terça-feira, 18 de setembro de 2012

O que O Laçador e El Gaucho têm a dizer sobre os gaúchos

Mestrando do PPGH/UPF defende dissertação sobre representações de identidade do gaúcho

Foto: Carla Vailatti
Dissertação de Henrique Lima Pereira foi aprovada pela banca de professores
As esculturas têm capacidade de transmitir conhecimentos? O agora mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) Henrique Lima Pereira provou que sim, os monumentos podem auxiliar a compreender o passado e criar perspectivas para o futuro. Pereira defendeu a dissertação “Dueto em três vozes: discursos historiográficos e estéticos do gaúcho em O Laçador e El Gaucho Oriental” na tarde de terça-feira, 18 de setembro. O trabalho foi o de número 200 do PPGH e coincidentemente possui temática afim com os festejos farroupilhas, lembrados principalmente na semana que antecede o 20 de setembro.

Natural de Palmeira das Missões, Pereira relata que, antes de ingressar na graduação em História, teve ampla vivência no tradicionalismo por participar de CTGs. O aprofundamento dos estudos em história regional lhe trouxe uma nova perspectiva sobre a construção da identidade dos gaúchos, e no mestrado em História, essas questões ficaram mais definidas. Logo no início do curso, durante a disciplina de História, Arte e Sentido, o estudante interessou-se pelos inúmeros significados que alguns monumentos históricos carregam. “Refleti sobre duas obras que trazem o mesmo sujeito, o gaúcho. Por que uma delas, O Laçador, é símbolo do Rio Grande do Sul, e a outra, O Gaúcho Oriental, é desconhecida?”, questiona o autor do estudo.

De acordo com Pereira, O Laçador (1954), de Antônio Caringi, é uma forma de expressão estética com conteúdo historiográfico e imaginário rio-grandense. Por sua vez, o monumento El Gaucho Oriental (1935), de Federico Escalada, expressa um conteúdo vinculado às construções historiográficas imaginárias e de identidade uruguaias. A “terceira voz do dueto” proposto por Pereira cabe ao monumento equestre Bento Gonçalves (1936), também de Caringi, que, de acordo com o pesquisador, mantém relação temporal com ambas as obras.
O monumento Bento Gonçalves representa, conforme a pesquisa, “um típico representante da oligarquia rio-grandense do século XIX” e sustenta-se na “defesa do caráter brasileiro da Revolução e da exaltação aos republicanos”. O Laçador se mostra menos belicoso, condição que permite uma maior aproximação do observador rio-grandense ou brasileiro. “A obra conseguiu ir mais longe e penetrar profundamente no contexto social e cultural do estado”, explicou. O Gaúcho Oriental, presente do Uruguai pelo centenário da Revolução Farroupilha, apresentou uma identidade que não era estranha ao imaginário rio-grandense: o gaúcho, embora aquela forma e aquele conteúdo fossem avessos ao seu imaginário.

14 anos do PPGH/UPF
Após as considerações da banca, composta pelos professores Luiz Carlos Tau Golin (PPGH/UPF), César Guazzelli (UFRGS) e pelo orientador Gerson Luís Trombetta (UPF) e do anúncio da aprovação do mestrando, a coordenadora do PPGH Ana Luiza Setti Reckziegel agradeceu a todos que cooperaram com PPGH em seus 14 anos, quando chega à sua 200ª defesa de dissertação. “Foi a cooperação que manteve o programa, que nasceu um pouco corajoso, um pouco atrevido, visto termos sido o primeiro fora do eixo Porto Alegre-São Leopoldo em um tempo que havia pouco mais de 20 PPGHs no país”, relatou a coordenadora. Ana Luíza destacou alguns nomes fundamentais para o PPGH/UPF: os professores Tânia Rösign, Telisa Furlanetto Graeff, Neusa Rocha, Rosani Sgari Szilagy, Leonardo José Gil Barcellos, Fernando Camargo, Adelar Heinsfeld, a secretária do curso, Jênifer de Brum Palmeiras, e agradeceu também aos alunos e egressos do Programa.



Nenhum comentário: