domingo, 23 de setembro de 2012

1932 - É fundado o Reino da Arábia Saudita


O Reino da Arábia Saudita foi fundada pelo chefe de uma família beduína, Ibn Saud, em 22 de setembro de 1932, ao cabo de uma longa e sangrenta guerra fratricida, cujas vítimas foram estimadas em 200 mil em uma península povoada, na época, por apenas três milhões de habitantes.

Abd el Aziz III ibn Seud havia tomado o oásis de Riad em 1902 por meio de um golpe audacioso, proclamando-se depois emir de Nedjd e imã dos wahabistas. Em 5 de dezembro de 1924, ocupa Medina e expulsa de Meca o sheik Hussein, chefe da família dos hachemitas, que há muito reinavam sobre estas duas cidades santas.

Proclama-se rei em 22 de setembro de 1932, unificando sob sua autoridade a península arábica, com exceção do Iêmen e dos emirados do Golfo Pérsico.

Depois de sua morte, em 9 de novembro de 1953, seus filhos o sucederam. O tempo não apagou a desconfiança entre os Sauds e os hachemitas. Aos descendentes deste foi oferecido, como compensação pelos ingleses, um reino na Transjordânia, atualmente Jordânia.

Após o desaparecimento do califado em 1924, a conquista do poder em 1932 e a exploração das jazidas petrolíferas a partir de março de 1938, a família dos Sauds, apoiada pelo wahabismo (corrente religiosa majoritária entre os sunitas), ganha ainda mais poder graças ao pacto geoestratégico com os EUA, concluído a bordo do cruzador USS Quincy, em 14 de fevereiro de 1945, entre o rei Abdelaziz ben Abderrahman ben Faiçal al Saud e o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt.

Histórico

Wikicommons
A família cujo herdeiro era Ibn Saud viu seu destino mudar em meados do século XVIII quando seu chefe, Mohammed ibn Saud, se aliou com Wahab, fundador da seita muçulmana dos wahabistas.

Wahab prega o retorno ao Corão e aos “hadith” (os fatos e gestos do Profeta) da maneira mais estrita, descartando toda interpretação ulterior. Caçado em toda parte, encontra refúgio em Saud, de quem se torna genro.

Os Sauds impõem o wahabismo a seus súditos e desencadeiam uma guerra santa, longa e sangrenta, a fim de impô-lo também aos seus “irmãos árabes”.

O pós-guerra

Após a Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio surge mais dividido que nunca. No entanto, seus Estados gozam de quase completa independência. Mas a cobiça pelo petróleo leva os anglo-saxões ficarem sua presença em países como Iraque, Kuwait e Arábia Saudita.

Os Estados árabes refazem sua unidade na guerra contra Israel e em seguida se perguntam sobre o modelo de sociedade que lhes permitirá modernizar-se. No entanto, as últimas décadas do século XX, o termo “modernização” tornou-se, no mundo árabe, em especial na Arábia Saudita, sinônimo de arbitrariedade, nepotismo, corrupção e miséria, regressão no nível de vida da população, estagnação da atividade econômica, quase ausência de pesquisa científica ou de criação cultural.

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Encontro de aliados em 2005: o então presidente norte-americano George W.Bush e o príncipe Abdullah

Certos historiadores e sociólogos veem nesses fracassos a origem da maré crescente do radicalismo islâmico. E situam suas causas na política de pressão, guerra e apoio unilateral das potências ocidentais a Israel.

Diante desse cenário, as populações dão atenção crescente aos pregadores e líderes de facções, que à imagem da Irmandade Muçulmana, proclamam cada qual a seu modo : “O Islã é a solução !”. Pregam o retorno ao passado e rejeitam os valores do Ocidente quanto ao individualismo, consumação e laicidade. E apontam os ocidentais, assim como Israel, como os grandes responsáveis de seus infortúnios.
Novas forças que assumiram o poder neste período da denominada “Primavera Árabe”, por meio de  levantes e manifestações populares internas ou valendo-se da intervenção militar externa, reduziram suas críticas mordazes contra o Ocidente mas nada indica, por ora, que sejam capazes de construir uma sociedade democrática e progressista onde sunitas, xiitas, drusos, cristãos, wahabistas e judeus possam coabitar no mesmo espaço geográfico, embora respeitando suas diferenças.
Fonte: Opera Mundi

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