segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Comunistas pedem que cidade russa volte a se chamar Stalingrado



Figura de Joseph Stalin gera sentimentos divergentes entre a população russa

O líder comunista da Rússia, Gennady Zyuganov, solicitou que a cidade de Volgogrado volte a se chamar Stalingrado, em homenagem a Josef Stalin, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética entre 1922 e 1953.

Zyuganov acredita que é importante devolver o nome soviético da cidade para comemorar os 70 anos da batalha mais sangrenta da Segunda Guerra Mundial, a Batalha de Stalingrando. “Estou confiante de que a justiça prevalecerá. Há ruas, parques e avenidas com o nome Stalingrado em quase todas as cidades do mundo. É justo dar a Volgogrado o seu nome verdadeiro”, explicou o líder comunista em uma conferência em Moscou sobre a Segunda Guerra.

A figura de Stalin não é consenso nem dentro nem fora da Rússia. Em uma pesquisa do Instituto Levada de 2008, quase metade dos russos demonstraram uma visão positiva de Stalin e defenderam a restauração de monumentos destruídos durante a dissolução da União Soviética.

De acordo com o Levada, a popularidade de Stalin triplicou nos últimos 20 anos e a tendência se acelerou desde que Vladimir Putin chegou ao poder. Segundo o vice-diretor do Instituto de História da Rússia de Moscou, Vladimir Lavrov, pelo menos dez estátuas de Stalin foram erguidas no país nos últimos anos.

Em 2007, o presidente Vladimir Putin organizou uma conferência para professores de História e divulgou um manual “que estimula um sentido de orgulho entre a juventude russa”, alegando ainda que os expurgos stalinistas foram “pequenos em comparação às bombas atômicas jogadas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki”.

Segundo a organização russa de direitos humanos Memorial, “Stalin está sendo colocado nos livros de História como alguém cruel, mas ao mesmo tempo como um líder de sucesso que agiu racionalmente”. A organização critica esse revisionismo histórico da Rússia e diz que as mortes são “injustificáveis”.

As polêmicas envolvendo a figura de Stalin são constantes no país. Em 2010, um grupo de ativistas de São Petersburgo lançou uma campanha chamada “Ônibus da Vitória” e colocou imagens de Stalin no transporte público da cidade na semana do dia 9 de maio, quando a Rússia celebra a vitória contra a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Outras 40 cidades seguiram o exemplo de São Petersburgo, gerando grande controvérsia.
No mesmo ano, o prefeito de Moscou, Iúri Lujkov, levantou uma polêmica por ter colocado pôsteres de Stalin na capital russa em agradecimento à vitória contra o nazismo de Hitler. Segundo Lujkov, “o mundo tem uma dívida com Stalin”.

Wikicommons
Imagem se soldados soviéticos durante a batalha de Stalingrado

“Se não fosse Stalin, nós ainda seríamos um país agrário. Viramos uma potência mundial graças a ele. Claro que houve problemas na administração, mas isso acontece em todos os governos. Sem Stalin, teríamos regimes como o da Alemanha nazista em vários países”, justifica o jovem comunista Igor Shushlov. “Eu acho uma aberração esta tentativa de suavizar o que foi feito por Stalin. Ele matou 20 milhões de russos. Esse é o preço do nosso pseudo-desenvolvimento”, explica a estudante universitária Maria Lushkina.

Em 2009, Moscou financiou a restauração da estação de metrô Kurskaya, decorado com frases de Stalin, gerando um caloroso debate público. A restauração foi mantida e finalizada.

A cidade de Volgogrado, no sul da Rússia, se chamava primeiramente Tsaritsin e foi rebatizada como Stalingrado em 1925. Em 1961, sob a ordem de Nikita Krushchov, como parte do plano de desestalinização, a cidade passou a se chamar Volgogrado, em referência ao rio Volga, que corta a cidade.

No início deste ano, um caderno escolar com a foto de Stalin esgotou rapidamente e reacendeu o debate sobre a importância de Stalin na consciência coletiva da Rússia.

Fonte: Opera Mundi

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