quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

1972 - Morre Harry Truman, o presidente que autorizou a bomba atômica



Harry Truman, 33º presidente dos Estados Unidos de abril de 1945 a janeiro de 1953, falece em Kansas City em 26 de dezembro de 1972, aos 88 anos. Vice-presidente do governo de Franklin Delano Roosevelt, chegou à presidencia em 12 de abril de 1945, quando o presidente morreu menos de três meses depois de começar o seu quarto mandato.

Durante a I Guerra Mundial, Truman foi oficial de artilharia, convertendo-se no único presidente dos EUA a ter participado desse conflito. Depois de ser sufragado comissário do condado em Missouri, seu Estado natal – nascera em 8 de maio de 1884 em Lamar – foi eleito senador pelo Partido Democrata.

Após ganhar proeminência nacional como chefe da Comissão Truman, substituiu o vice-presidente Henry Wallace como companheiro de chapa de Roosevelt nas eleições de novembro de 1944.

[Foto de 1950 mostra Truman assinando decreto de emergência nacional,
que autorizava entrada dos EUA na Guerra da Coreia
]

A reconversão desordenada do pós-guerra na economia dos Estados Unidos, marcada por grave escassez, numerosas greves e a aprovação da Lei do Trabalho e Manutenção, que só passou após a derrubada de seu veto. Desafiou todos os prognósticos ao vencer as eleições de 1948, ajudado por seu famoso Whistle Stop Tour (giro de paradas não programadas) – um estilo de campanha política em que o candidato faz uma série de breves discursos em inúmeras pequeñas localidades em curto espaço de tempo – pelas regiões rurais.

Valeu-se de ordens executivas para dar início ao proceso de desmobilização das forças armadas e criar controles de lealdade que expulsaram milhares de simpatizantes comunistas de seus cargos, apesar de se opor ao juramento formal de lealdade obrigatória dos funcionarios públicos.

A Presidência de Truman foi pontilhada de acontecimentos exteriores, com o fim da II Guerra Mundial, sua decisão de usar bombas atômicas contra o Japão, a Fundação das Nações Unidas, o Plano Marshall de reconstrução da Europa, a Doutrina Truman de contenção do comunismo e o começo da Guerra Fria. A Ponte Aérea de Berlim, a criação da OTAN, a Guerra Civil chinesa, a Guerra da Coreia. A corrupção, vinculada a certos membros do gabinete e altos funcionarios da Casa Branca, foi tema central nas eleições presidenciais de 1952 e fez com que Adlai Stevenson, candidato democrata, perdesse para o republicano Dwight Eisenhower.

Truman, cuja postura política era muito diferente da de Roosevelt, foi um presidente do tipo bonachão, sem grandes pretensões. Popularizou frases como "If you can't stand the heat, you better get out of the kitchen" (Se não pode suportar o calor, é melhor sair da cozinha). Superou as baixas expectativas dos observadores políticos que o comparavam com seu antecessor. Em distintos momentos de seu mandato teve baixíssimo nível de aprovação popular. Apesar da opinião negativa do público durante o mandato, a avaliação acadêmica e popular de sua Presidência viriam a ser mais positivas depois de sua retirada da política.

Quando em meados de 1945 tomou conhecimento do êxito das provas com a bomba atômica chegou a comentar reservadamente que “era a destruição maciça prevista na era da Mesopotâmia, depois de Noé e sua fabulosa arca”.

[Truman exibe, sorridente, erro na manchete do Chicago Tribune anunciando sua derrota para o republicano Thomas Dewey, o que não aconteceu]

Truman foi informado sobre o Projeto Manhattan pelo Secretário de Defesa, Henry Stimson, no dia em que Roosevelt morreu, depois de sua primeira reunião de gabinete. Enquanto estava na Europa participando da Conferência de Potsdam, ele se inteirou da notícia de que a Prova Trinity, a primeira das bombas atômicas, havia sido um sucesso. Lançou uma indireta a Joseph Stálin de que os Estados Unidos estavam a ponto de utilizar um novo tipo de arma contra os japoneses, sem entrar em maiores detalhes. Em agosto de 1945, depois do Japão ter rechaçado a Declaração de Potsdam, Truman autorizou o emprego de armas atômicas contra o país.

Na manhã de 6 de agosto de 1945, às 8h15, o bombardeiro B-29 Enola Gay deixa cair uma bomba atómica chamada de “Little Boy” sobre a cidade de Hiroshima. Dois dias mais tarde, ao não ter recebido resposta do governo do Japão, os militares estadunidenses prosseguiram com os planos de lançar um segundo artefato. Em 9 de agosto, Nagasaki também foi devastada pelo cogumelo nuclear, a “Fat Man”, lançada pelo bombardeiro B-29 Bockscar. As bombas mataram cerca de 140 mil pessoas em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sendo aproximadamente a metade delas ocorrida nos exatos dias do bombardeio. Truman recebeu a noticia das operações quando viajava a bordo do cruzador USS Augusta (CA-31) em seu camino de regresso a Washington depois do encerramento da Conferência de Potsdam, em que se reuniu com Churchill e Stálin.

A dura condenação ao bombardeio atômico sobre Hiroshima e Nagasaki foi universal. A derrota militar do Império do Sol Nascente já estaba absolutamente clara. Entretanto, os partidarios da decisão de Truman de usar a bomba atômica argumentavam que salvou centenas de milhares de vidas que inevitavelmente ocorreriam se tivessem de invadir o arquipélago japonês. Em 1954, Eleanor Roosevelt disse que Truman "tomou a única decisão que podia” e que o emprego da bomba era necessário “para evitar o tremendo sacrifício de vidas norte-americanas.” Porém muitos cientistas, militares, políticos, artistas, dentro e fora dos Estados Unidos, defenderam o ponto de vista que o uso da bomba atômica era rigorosamente desnecessário e intrinsecamente imoral.

O próprio Truman escreveu depois de deixar a Presidencia: “Sabia o que estaba fazendo quando detive a guerra … não me arrependo e , sob as mesmas circunstâncias, voltaria a fazê-lo”.
Fonte: Opera Mundi

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