limitadas!


HQs e Ensino de História

Ministrante: Rita Juliane Tatim
Data: 10 de setembro de 2016 - a partir das 08:30 h
Local: Sala 222 do IFCH
Investimento: R$ 5,00 
Vagas: 25 
Inscreva-se já na coordenação do Curso!

Quilombo ameaçado por ação judicial no Rio luta para manter atividades culturais

Um dos quilombos urbanos do Rio, Sacopã reúne 30 descendentes do mesmo núcleo, que se instalou no local no início do século 20
Entrada do Quilombo Sacopã, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Entrada do Quilombo Sacopã, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Artistas, ativistas e quilombolas voltam a se reunir hoje (20) em torno da cozinha de dona Tina, 72 anos, na Comunidade Quilombola Sacopã, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Em vez da tradicional feijoada acompanhada de roda de samba – proibidas pela Justiça – a atração deste sábado é o cozido da matriarca, que será preparado para um grupo disposto a protestar contra decisão judicial de penhora de bens do líder Luiz Sacopã, 73 anos, multado por fazer “atividades comerciais” na comunidade, incrustada em um parque natural municipal no bairro.
Um dos quilombos urbanos do Rio, Sacopã reúne 30 descendentes do mesmo núcleo, que se instalou no local no início do século 20. Nos anos 1960, a família transformou a feijoada com roda de samba em símbolo e principal atividade de subsistência, atraindo artistas como João Nogueira, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho. A confraternização, no entanto, incomodou os novos vizinhos, de classe alta, que passaram a questionar o evento na Justiça, conta Sacopã.
“Somos uma família de quilombolas cercados de condomínios de alto luxo, em um local onde o metro quadrado custa R$ 18 mil. Aqui não mora pobre. E pobre, a maioria é preto, então não vai morar, é uma luta tremenda para nos colocar para fora”, lamentou. “O problema não é o samba, que era feito dentro do horário, direitinho, é a gente mesmo”, desabafou.
Ações
As primeiras ações judiciais movidas contra as atividades culturais na comunidade datam de 1989, segundo a Defensoria Pública do Estado, que acompanha o caso, e também questionavam a permanência dos quilombolas no local sem título de propriedade. Reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o quilombo Sacopã fica dentro do Parque Natural Municipal José Guilherme Merchior, o que dificulta sua titulação sem a participação da prefeitura.
Sob o argumento de que as atividades no local – incluindo aulas de jongo e capoeira – são incompatíveis com as características da área, residencial, e não podem ser realizadas em unidades de conservação integral, a Justiça suspendeu as ações. Já a penhora de bens, contestada pelos moradores, é o resultado da execução de uma multa da prefeitura por essas atividades. “O bar que eles citam na ação não funciona há 30 anos. Era gerenciado pela minha mãe e minha irmã, que até já morreram. A intenção dessas multas é nos intimidar e nos tirar daqui”, disse. Procurada, a prefeitura do Rio não comentou a possibilidade de anular a cobrança.
Na foto, Luiz Sacopã e sua esposa, Albertina Martins Pinto, a dona Tina. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Na foto, Luiz Sacopã e sua esposa, Albertina Martins Pinto, a dona Tina. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Outra preocupação com a penhora de bens é a perda de um carro, modelo Polo 2005, utilizado para levar o morador do quilombo Braulio Nazaré, 59 anos, tetraplégico, a sessões de fisioterapia. “Quer dizer, eles não estão interessados em saber o que acontece, mas em nos prejudicar”, reclamou Sacopã.
Conhecedor da comunidade, o antropólogo e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Fábio Reis Mota acredita que as ações que se amontoam contra o quilombo são uma forma de sufocar a comunidade. “Sendo composta por negros e pobres, incrustados no coração da zona sul carioca, a família Sacopã torna-se o modelo da política de produção de injustiças por meio da Justiça. A contestação empírica disso são as diversas ações que visam a esgarçar o modo de vida, inviabilizando sua reprodução econômica, social e política.”
O antropólogo lembra que em um dos processos contra a roda de samba, a desembargadora que manteve a proibição da atividade cultural argumentou que se a família desejava manter a prática, deveria transferi-la a Madureira, na zona norte, um dos redutos do ritmo. “O samba do quilombo continua sendo assunto de polícia, como era no início do século 20”, comparou Mota.
Para prestar apoio ao Quilombo Sacopã, o encontro deste sábado vai servir para planejar uma grande manifestação, em setembro, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, em defesa das tradições culturais e da permanência da comunidade no bairro.
“O que está em jogo é a sobrevivência de uma comunidade centenária, símbolo da resistência de uma família, de um povo. É preciso respeitá-la”, disse o presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Dias, que lembrou que, em 2011, a entrada de Sacopã chegou ser fechada com correntes.
Defensoria vai recorrer
A questão é monitorada pela Defensoria Pública que tenta, sem sucesso, recorrer das decisões. Um novo recurso será apresentado no fim de agosto. “A ação original é muito antiga, de 1989, movida pelos condomínios contra o Luiz Sacopã e sua família. Foi julgada procedente e vem sendo executada ao longo dos anos”, explicou a coordenadora do Núcleo contra a Desigualdade Racial (Nucora), defensora pública Lívia Cásseres, que acompanha o caso.
Barulho 
O presidente da Associação de Moradores da Fonte da Saudade, Rafael Szabo, disse que a ação dos condomínios incomodados pelo barulho e pela movimentação da rua em dias de samba é compreensível. “Fazer um evento para mil pessoas, com música alta, em área residencial, em área de morro, claramente o som vai ecoar e afetar os moradores. É um fato”, ponderou.
Luiz Sacopã que tocava nas rodas de samba, disse que o evento tinha capacidade para até 180 pessoas e que não passava do horário permitido, 20h.
Após a proibição, o local passou a ser monitorado por uma patrulha da Polícia Militar 24h.
Link curto: http://brasileiros.com.br/iWicH

1993 - São acertados últimos detalhes dos Acordos de Oslo

Cinco semanas depois da assinatura, premiê israelense Yitzhak Rabin foi assassinado por extremista de direita
Esboçado em 20 de agosto de 1993, os Acordos de Oslo estabeleceram uma série de comprometimentos firmados entre o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o presidente da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) Yasser Arafat, tendo como mediador o presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.
O trato --  negociado secretamente na Noruega durante vários meses entre representantes israelenses e palestinos -- primeiramente foi assinado em Taba (na península do Sinai, Egipto) por Israel e OLP em 24 de setembro de 1995 e então quatro dias mais tarde em 28 de setembro de 1995.

Wikicommons

Rabin (à esquerda), aperta a mão de Arafat, observados por Clinton. Acordo foi fermentado em Oslo e assinado em 1995

Os acordos previam o término dos conflitos, a abertura das negociações sobre os territórios ocupados, a retirada de Israel do sul do Líbano e a questão do status de Jerusalém. Além disso, a recém criada Autoridade Nacional Palestina era reconhecida, enquanto esta reconheceu o direito de Israel de existir.

Foram criadas três territórios na região: uma A, sob controle civil e militar da ANP; B, a maior em termos de população, sob controle civil e militar israelense e uma C, sob controle total de Israel.
Jerusalém era reconhecida como a capital dos dois países, numa forma a ser ainda decidida no futuro. Cinco semanas depois da assinatura dos últimos acordos Rabin foi assassinado por um extremista de direita israelense. Os conservadores israelenses jamais se conformaram com ele, e Arafat também passou a ter dificuldades políticas para manter sua liderança entre os palestinos.

Ainda assim um novo esforço foi feito para implementar os acordos quando do governo trabalhista de Ehud Barak, mas sem sucesso. Barak e Arafat não entraram em acordo e o clima para tanto se desfez quando Ariel Sharon, num gesto provocativo, visitou a principal mesquita dos muçulmanos em Jerusalém, o que levou os palestinos a uma nova intifada, revolta sagrada.

As negociações, num clima de crescente deterioração e confronto, só seriam retomadas depois da morte de Arafat, e até hoje os acordos de Oslo, na prática, permanecem letra morta.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Há 25 anos começava o silencioso colapso da União Soviética

Em 19 de agosto de 1991, a linha dura do comunismo soviético tentou um golpe contra o reformista Mikhail Gorbatchov. Eles queriam impedir o colapso da União Soviética, mas alcançaram justamente o contrário.
Tanques na Praça Vermelha, em Moscou, durante a tentativa de golpe de Estado, em 19 de agosto de 1991
Em 1991, a União Soviética estava em queda livre. A produção industrial caía, o desemprego aumentava e uma inflação galopante devorava a poupança dos cidadãos. Conflitos étnicos irrompiam por todos os lados, e, na Geórgia e no Azerbaijão, manifestações oposicionistas haviam sido reprimidas com violência meses antes.
A Lituânia fora a primeira das repúblicas socialistas soviéticas a declarar sua independência, em março de 1990. Em janeiro de 1991, Moscou enviou um comando especial da KGB para Vilnius, e 14 pessoas morreram durante a invasão à torre da televisão local. A ação não conseguiu trazer o país de volta ao império soviético. O presidente Mikhail Gorbatchov perdia cada vez mais o controle sobre seu país.
Protesto pró-independência na Lituânia, em 1990
"A União Soviética poderia e deveria ter sido salva", diz Gorbatchov hoje. Na época, ele tentou criar uma espécie de "URSS 2.0", na qual as repúblicas tivessem mais autonomia. Em março de 1991, Gorbatchov convocou um referendo. Segundo dados oficiais, mais de 70% dos votantes foi favorável à "manutenção da União Soviética como uma federação renovada, formada por repúblicas soberanas e iguais em direitos".
Mas como deveria ser essa nova União Soviética? As negociações na residência Novo Ogariovo, de Gorbatchov, foram difíceis – apenas 9 das 15 repúblicas soviéticas participaram das reuniões. Mesmo assim os presidentes ainda conseguiram negociar um novo tratado para manter o país unido. A assinatura do acordo foi marcada para 20 de agosto de 1991, mas nunca aconteceu.
Tentativa de golpe
Um dia antes da data marcada para a assinatura do tratado, em 19 de agosto de 1991, aconteceu o que muitos no Ocidente temiam: um golpe contra Gorbatchov. Um grupo da linha dura comunista – do qual faziam parte o ministro da Defesa e o chefe do serviço secreto KGB – formou um "comitê para o estado de emergência". Os velhos comunistas desconfiavam das reformas de Gorbatchov. "Eles perceberam que não alcançariam nada pelos meios políticos tradicionais. E por isso decidiram-se pelo golpe", lembra Gorbatchov.
Com a justificativa de que Gorbatchov estaria doente, os conspiradores isolaram o chefe de Estado e sua família na residência de férias deles, na Crimeia, e cortaram todas as conexões com o mundo exterior. Foi declarado estado de emergência em toda a União Soviética, e tanques de guerra ocuparam as ruas de Moscou. Os autores do golpe diziam que queriam salvar a URSS de uma catástrofe.
Ieltsin pede que russos resistam ao golpe de Estado
Mas o golpe de Estado falhou. Agosto de 1991 foi o grande momento do recém-eleito presidente da Rússia, Boris Ieltsin, que se declarava adversário dos comunistas. Dezenas de milhares de pessoas reuniram-se em frente ao edifício Casa Branca, sede do governo Ieltsin em Moscou, para protestar contra o golpe. A manifestação foi pacífica, mas a situação era confusa. Três pessoas morreram durante a noite, quando um tanque de guerra passou pelo centro da cidade.
Depois de três dias, o estado de emergência foi revogado, e Gorbatchov, visivelmente abatido, retornou a Moscou no dia 22 de agosto. Os autores do golpe foram presos, alguns deles cometeram suicídio. O Partido Comunista foi proibido no dia 29.
A linha dura comunista pretendia salvar a União Soviética, mas o golpe acabou tendo um efeito catalisador entre as repúblicas. Ainda durante a situação de exceção, a Estônia declarou sua independência da União Soviética, seguida pela Ucrânia e logo por outras repúblicas. Gorbatchov tentava em vão fazer valer o novo tratado.
Três meses após o golpe, os presidentes da Rússia, da Ucrânia e de Belarus formaram a Comunidade de Estados Independentes (CEI). No dia 26 de dezembro de 1991, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi oficialmente dissolvida, e Gorbatchov renunciou.
Erro primário
Mais de duas décadas depois, o especialista em Leste Europeu Gerhard Simon, da Universidade de Colônia, na Alemanha, ainda considera "intrigante" que o colapso da URSS tenha se dado de forma tão rápida e relativamente não violenta.
"Uma potência mundial pode sair de cena dessa maneira, como no teatro, onde se desce a cortina e todos vão para casa?", questiona. Para ele, a força da União Soviética era superestimada. "Em relação às armas atômicas eles eram realmente fortes, mas, no que se refere ao poder econômico, a União Soviética nunca esteve em condições de competir com os Estados Unidos."
A concorrência entre o comunismo e o capitalismo teve papel central na queda da URSS, opina Simon. "O sistema soviético também foi à ruína porque existia o Ocidente, com uma economia melhor, mais liberdade, a fascinação pelo 'Ocidente dourado'". Milhões de cidadãos da União Soviética sonhavam com os produtos do mundo capitalista, como carros, sapatos ou cosméticos que eles não podiam ter, argumenta o especialista. "O 'maior erro' da propaganda e da ideologia soviéticas foi ter se comparado com o mundo capitalista desde o início. Eles colocaram a corda no próprio pescoço", diz Simon.
Ieltsin e Gorbatchov foram figuras centrais no fim da URSS
Ieltsin queria o fim da URSS
O especialista em Leste Europeu considera espantosa a situação no país central da União Soviética. "Na história internacional é muito raro isso, de grupos de sustentação do Estado – como a classe política russa – não quererem mais a União Soviética." Simon refere-se a Ieltsin, que teria tomado gosto pelo poder.
O então presidente havia impulsionado a soberania da Rússia e mais tarde ordenado que as autoridades soviéticas em Moscou não recebessem mais pagamentos. "Ieltsin queria acabar com a União Soviética – sobre isso não há a menor dúvida", afirma Simon.
Ieltsin teria, no entanto, agido de maneira pouco altruísta frente às outras repúblicas soviéticas, em 1991. O presidente russo pensava que Moscou conseguiria manter sua influência na CEI, diz Simon. O fato de as coisas terem sido diferentes mostra, diz o especialista, que Ieltsin – assim como Gorbatchov – não teria avaliado bem as consequências de seus atos.
  • Data 18.08.2016
  • Autoria Roman Goncharenko (ff)
  • Link permanente http://dw.com/p/12HBt