domingo, 20 de janeiro de 2013

1981 - 52 reféns são libertados na embaixada dos EUA no Irã



As 52 pessoas libertadas no Irã chegaram aos Estados Unidos ainda em janeiro de 1981

Minutos após a posse de Ronald Reagan como o 40º presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 1981, as 52 pessoas detidas na embaixada norte-americana em Teerã são libertados, pondo-se fim à Crise dos Reféns do Irã, que durou exatos 444 dias.

Em 4 de novembro de 1979, começa a crise quando estudantes iranianos, militantes que apoiavam a Revolução Islâmica, indignados pelo fato do governo dos Estados Unidos ter permitido que o deposto xá do Irã viajasse a Nova York para tratamento de saúde, tomaram a embaixada de Washington.

O aiatolá Khomeini, líder politico e religioso do Irã, assumiu o controle da situação, rejeitando todos os apelos pela libertação dos reféns, mesmo após o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter exigido, por votação unânime, o fim da crise.

Porém, duas semanas após o assalto à embaixada, o aiatolá começou a libertar todos os reféns não-americanos, além de todas as mulheres e membros das minorias norte-americanas, citando essas pessoas entre aquelas oprimidas pelo governo dos Estados Unidos. Os 52 cativos restantes permaneceram à mercê do aiatolá pelos 14 meses subsequentes.

O presidente Jimmy Carter havia se mostrado incapaz de resolver a crise diplomaticamente e, em 24 de abril de 1980, ordenou uma desastrosa missão de resgate. O episódio chegou ao auge quando, após tentativas fracassadas de negociar a libertação, os militares dos Estados Unidos tentaram implementar a Operação Eagle Claw, que resultou em uma missão fracassada, a destruição de duas aeronaves e a morte de oito soldados norte-americanos e um civil iraniano, sem  que nenhum refém fosse resgatado.

Três meses mais tarde, o ex-xá Rezah Pahlevi morre de câncer no Egito, mas isso não terminou com a crise.

Em novembro de 1980, Carter perde as eleições presidenciais para o republicano Ronald Reagan. Pouco depois, com a assistência de intermediários argelinos, têm início as negociações bem-sucedidas entre os Estados Unidos e o Irã. Elas terminaram com a assinatura dos Acordos de Argel, na Argélia, em 19 de janeiro de 1981.

Os reféns foram formalmente libertados sob custódia dos Estados Unidos no dia seguinte, poucos minutos após o novo presidente Ronald Reagan ser empossado.

No dia da posse de Reagan, os Estados Unidos liberaram perto de 8 bilhões de dólares dos ativos congelados do Irã e os reféns foram libertados após 444 dias. No dia seguinte, Carter voou até a Alemanha Ocidental a fim de saudar os prisioneiros em seu caminho de volta para casa.

Wikicommons
Crise dos Reféns do Irã gerou inúmeros protestos no território norte-americano

A crise tem sido descrita pelos historiadores como um emaranhado de "vingança e incompreensão mútua". No Irã, a tomada de reféns foi amplamente vista como um golpe contra os Estados Unidos e sua influência no Irã.

O xá Pahlevi havia sido reconduzido ao poder por um golpe de Estado no ano de 1953, organizado pela CIA, contra um governo nacionalista iraniano de Mohamad Mossadegh, democraticamente eleito. Nos Estados Unidos, a tomada de reféns foi vista como uma afronta, violando um princípio secular do direito internacional, que concede aos diplomatas a imunidade diplomática e à sede e aos bens da embaixada a sua total inviolabilidade.

A crise também tem sido descrita como o "episódio crucial" na história das relações entre s dois países. Nos Estados Unidos, analistas políticos acreditam que a crise foi um dos principais motivos para a derrota de Jimmy Carter nas eleições presidenciais de 1980.

No Irã, a crise reforçou o prestígio do aiatolá Khomeini e do poder político daqueles que apoiaram a teocracia e se opuseram a qualquer normalização das relações com o Ocidente. O fato também marcou o início das sanções econômicas contra o Irã, o que endureceu ainda mais as relações bilaterais.

Fonte: Opera Mundi

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