quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

1870 - Morre o escritor francês Alexandre Dumas

Um dos mais conhecidos romancistas históricos da literatura ocidental, foi autor de obras como "Os Três Mosqueteiros" e "O Conde de Monte Cristo"


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Os três mosqueteiros, personagens de Alexandre Dumas

O afamado escritor Alexandre Dumas morre em 5 de dezembro de 1870 em Puys, na Normandia, norte da França. Três meses antes, um acidente vascular o deixou semi-paralisado e fez com que ele se instalasse na casa de campo de seu filho, onde acaba falecendo. Seus restos mortais foram transferidos para o Panteão de Paris em 30 de novembro de 2002, por ocasião do bicentenário de nascimento.

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Nascido em 24 de julho de 1802, era filho de Thomas Davy de la Pailleterie, conhecido como general Dumas, mulato de São Domingos e primeiro general de origem afro-antilhana do Exército francês. Seu filho, homônimo (1824-1895), também era escritor, cuja principal obra ‘‘A Dama das Camélias’’.Viveu até 1823 em Villers, indo morar  em Paris com 53 francos no bolso e o propósito de fugir da pobreza e das humilhações as quais ele e sua mãe sofreram após a morte de seu pai, quando ele tinha quatro anos.

Na capital, consegue um emprego de auxiliar de notário e descobre a Comédie Française. Inicia uma nova vida quando conhece um grande ator da época, Talma.

Um ano mais tarde, em 27 de julho de 1824, nasce seu filho Alexandre, fruto de sua relação com Laure Labay, costureira e vizinha de mesmo andar na praça des Italiens. A criança permanece ilegítima até que Dumas a reconhece em 17 de março de 1831, alguns dias após o nascimento de sua filha Marie-Alexandrine que teve com Belle Kreilssamer. Dumas casa-se em fevereiro de 1840 com a atriz Ida Ferrier e se instala com ela em Florença. Manteve numerosas outras relações e pelo menos duas outras crianças fora do casamento.

Nesse mesmo ano, Dumas se dedica ao vaudeville (comédia popular) ao lado de Leuven e produzem ‘‘A Caça e o Amor’’ que conhece um enorme êxito. Escreve seu primeiro drama histórico, ‘‘Henrique III e sua Corte’’ em 1828. É qualifiicado pela crítica de ‘‘escândalo em prosa’’, referência a Hernani, a peça tyeatral de Victor Hugo qualificada de ‘‘escândalo em verso’’. A peça representada na Comédie-Française acolhe um grande sucesso.

Próximo dos Românticos e voltado para o teatro, Dumas antes escreveu para vaudevilles de sucesso passando depois aos dramas históricos. Depois de ‘‘Henrique III e sua Corte’’, escreveu ‘‘A Torre de Nesle’’ (1832), ‘‘Kean’’ (1836). Autor prolífico, inclina-se para romances históricos folhetinescos, com a notória ajuda de Auguste Maquet, quem participou da maior parte dos afrescos históricos tais como a trilogia ‘‘Os Três Mosqueteiros’’ (1844), ‘‘Vinte Anos Depois’’ (1845) ; ‘‘O Visconde de Bragelonne’’ (1847), ou ainda ‘‘O Conde de Monte-Cristo’’ (1844 -1846) e ‘‘A Rainha Margot’’ (1845).

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Com os ingressos decorrentes dessas obras faz construir em 1846 seu próprio teatro, no Boulevard du Temple, que batizou como Teatro Histórico. A casa foi inaugurada em 1847 e montou peças de diversos dramaturgos europeus – Shakespeare, Goethe, Calderón, Schiller, antes de quebrar em 1850.

Arruinado, Dumas é obrigado a vender em leilão seu castelo que Honoré de Balzac admirava tanto. Chegou a ser perseguido por mais de 150 credores.

Dumas não deixaria jamais de se engajar politicamente : em 1852 se exila, como Victor Hugo, para protestar contra o golpe de Estado de Napoleão III e, em 1860, vende parte de seus bens para comprar armas para o exército de Giuseppe Garibaldi.

Testemunha a Batalha de Calatafimi que descreve em ‘‘Os Garibaldinos’’, publicado em 1861. Está ao lado de Garibaldi no dia de sua entrada em Nápoles. É nomeado Diretor dos Sítios Arqueológicos e dos Museus, função que exerce de 1861 a 1864, regressando em seguida a Paris.

Dumas não diminui sua produção literária. Fino gastrônomo, acaba publicando o Grande Dicionário da Cozinha.
Fonte: Opera Mundi

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