quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

1950: Assinado o Tratado de Amizade e Aliança Sino-Soviético


Em 14 de fevereiro de 1950, o Tratade de Amizade, Aliança e Assistência Mútua Sino-Soviético aproximava as duas potências comunistas, apesar das notórias divergências entre os líderes Mao Tse-tung e Stálin.
Mao Tse-tung e o ditador soviético Josef Stálin
Deve ter sido uma das mais longas visitas oficiais do século 20: dois meses durou a estada de Mao Tse-tung em Moscou. No dia 1º de outubro ele havia proclamado a República Popular da China e já em dezembro viajou para a capital soviética, onde pretendia negociar uma aliança com Josef Stálin.
Com o final da Segunda Guerra Mundial e da posterior guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas Kuomintang liderados por Chiang Kai-shek, a China estava economicamente no fundo do poço e ainda sentia-se ameaçada pelos Estados Unidos.
A saída foi procurar a ajuda do irmão comunista. Mas Stálin relutava em conceder ajuda, temendo provocar os norte-americanos. Ele só mudou de opinião depois de perceber que os Estados Unidos não iriam intervir.
"Isso provocou a mudança também nas negociações. Isso foi em 1º ou 2 de janeiro de 1950. Até lá, Stálin simplesmente passara semanas sem nem sequer receber Mao para conversar sobre o acordo, o que levou Mao a ameaçar ir embora, e isso usando conscientemente termos como 'eu aparentemente estou aqui só para comer, beber e cagar', sabendo que eles seriam ouvidos pelos soviéticos", conta o historiador Dieter Heinzig.
Heinzig vê mais um motivo na falta de vontade de Stálin: em 1945 ele havia havia assinado um acordo com o partido nacionalista Kuomintang, em que assegurou antigos privilégios russos na Manchúria, ou seja, no nordeste da China: uma base para a Marinha, um porto livre e a participação numa linha ferroviária.
Stálin sabia que não iria conseguir mais impor ao agora irmão comunista concessões colonialistas como essas. Na verdade, Stálin sempre apoiou o partido Kuomintang, e isso desde a década de 1920. Ele chegou a obrigar os comunistas a colaborar com os nacionalistas.
"E durante a Segunda Guerra Mundial ele mais uma vez obrigou os comunistas chineses a lutar ao lado do Kuomintang contra o Japão, mas as armas foram quase todas parar nas mãos dos nacionalistas. Isso causou irritação também nos especialistas soviéticos enviados à China. Eles pensavam, com uma certa ingenuidade, que iriam ajudar os camaradas chineses. Mas não, há registros autobiográficos que mostram que Stálin deixou a situação clara: trata-se dos interesses soviéticos", conta Heinzig.
Em 1950, Stálin ainda tinha a mesma posição. Os países ocidentais reagiram assustados à aproximação entre as duas grandes potências comunistas, profetizando um efeito dominó que em pouco tempo colocaria toda a Ásia sob o domínio da ideologia comunista.
Nada mais falso do que essa interpretação, afirma Heinzig. A ideologia ocupava um papel secundário nas negociações entre Mao e Stálin.
"Quando tive acesso a um desses protocolos, eu imaginava encontrar um disputa ideológica sobre o caminho do comunismo. Mas nem se falou nisso! Os dois, Mao e Stálin, eram representantes dos interesses históricos dos seus países e não se diferenciavam em essência dos antigos líderes dessas nações", diz Heinzig.
Os interesses contrários logo se tornaram maiores do que os pontos em comum. Em 1960, a União Soviética chamou de volta todos os especialista que tinha na China. Em 1969, uma disputa fronteiriça foi resolvida com o emprego de armas.
Mas a década anterior, a de 1950, marcara o auge das relações entre a China e a União Soviética. Quinze mil chineses estudaram entre os soviéticos, 747 filmes soviéticos foram exibidos na China. Nunca antes um país exercera tanta influência cultural e técnica sobre a China.
Autor: Thomas Bärthlein (as)
Revisão: Francis França
Fonte: DW

Nenhum comentário: