segunda-feira, 24 de setembro de 2012

1862 - Bismarck é nomeado governante da Prússia e inicia unificação alemã



Em 23 de setembro de 1862, o rei da Prússia, Guilherme I, afrontado por uma grave crise política, nomeia chefe de seu governo um homem de pulso, o conde Otto von Bismarck.
Os jornais liberais de Berlim só lhe davam poucos meses no poder. No entanto, iria governar o conjunto da Alemanha durante 28 anos e mudar a correlação de forças na cena europeia.
Principal Estado da Alemanha do Norte, a Prússia tinha aprovado uma constituição e formado um regime relativamente liberal em 1848, sob o reinado de Frederico-Guilherme IV da dinastia Hohenzollem. Afetado de demência em 1858, teve de confiar a regência a seu irmão mais moço, Frederico Guilherme, já com 60 anos, quem destitui o presidente do Conselho, Otto von Manteuffel, e tenta pôr fim às intrigas que paralisavam a ação governamental.

[Foto: da esquerda para a direita: Bismarck, Roon e Moltke, os três líderes prussianos nos anos 1860]
De resto, pretendia levar a Prússia ao proscênio europeu, reforçar seu exército, cuja inoperância ficara demonstrada quando das crises europeias de 1848, 1852 e 1859. A partir dos anos 1860, o regente prepara, apoiado pelo chefe do Estado-Maior Helmut von Moltke e pelo ministro da Guerra Albert von Roon, uma nova lei militar. Tratava-se de poder mobilizar 500 mil homens em caso de guerra em vez de apenas 150 mil.
Em 2 de janeiro de 1861, com a morte de seu irmão, o regente sobe ao trono com o nome de Guilherme I. Aferra-se ao seu projeto de lei militar porém encontra ferrenha oposição dos liberais que forçam a convocação de eleições legislativas para março de  1862. Os liberais denunciavam o custo do projeto – 4 milhões de thalers suplementares por ano – o que punha em risco o desenvolvimento econômico e privava a indústria de preciosa mão-de-obra.
O rei ameaça abdicar. Von Roon se assusta com a perspectiva de que isto levaria ao trono seu filho, que tinha a reputação de ser um liberal convicto. O ministro sugere então ao soberano o nome de Bismarck. O rei traz à baila o temperamento ardente do indicado e suas convicções rígidas quando era deputado ao Landtag e depois embaixador na Diete da Frankfurt (1851-1859), em São Petersburgo (1859-1862) e em maio de 1862, embaixador em Paris.
Bismarck passou anos acreditando poder ascender ao governo como Ministro das Relações Exteriores e mesmo como chefe de governo com o apoio de seu amigo von Roon. Todavia, o rei afastava a ideia por incompatibilidade de catráter com o impetuoso personagem.
Em 16 de setembro de 1862, Bismarck recebe em Paris de seu ministro do Exterior Bernstorff um telegrama cifrado informando que o rei o esperava com urgência em Berlim. Na manhã de 22 de setembro é introduzido no gabinete do monarca no castelo de Babelsberg, perto de Potsdam. 
Wikimedia CommonsO rei lhe mostra o ato de abdicação sobre a mesa e lhe diz: “Não quero mais reinar se não puder fazê-lo assumindo a responsabilidade diante de Deus, segundo minha consciência e diante de meus súditos. Não encontro nenhum ministro disposto a dirigir meu governo. Eis porque resolvi abdicar”.
A que Bismarck responde: “Desde maio manifestei-me pronto – Vossa Majestade sabe – a assumir a responsabilidade do poder”.
- O senhor está disposto a sustentar os projetos militares sem modificá-los ? 
- Sim, Majestade.
- Sob que condições ?
- Nenhuma.
- É meu dever, então, prosseguir em minha luta com o senhor. Por conseguinte, não abdico.
[A foto retrata a conversa acima entre o rei (esq.) e Bismarck (dir.)]
O conde Otto von Bismarck, 47 anos, é nomeado ministro de Estado e ministro-presidente, outrora intitulado chefe de governo.
Até a morte em 1888, Guilherme I iria manter sua confiança malgrado a incompatibilidade de gênio e as acaloradas discussões entre os dois. O próprio Bismarck deixaria o poder forçado e constrangido somente dois anos mais tarde, após 28 anos na chefia do governo, primeiro como ministro-presidente da Prússia, depois como chanceler do Império Alemão. A Prússia, a Alemanha e a Europa haviam sofrido profundas transformações.
Uma semana após a nomeação, em 30 de setembro de 1862, Bismarck manifestaria publicamente sua férrea vontade de unificar a Alemanha em torno da Prússia. Ao assistir a uma sessão parlamentar, pediu cortesmente a palavra para em seguida exclamar: “A Alemanha não está interessada no liberalismo da Prússia e sim de sua força (...) Após os tratados de Viena, nossas fronteiras não se mostram favoráveis ao desenvolvimento de nosso Estado. Não serão os discursos e os votos da maioria que irão resolver as grandes questões de nossa época, como em 1848 chegamos a acreditar. Essas questões serão resolvidas sim com ferro e sangue”.
As palavras tiveram enorme repercussão e indicavam que o país caminharia para a militarização e a guerra. Bismarck percebe que tinha ido longe demais e, às pressas, vai ao encontro do rei. Reúnem-se na pequena estação de Juterborg. Guilherme I lhe reserva uma acolhida glacial.
Contudo, após uma acesa discussão, a primeira de uma longa série, o monarca se deixa convencer pelos argumentos de seu ministro, que ganha carta branca para conduzir seus projetos : reforma militar, guerra contra a Áustria e depois contra a França, aompanhadas do cumprimento de um sonho, a unificação da Alemanha em torno da monarquia prussiana.
Fonte: Opera Mundi

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