quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

1918 - Morre pintor austríaco Gustav Klimt


Wikimedia Commons
Gustav Klimt, pintor austríaco, associado ao simbolismo, destacando-se dentro do movimento Art Nouveau austríaco, morre em 6 de fevereiro de 1918 de apoplexia, poucos meses antes do colapso do Império Austro-Húngaro. Foi enterrado no Cemitério de Hietzing, em Viena. Deixou uma série de obras inacabadas, entre elas "Adão e Eva", "O retrato de Johanna Staude" e "A Noiva".

Klimt foi também um dos fundadores em 1897 do movimento da Sezession Wiener (Secessão de Viena), cujo objetivo era o de se contrapor à Casa dos Artistas, tradicional instituição conservadora, dona da única sala de exposições importante da capital do império. Em represália, a Casa decidiu não expor obras de artistas que aderiram ao movimento. Acima de tudo, a iniciativa era um protesto contra as normas tradicionais.

O pintor foi igualmente membro honorário das universidades de Munique e Viena. Seus maiores trabalhos incluem pinturas, murais, esboços e outros objetos de arte, muitos dos quais estão em exposição na Galeria da Secessão de Viena.

O quadro abaixo – As Três Idades da Mulher (1905) - é um tetemunho da Art Nouveau – em alemão Jugendstil (estilo jovem) – que se espalhou por toda a Europa da "Belle Époque".

   Reprodução
Esta expressão foi inventada pelos franceses dos anos 1920 para qualificar com certo vislumbre de nostalgia o período de uma vintena de anos que precedeu a I Guerra Mundial. Teria merecido este nome? Sem qualquer dúvida caso se se leve em conta a efervescência artística, intelectual e científica que agitou o país e, em proporções distintas, o restante da Europa.

As duas capitais que melhor ilustram a ‘‘Belle Époque’’, sua crença no progresso e no amor à vida, foram Paris e Viena. Uma geração antes, as duas haviam sido humilhadas por exércitos prussianos.

A construção em 1892 do hotel Tassel em Bruxelas, uma obra do arquiteto belga Victor Horta, inaugura a ‘‘Art Nouveau’’: emprego do vidro, de aço e materias diversos coloridos, volutas e linhas curvas, decoração vegetal. Pouco depois, em 1894, a "Art Nouveau" chega à pintura por intermédio do artista gravador tcheco Alfons Mucha, estabelecido em Paris.

O estilo iria desde então se difundir rapidamente em toda a Europa. Em Paris, seduziria numerosos artistas como o arquiteto Hector Guimard, célebre por obras nas entradas do metrô; em Nancy, com o marceneiro Louis Majorelle e seus alunos; em Barcelona, Antonio Gaudi, o construtor de "A Sagrada Família"; em Viena, o pintor Gustav Klimt.
Poderia se dizer que a derrota militar, por ter confinado durante certo tempo grandes populações a viver em função da guerra, as levaria a se voltar para as obras do espírito? Já se havia historicamente observado esse fenômeno com os Tratados de Vestfália em 1648, que, privando os alemães de toda a ambição política durante um 150 anos, deixaram espaço livre para Bach e Beethoven.

Trajetória

Pintor da beleza feminina, Klimt nasceu perto de Viena em 14 de julho de 1862 na família de um cinzelador de metais preciosos. Ingressa na Escola de Artes Decorativas e se faz conhecer, depois de formado, como decorador. Aos 26 anos, recebe do imperador Francisco-José I a Medalha de Ouro do Mérito Artístico.

Filia-se à Associação dos Artistas em Artes Plásticas -Künstlerhaus Genossenschaft. Em 1895, abre seu próprio ateliê de pintura, abraçando o impressionismo como estilo. No mesmo ano, em Viena, o arquiteto Otto Wagner publica seu manifesto Moderne Architektur.Simultaneamente, Sigmund Freud lança Projeto para uma Psicologia Científica. O mundo da arte e da ciência estava em transformação e era em Viena que tudo se passava.

Em 3 de abril de 1897, 40 artistas da Künstlerhaus deixam a associação e fundam um movimento rebelde, justificadamente chamado de Secessão. Klimt torna-se seu presidente. É o nascimento da Jugendstil. No mesmo ano, Gustav Mahler comanda sua própria revolução à frente da Ópera de Viena.

Reprodução - O Beijo (1907-1908)


Em 1901, Klimt pinta uma de suas obras-primas, Judith, ume figura bíblica com um toque moderno. Em 1902, quando da 14ª Exposição da Secessão, pinta um afresco espetacular, conhecido como Afresco Beethoven, em homenagem ao genial compositor.

Custou para que reconhecessem o estilo inédito e pleno de frescor de Klimt, em que as formas oníricas e os símbolos pairavam acima do realismo. O artista multiplica desde então as obras pictóricas e decorativas. Iria decorar tambémo Palácio Stoclet em Bruxelas, construído pelo arquiteto Josef Hoffman.

As vésperas da Grande Guerra de 1914-1918, obtém um estrondoso reconhecimento internacional.

Morre em Viena em 6 de fevereiro de 1918, alguns meses antes de seus amigos, o arquiteto Otto Wagner e o pintor Egon Schiele.

No mesmo ano, desaparece, em decorrência da tormenta bélica e política, a Viena feliz dos Habsburgos.

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