sábado, 16 de fevereiro de 2013

1937: Obtida a patente do náilon


Em 16 de fevereiro de 1937, o gigante norte-americano da química Du Pont registrou a patente de uma fibra produzida em seus laboratórios.
Wallace Hume Carothers, o inventor do fio de náilon
O objetivo do descobridor do náilon não foi desenvolver um novo produto. Segundo os historiadores da Du Pont, ele pretendia muito mais descobrir o funcionamento das ligações químicas na nova substância. O norte-americano Wallace Hume Carothers trabalhava no setor de polimerização da superfábrica da Du Pont em Delaware, nos EUA.
Sua intenção era descobrir por que determinadas moléculas se agrupavam formando fibras e outras não. Por isso, foi praticamente um acaso o desenvolvimento de um polímero que permitia ser esticado em longos fios maleáveis. O novo material foi chamado náilon (nylon) e introduziu a era das fibras sintéticas.
O fio sintético é um xarope espesso, formado por longos fios lustrosos e elásticos como os da seda e celulose, que se solidificam ao esfriar. Essa era a aparência da primeira fibra sintética, produzida no início da década de 1930 nos laboratórios da Du Pont de Nemours, em Delaware.
A evolução da fibra
A fibra não era útil comercialmente, pois quebrava facilmente e se solidificava a temperaturas muito baixas. Mas serviu de partida para milhares de combinações químicas que produziram outras tantas amostras de fios até se chegar àquela de maior aplicação prática, o náilon.
Em 1937, a Du Pont selecionou o náilon para a fabricação em larga escala. A partir de então, o fio invisível, resistente e durável, desencadeou uma revolução. Das meias à lingerie, passou a ser sinônimo de moda feminina. Também era presença obrigatória nas escovas de dentes, linhas de pesca, pára-quedas, tapetes e suturas cirúrgicas. Os tecidos sintéticos são descendentes diretos do plástico, substância descoberta em 1875 pelo químico alemão Adolf von Bayer.
Meias de nylon
Dois líderes da indústria química na Europa e nos Estados Unidos apostaram na pesquisa dos polímeros: em 1927, a I.G. Farben, na Alemanha, contratou 27 cientistas que aprenderam tanto sobre a estrutura das moléculas que se deram o luxo de planejar cada passo do processo de descoberta de novos plásticos, como o poliestireno. Um ano depois, a Du Pont de Nemours contratou como chefe de seu laboratório Wallace Hume Carothers, um jovem professor de química orgânica.
Carothers, na época com 32 anos, era conhecido nos meios científicos americanos por suas investigações sobre as ligações químicas das moléculas orgânicas. Ele percebeu que os fios produzidos em 1933 no laboratório por um de seus colaboradores eram, na verdade, as moléculas esticadas de polímeros, semelhantes às da seda e da celulose. O cientista não chegou a usufruir o sucesso de sua invenção.
Vítima de depressão nervosa, Carothers suicidou-se em abril de 1937, dois dias depois de completar 41 anos de idade. A Du Pont, entretanto, popularizou o produto, instituindo um concurso que, a partir das sugestões do público, levou o nome "nylon".
Mil e uma utilidades
Em 1939, a meia de náilon apresentada na Exposição Mundial em Nova York foi sucesso absoluto. Durante a Segunda Guerra Mundial, o náilon foi usado na produção de paraquedas, suturas cirúrgicas e mortalhas. Depois do conflito, as meias voltaram às lojas. Na Europa, elas chegaram com os chicletes e chocolates dos soldados americanos e logo tornaram-se mercadoria valorizada no mercado negro.
A Du Pont não deu mais conta do mercado: à medida que se tornaram conhecidas mais aplicações das fibras sintéticas, as fábricas foram se espalhando pelo mundo. O fio foi misturado a outras fibras e desenvolvidos novos tecidos (jérsei, fibra acrílica, tergal, poliéster, lastex, lycra), com aplicações em praticamente todos os setores, não só no vestuário e na decoração.

DW.DE

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