domingo, 30 de setembro de 2012

1941 - Milhares de judeus são executados em Babi Yar, na Ucrânia


Nos dias 29 e 30 de setembro de 1941, 33 mil judeus de todas as idades são assassinados num lugar da cidade de Kiev, na Ucrânia, conhecido como Babi Yar. Poucas batalhas na história atingiram tal número de mortos em apenas dois dias, nem mesmo as câmaras de gás de Auschwitz.
O drama ocorre dez dias após a entrada das tropas alemãs na Ucrânia soviética. A cidade contava então com 900 mil habitantes, entre os quais cerca de 120 mil judeus. Em 28 de setembro os judeus são convocados a Babi Yar, na véspera do Yom Kipur judaico, e ameaçados de execução em caso de desobediência.
São imediatamente conduzidos à beira do barranco em grupos de dez, obrigados a se despir e massacrados por metralhadora. Os que escaparam do primeiro massacre seriam, por sua vez, mortos e atirados numa vala comum no curso dos meses seguintes à matança. No total, mais de 90 mil pessoas morreriam em Babi Yar. O lugar, hoje povoado de árvores, tornou-se ponto de memória e recolhimento.
O massacre de Babi Yar é um dos crimes mais repugnantes cometidos pela SS, corpo de elite nazista. Na primavera de 1941, quando Hitler dá início à operação Barbarossa e lança a Wehrmacht rumo ao ataque da União Soviética, quatro destacamentos especiais da SS acompanham o exército alemão. Colocam em prática a “limpeza” da retaguarda para evitar que franco-atiradores abatessem seus soldados. Fuzilam preventivamente os comissários políticos do Partido Comunista e os judeus em idade de combate.
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Julgamento de 15 policiais alemães responsáveis pela região ocupada de Kiev.
Esses “agrupamentos móveis de intervenção” ou “Einsatzgruppen” simpatizantes nazistas e nacionalistas locais. Levam suas vítimas para fora dos burgos e das cidades, fezem-nos cavar uma vala, e à beira dela atiram uma bala na nuca.
A partir de agosto de 1941, com o estímulo tácito dos chefes da SS, Himmler e Heydrich, os Einsatzgruppen estendem sua ação contra as mulheres e crianças judias. Segundo os nazistas, tratava-se de nada menos que legítima defesa, pois os judeus seriam irremediavelmente hostis aos alemães. Era necessário exterminar também as crianças em caráter preventivo, para evitar que mais tarde se vingassem em nome de seus pais.
Os massacres, filmados e fotografados pelos próprios carrascos, são de dimensão apocalíptica. Os assassinos acabaram mergulhando no alcoolismo, na depressão e muitas vezes no suicídio.
Consciente deste inconveniente, o comandante de um Einsatzgruppen que havia participado anteriormente na Alemanha da eliminação por gás de deficientes mentais, sugeriu a extensão desse método aos judeus.
Durante o verão de 1941, um primeiro campo de extermínio utilizando gás de escapamento de caminhões é aberto em Chelmno, zona central do Governo Geral da Polônia. Os primeiros ensaios não foram conclusivos: os infelizes tardavam a morrer e a visão de seu sofrimento afetava mais os carrascos do que a bala na nuca. O sistema é modificado e, a partir do outono, vinte caminhões a gás funcionavam nas áreas tomadas dos soviéticos.
O extermínio (a palavra genocídio só seria empregada mais tarde) por esse método prosseguiu com tamanha intensidade ao ponto de um comandante do Einsatzgruppe, em dezembro de 1941, poder anunciar aos seus superiores que em três países bálticos já não havia mais judeus.
No final de 1941, de 300 a 400 mil judeus, homens, mulheres e crianças, já haviam sido eliminados de diversas maneiras. Para os chefes nazis, Himmler e Heydrich, tinha chegado o momento de acabar com o empirismo para passar à última fase, de dimensão industrial dos campos de extermínio. Seria a “solução final da questão judaica”.
As execuções em massa prosseguiram em paralelo na Polônia e na União Soviética. Elas somaram um total aproximado de um milhão e meio de vítimas, mobilizando no máximo três mil carrascos.

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