segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

1997: Assinada declaração que normalizava relações teuto-tchecas


Mais de 50 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Alemanha e República Tcheca assinam um tratado que restabelece oficialmente as relações entre os dois países, que estiveram em posições opostas no conflito.
Havel discursou perante o Parlamento alemão logo após assinatura da declaração
Somente meio século após o final Segunda Guerra Mundial, o relacionamento entre a Alemanha e a República Tcheca voltou a ser normalizado. Várias tentativas foram necessárias nesse processo de superação de ódios e animosidades até ser assinada, em Praga, em 21 de janeiro de 1997, a Declaração Teuto-Tcheca.
A declaração neutralizava o Tratado de Munique, de 1938, que tanto sofrimento trouxera aos habitantes da antiga Tchecoslováquia e que levara temporariamente à dissolução do Estado, legitimando a criação, pelos nazistas, do Protetorado da Boêmia e Morávia. Injustiça e crueldade foram as suas consequências.
O perdão de ambos os lados
Por outro lado, a declaração também deveria reconhecer que a expulsão dos alemães dos Sudetos (região tcheca de população alemã), a desapropriação de seus bens e sua expatriação foram igualmente injustiças, que atingiram principalmente pessoas inocentes.
Houve abusos e injustiças de ambos os lados, o que de forma alguma diminui a barbárie dos crimes nazistas. Através de seus líderes políticos, ambos os países lamentaram o que aconteceu e pediram perdão.
Quem abriu caminho para a reconciliação foram os presidentes alemães Richard von Weizsäcker e Roman Herzog e principalmente o então presidente tcheco, o escritor Vaclav Havel. Foram eles que empreenderam várias tentativas de superar as diferenças, apagar o ódio e construir pontes de compreensão e aceitação mútua.
Resistência nos dois países
Em morosas negociações, os ministros do Exterior fixaram os termos da declaração em meados da década de 90, superando as inúmeras resistências que se manifestaram tanto na Alemanha como na República Tcheca. As objeções das organizações que agrupam os alemães dos Sudetos não foram totalmente eliminadas, mas ao menos sua resistência perdeu o caráter militante que tinha antes. Do lado tcheco também silenciaram as forças antirreconciliação de esquerda e direita, que várias vezes impediram, no último momento, a assinatura do documento.
O então chanceler federal alemão, Helmut Kohl, considerou a declaração um grande passo. "Nossa declaração conjunta ajudará a romper o círculo vicioso de atribuição mútua de culpa e ajuste de contas", afirmou por ocasião da sua assinatura.
Da mesma forma se manifestou o presidente Roman Herzog: "A declaração não deixa margem para se voltar ao passado, ela é um manifesto do futuro". Foi pensando nesse futuro que ambos os países criaram uma fundação, dotada com mais de 80 milhões de euros. Com o objetivo de fomentar contatos e relações, ela já realizou uma série de eventos memoráveis.
Havel e o novo conceito de pátria
Um dos principais momentos nas relações teuto-tchecas foi a visita de Estado do presidente Vaclav Havel em Bonn, em abril de 1997, pelo ensejo da declaração. Ele discursou perante o Parlamento alemão pela primeira vez e a bancada dos partidos conservadores, União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), que sempre defenderam os interesses dos alemães dos Sudetos, depois questionou se foi sensato não haver comparecido em peso para presenciá-lo.
Havel fez um discurso voltado para o futuro, mas recorreu à história da Europa para dar uma nova interpretação ao antigo termo germânico "Haima", do qual se derivou o atual "Heimat", pátria. Ele teria um sentido universal, não se limitando às redondezas imediatas.
"A pátria", segundo ele, não teria uma estrutura fechada em si, mas aberta, despertando curiosidade e vontade de conhecer o desconhecido. Ao mesmo tempo, despertaria compreensão para o misterioso. Com seu simples reconhecimento de que a Europa deve ser a pátria das pátrias, o presidente Vaclav Havel atingiu o cerne do que foi objeto de disputas durante tanto tempo.
  • Autoria Gerd Müller-Gerbes (ns)
  • Fonte: DW

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