sábado, 1 de dezembro de 2012

1947 - Morre Aleister Crowley, a "besta" da magia britânica


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Serenamente segundo alguns, exultante segundo outros, falece aos 72 anos, no primeiro dia de dezembro de 1947, o místico britânico Aleister Crowley. Quatro dias depois, no crematório de Brighton, é realizada a cerimônia que ficou conhecida como "O Último Ritual", com a leitura de trechos da Missa Gnóstica, e de seu famoso Hino, a Pã.
Socialmente, Crowley ficou conhecido no mundo do rock’n roll dos anos 70 por meio de Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles, Black Sabbath, Ozzy Osbourne e Iron Maiden. No Brasil, impossível deixar de falar em Raul Seixas, um devoto da obra de Crowley, junto com Paulo Coelho, que posteriormente abandonou o caminho thelêmico. Ambos estiveram sob instrução de Frater Thor.
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Muita gente já ouviu falar da Besta 666, o Anticristo, Lúcifer, o Demônio e o mal vinculado a estas figuras. O que poucas pessoas sabem é que um homem se intitulou "A Besta 666". Pode nos vir à mente que se trata de um louco, um facínora, um celerado da pior espécie. Só que este homem, Crowley, se dizia o maior amigo da humanidade. A fortuna herdada gastou parte com livros que divulgavam sua filosofia, a Thelema, vinda dos dirigentes invisíveis da Terra, a Grande Fraternidade Branca. Outra parte foi gasta na criação de um centro de estudos de magia, na Sicília.
Nascido na Inglaterra, no seio de uma família de abastados cervejeiros, teve uma educação esmerada em Cambridge e pretendia seguir a carreira diplomática. Mas Crowley sonhou algo totalmente diferente. Seus interesses dirigiram-se para a magia, que se tornou o grande objetivo de vida.
Crowley vivia na Inglaterra Vitoriana, repleta de hipocrisias e falso moralismo. Era natural que seus objetivos, portanto, acabassem chocando-se com a sociedade da época. Foi taxado de pornográfico, depravado, drogado, satanista e mais uma infinidade de rótulos. Em 1904, aos 28 anos, Crowley atinge o ápice de sua carreira mágica. Casando-se com Rose Edith Kelly apenas 24 horas após se conhecerem, vai ao Cairo passar sua lua-de-mel.
Durante a estadia, Rose passa a ter contato espontâneo com uma entidade (Thoth) que diz querer contatar seu marido. Ela então recebe por meio de um ritual de invocação a divindade egípcia conhecida como Hórus, o deus da guerra, com cabeça de falcão.
Crowley recebe da entidade Aiwass um documento chamado o Livro da Lei. Este livro continha uma mensagem sobre o início de uma nova era, denominada Aeon de Hórus, na era de Aquário-Leão e de Thelema, uma nova lei para a humanidade. A mensagem era recheada de frases ininteligíveis, porém destacava-se a prioridade à liberdade do homem e a busca do caminho pessoal de cada um.
Durante sua viagem à China, em 1905, Crowley realiza a Magia Sagrada de Abramelin mentalmente, e atinge o objetivo central de todo o iniciado: o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, na esfera de Tiphareth.
Crowley sempre foi uma figura polêmica: expunha sua condição sexual sem temor, possuía uma necessidade de auto-divulgação muito grande e não hesitava em participar de escândalos. Um homem de excessos, porém direcionados.
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No ano de 1912 foi convidado pelo Grão Mestre Teodore Reuss a se filiar à Ordo Templi Orientis. Foi-lhe revelado então o segredo principal da ordem, o da magia sexual do grau IX. Após a morte de Reuss em 1925, Crowley assume a liderança do ramo britânico. Indo morar nos EUA durante a Primeira Guerra Mundial, publica o Volume III do The Equinox. Lá atinge a sephirah de Chokmah, assumindo o grau de Magus, em 1915, sob o motto A Grande Besta.
Em 1930 encontra-se com o poeta português Fernando Pessoa, que corrigira seu mapa astral. Pessoa, também interessado nos assuntos do ocultismo, ajuda numa simulação de suicídio de Crowley. Traduz algumas poesias da Besta.
Financeiramente, a década de 1930 proporcionou algumas atribulações à Crowley, que vai à falência. No entanto, continua publicando obras, como o Equinócio dos Deuses, Oito Lições de Yoga e seu Confessions.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi contatado por um amigo, agente da Coroa chamado Ian Fleming, o criador de James Bond, para ajudar no interrogatório de Rudolf Hess e fornecer a Winston Churchill informações sobre o pensamento supersticioso do inimigo. Dessa participação saiu o conhecido sinal do "V" da vitória, na verdade uma representação do símbolo da divindade Apophis-Typhon, um deus de destruição e aniquilação capaz de fazer frente às energias solares da suástica.
A herança de Aleister Crowley estende-se até hoje. É impossível estudar magia sem conhecer a obra da Besta. Atualmente, com o advento da internet, a cultura telêmica disseminou-se mais rapidamente angariando interessados. São inúmeras as ordens hoje que trabalham com o sistema em todo o mundo, principalmente baseados na estrutura da extinta O. T. O., refeita por Crowley.
Fonte: Opera Mundi

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