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sexta-feira, 25 de março de 2011

Hoje na História: 1911 - Incêndio em fábrica de roupas femininas mata 145 trabalhadores

25/03/2011 - 08:00 | Max Altman | São Paulo

Num dos mais sombrios momentos da história trabalhista e industrial dos Estados Unidos, a fábrica de trajes femininos Triângulo, da cidade de Nova York, é tomada pelo fogo em 25 de março de 1911 e mata 145 trabalhadores, a imensa maioria mulheres. A tragédia pressionou pela aprovação de uma série de leis e normas para melhor proteger a segurança dos operários das fábricas.

Corpos das mulheres que se atiraram do prédio

A fábrica Triângulo, de propriedade de Max Blanck e Isaac Harris, estava localizada nos últimos três pisos de um prédio de dez andares no centro de Manhattan. Era uma fábrica que explorava ao máximo as trabalhadoras e, ao mesmo tempo, um local muito apertado em que se alinhavam máquinas de costura, repleto de pobres trabalhadoras imigrantes, a maioria adolescentes e que não falavam inglês.

No momento do incêndio, havia quatro elevadores com acesso aos andares da fábrica, mas apenas um funcionava plenamente e só podia transportar 12 pessoas por vez. Havia também duas saídas pelas escadas, mas uma delas estava fechada do lado de fora para prevenir furtos dos próprios trabalhadores, e outra, que só dava acesso para dentro. A escada de fuga, muito mal construída, estava em precárias condições e somente poderia suportar o peso de poucas mulheres por vez.

Em 25 de março, num sábado à tarde, havia 600 trabalhadores na fábrica, quando o fogo irrompeu numa caixa de retalhos no oitavo andar. O gerente acionou a mangueira, mas ela estava podre e sua válvula enferrujada impossível de abrir. Seguiu-se um pânico generalizado, as mulheres em busca de qualquer saída. O elevador parou de funcionar depois de quatro viagens e elas começaram a se atirar pelo poço do elevador ao encontro da morte.

Aquelas que conseguiram escapar pela escadaria errada ficaram presas dentro e queimadas vivas. Outras, presas no oitavo andar, passaram a se jogar pelas janelas, o que criou um problema para os bombeiros cujas mangueiras eram esmagadas pelos corpos que caiam. Por outro lado, as escadas dos bombeiros só atingiam até o sétimo andar e suas redes de segurança não eram suficientemente fortes para receber os corpos em queda, que se lançavam amiúde até três por vez.

Blanck e Harris estavam no último andar com alguns trabalhadores quando o fogo irrompeu. Conseguiram escapar, escalando o telhado e de lá saltando para o prédio adjacente.

O fogo foi controlado em menos de uma hora, mas não sem antes matar 49 operárias e outras cerca de 100 empilhadas no poço do elevador ou na calçada da rua. A União das Trabalhadoras organizou uma marcha em 5 de abril para protestar contra as condições de trabalho e de segurança. A manifestação foi acompanhada por perto de 80 mil pessoas.

Blanck e Harris já tinham um histórico suspeito de incêndios em fábricas. Duas vezes em 1902, a Triângulo havia sido chamuscada pelo fogo, enquanto sua outra confecção de roupas femininas Diamante também queimou duas vezes, uma em 1907 e outra em 1910. Parecia que Blanck e Harris deliberadamente punham fogo em suas fábricas, antes do horário de expediente, a fim de receber os valores da apólice de seguros que haviam contratado, uma prática pouco comum nos inícios do século 20. Embora essa não tenha sido a causa do incêndio de 1911, contribuiu para a tragédia visto que os donos se recusaram a instalar o sistema de sprinkler, chuveiros para extinção de incêndio, nem adotar outras medidas de segurança.

Além desses atos delitivos, Blanck e Harris tinham uma notória postura anti-operária. Seus empregados recebiam míseros 15 dólares por semana, a despeito de trabalharem 12 horas por dia, todos os dias da semana. Quando a União Internacional de Trabalhadoras na Indústria de Confecção liderou uma greve em 1909, exigindo melhores salários e menor carga horária, a companhia de Blanck e Harris foi uma das poucas manufaturas a resistir, chamando a polícia para reprimir, levar à prisão as mulheres em greve e subornando políticos para virarem o rosto para a causa.

Embora Blanck e Harris tivessem sido processados por homicídio pelo incêncio de 25 de março, conseguiram sair impunes. A tragédia de que foram responsáveis obrigaram a cidade a adotar leis de proteção.

Fonte: Opera Mundi

Um comentário:

Mistugui disse...

Estarei participando do ato em honra às vítimas desse incendio no dia 25 de março em NY. Agora em 2012 é celebrado 101 anos da tragédia.
Faço pesquisa sobre o assunto. Caso tenham fotos, textos e qualquer outra informação, favor nos enviar por e-mail.
mistugui@hotmail.com