sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

1926 - Metropolis, de Fritz Lang, estreia em Berlim


Em 11 de janeiro de 1926 estreia nas telas de Berlim o filme Metropolis, de Fritz Lang. Com duração de 3 horas e meia em sua primeira versão, o filme é logo consagrado como obra-prima do cinema expressionista alemão.

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Apresenta uma sociedade industrial dividida entre senhores e escravos e apela à reconciliação de classes sob a égide do Senhor. Nele se descobriu a posteriori uma premonição do nazismo.

As referências religiosas e bíblicas são numerosas. Há uma dúvida se uma estrela fixada sobre a porta do sábio louco poderia ser o protótipo do judeu perverso.

Metropolis é governada pelo poderoso industrial Joh Fredersen. Observa de seu gabinete na Torre de Babel um mundo moderno, altamente tecnicizado. Ao lado de filhos dos trabalhadores, uma jovem mulher chamada Maria chega aos Jardins Eternos onde os filhos da elite da cidade se divertem e onde encontra Freder, filho de Joh Fredersen.

Quando o jovem, mais tarde, vai em busca da moça, testemunha uma explosão na casa de máquinas e numerosos trabalhadores perdem a vida. Ele então se dá conta que o luxo ostentado pela classe alta se baseia na exploração do proletariado. Nas Catacumbas, sob a Cidade dos Trabalhadores, Freder finalmente encontra Maria, quem oferece aos trabalhadores esperança com suas profecias de um melhor futuro.

O pai de Freder toma conhecimento da influência de Maria sobre o proletariado e teme pelo seu poder. Na casa do inventor Rotwang, Fredersen toma conhecimento de suas experiências para criar um andróide, um robô antropomorfo a semelhança de Hel, a falecida esposa de Joh. Fredersen ordena que Rotwang dê ao robô o rosto de Maria a fim de enviá-lo aos subterrâneos da cidade para enganar e semear a cizânia entre os seus habitantes.
Após a criação bem-sucedida do robô Maria, uma catástrofe acontece. Os trabalhadores descontrolados destroem a Máquina Coração e, como resultado, a Cidade dos Trabalhadores, onde só restam as crianças, é invadida por tremenda inundação. A verdadeira Maria, junto com Freder, leva as crianças a lugar seguro.

Quando tomam conhecimento do desastre, as massas rebeladas param. Sua raiva se volta contra o robô Maria que é capturado e queimado na fogueira. Ao mesmo tempo,  Rotwang, levado pela loucura, persegue a genuína Maria pelos telhados da Catedral, de onde finalmente cai e morre. Freder e Maria encontram-se novamente. O filho dedica-se ao pai, servindo de intermediário entre ele e os trabalhadores. Como consequência, a profecia de Maria quanto à reconciliação entre o chefe e os dominados acaba prevalecendo, com a ajuda do coração mediador.

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Em março de 1927, o estúdio Paramount cortou para valer o filme, reduzindo-o em uma quarta parte e até mesmo mudando os nomes dos personagens. Seguindo o exemplo da Paramount, a UFA alemã retirou o filme e, em 26 de agosto, o reapresentou com um corte ainda maior, cerca de um quarto do original de Lang.

Acreditou-se que a parte cortada dos filmes havia sido irremediavelmente perdida. No entanto, uma das mais marcantes descobertas em toda a história do cinema veio à luz quando rolos empoeirados foram achados em um pequeno museu em Buenos Aires em 2008.

A partir de então, uma equipe especializada de altamente respeitados arquivistas passou a trabalhar no Friedrich-Wilhelm-Murnau-Stiftung, na Alemanha, a fim de meticulosamente reconstruir e restaurar o filme de Lang. O resultado, exibido em sessão especial do Festival Cinematográfico Internacional de Berlim em fevereiro de 2010, recebeu da plateia uma entusiástica ovação.

No final de sua vida, interrogado por um jornalista sobre o Metropolis, o próprio Lang perguntou: “Por que você está tão interessado num filme que já não existe mais?” Reconstruído e restaurado o filme do grande diretor passou a “existir” novamente.

Lang nasceu em Viena em 1890 e morreu em Los Angeles, em 1976. Prestou serviço militar na Primeira Guerra Mundial, alcançou extraordinária fama nos anos 1920 na Alemanha, escapou dos nazistas e viveu um período de reinvenção como imigrante em Hollywood.

Além de Metropolis, produziu uma série de clássicos como O Vampiro de Dusseldorf, Testamento do Dr. Mabuse, Os Corruptos e Acima de Qualquer Suspeita.

Fonte: Opera Mundi

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