terça-feira, 9 de outubro de 2012

1934 - Rei da Iugoslávia é morto na França e eleva tensão na Europa


O rei Alexandre I da Iugoslávia é assassinado em Marselha em 9 de outubro de 1934 por um terrorista croata. O ministro francês de Relações Exteriores, Louis Barthou, que tinha vindo recebê-lo ao descer do navio, acabou mortalmente ferido no atentado.

Esse drama revelava a debilidade da Iugoslávia e de outros Estados multinacionais criados com a decomposição da Áustria-Hungria e do império turco. Era o momento histórico em que se instalava em Berlim o regime belicoso de Hitler.

Louis Barthou, 72 anos, chegou ao “quai d'Orsay”, local onde fica e como é conhecido o ministério francês de Relações Exteriores, após os distúrbios de 6 de fevereiro de 1934, quando teve lugar uma manifestação antiparlamentar organizada por diversos grupos de direita e a Liga de extrema-direita, que logo se transformou em motim na praça da Concórdia. Com razão, se inquietava com a ascensão de Hitler ao poder.

Tendo em vista frear sua influência, ele tenta uma reaproximação entre a França e os pequenos estados da Europa Central. Visita o rei Carol da Romênia e depois estende um convite ao rei Alexandre I, que havia sucedido em 1921 a seu pai Pedro I  Karageorgévitch no trono da Iugoslávia.

Confrontado com as dissensões crescentes entre os sérvios, croatas e eslovenos, o jovem rei suspendeu as garantias da Constituição em 1929, forçando diversos opositores ao exílio. Entre eles o deputado croata Ante Pavelic, que funda em Roma um movimento terrorista, os “Oustachis” (insurgentes, em sérvio-croata) com o objetivo de lutar contra a hegemonia sérvia e o poder ditatorial do rei.

O rei Alexandre I chega a Marselha de navio, envolto numa atmosfera festiva. Às 16h, é recebido ao pé da passarela pelo ministro e, sob as câmeras de uma nuvem de jornalistas, sobem numa viatura a fim de depositar flores diante de um monumento patriótico, jantar na prefeitura para, por fim, tomar um trem em direção a Paris, onde os esperava o presidente do Conselho, Gaston Doumergue e o presidente da República Albert Lebrun, que havia sucedido a Paul Doumer, assassinado dois anos antes.
A viatura oficial se desloca a pequena velocidade pela Canebière, a principal artéria da cidade, em meio a uma multidão densa e entusiasmada. Não tinha andado mais de 300 metros quando um homem rompe a proteção policial, por sinal bastante escassa, e se joga sobre o automóvel gritando “Viva o rei!”.

Tomando a todos de surpresa, atira contra os passageiros. O rei, atingido por diversas balas, tomba sobre o banco. Fere igualmente um general que estava as suas costas na viatura. De pronto, instala-se uma confusão generalizada.

O assassino descarrega a arma em seu redor, atingindo diversas pessoas, antes dele mesmo ser atingido por múltiplas balas e o sabre de um oficial a cavalo. Os policiais da escolta, cedendo ao pânico, atiram em todas as direções. Muitas pessoas são alvejadas, dentre as quais quatro morreriam em decorrência dos ferimentos.

O rei agonizante é transportado a toda a velocidade à prefeitura onde chega morto. Ao mesmo tempo, seu anfitrião Louis Barthou, atingido por uma bala perdida, presumivelmente disparada por um policial, e por golpes de sabre, pôde ser conduzido por um policial a uma viatura da escolta e levado ao hospital. Tarde demais. Esvaindo-se em sangue, perde consciência e morre antes que os cirurgiões pudessem intervir.



O assassino, Petrus Kelemen, também conhecido por Vlado Tchernozemski, 37 anos, parecia ser um terrorista oustachi. Morre nos minutos que se seguem ao atentado. Todo a tragédia se desenrolou em menos de uma hora desde o acostamento do navio no cais dos belgas.

O atentado ao rei Alexandre I e a morte de Louis Barthou assestaram um golpe gravíssimo ao sistema de segurança coletiva consecutivo ao Tratado de Versalhes.

Wikimedia Commons
Momento em que o assassino salta em direção ao carro e atira contra os ocupantes

Pierre Laval, que sucedeu Barthou no ministério de Relações Exteriores, retoma por sua conta a ideia de uma segurança coletiva em relação à Alemanha. Viaja à Itália para se encontrar com Mussolini, depois a Moscou para se entrevistar com Joseph Stálin. A invasão da Etiópia pela Itália fascista iria colocar por terra sua iniciativa.

Fonte: Opera Mundi

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