sábado, 2 de março de 2013

1855- Morre Nicolau I, czar da Rússia e rei da Polônia


Nicolau I, czar da Rússia e rei da Polônia entre 1825 e 1855, more em São Petersburgo em 2 de março de 1855. Filho do czar Paulo I, ascendeu ao trono com a morte de seu irmão mais velho Alexandre I.

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O czar Alexandre I havia morrido em 1º de dezembro de 1825, de tifo, na quinta imperial da Crimeia, longe da capital e sem mencionar quem seria o herdeiro ao trono. No entanto, firmara uma declaração, em 1822, que Nicolau assumiria a coroa quando morresse.

[Nicolau I, à esquerda, com seu primo, o rei Jorge V do Reino Unido]

Ao se conhecer em São Petersburgo, em 4 de dezembro, a notícia da norte do czar, os decembristas decidiram iniciar uma sublevação e aproveitar a ideologia liberal do príncipe Constantino, irmão imediato de Alexandre, para as desejadas reformas políticas. Em 9 de dezembro, Constantino recebe em Varsóvia uma carta do Conselho Imperial pondo-se às suas ordens como novo czar.

Entretanto, poucos dias depois dos funerais de Alexandre I, Constantino informa ao Conselho sobre a sua renúncia ao trono, firmada três anos antes. Como resultado, a coroa recairia no príncipe Nicolau, o menor dos irmãos.

Em 25 de dezembro, Nicolau publica o manifesto reclamando o trono para si. Nesta altura, uma conspiração foi organizada por militares para impedi-lo de assumir a coroa, a Insurreição Decembrista de 1825, que Nicolau conseguiu reprimir com êxito. Mostrando-se inviável mudar as ordens de Alexandre e devido à reiteração de renuncia de Constantino, Nicolau Pavlovich Romanov acaba sendo proclamado czar em 26 de dezembro em São Petersburgo.

Durante seu governo, tentou eliminar os movimentos nacionalistas, perpetuar os privilégios da aristocracia e impedir o avanço do liberalismo. Reprimiu a insurreição decembrista de 1825 e apoiou a Áustria na repressão à revolta húngara, em 1848, o que lhe valeu o epíteto de “O Guarda da Europa”.

Em 1830, depois de negar-se a aceitar os limites constitucionais fixados pelo Congresso polonês, foi deposto como rei da Polônia no chamado Levante de Novembro. Nicolau respondeu aniquilando os insurrectos e anexando a Polônia como província russa.

Levou a cabo uma política expansionista que começou com a Guerra da Crimeia. Faleceu antes que britânicos e franceses, aliados na guerra ao Império Otomano, triunfassem no Cerco de Sebastopol, abrindo caminho às reformas realizadas por seu filho Alexandre II.

A Nicolau faltava a educação política e intelectual dos seus irmãos mais velhos. Via seu papel simplesmente como o de um autocrata paternal que deveria manter o povo controlado por todos os meios necessários. Tendo passado pelo trauma da Insurreição Decembrista, Nicolau I estava determinado a estabelecer um braço de ferro com a sociedade russa. A Terceira Secção da Chancelaria Imperial mantinha um grande ramo de espiões e informantes com a ajuda dos Gendarmes, a polícia política.
O governo exercia censura e outros tipos de controle sobre a educação, a imprensa e todas as manifestações da vida pública. Em 1833, o ministro da educação, Serguei Uvarov, formulou o programa “Autocracia, Ortodoxia e Nacionalidade”, que se tornou a cartilha dos princípios do Império. As pessoas deveriam mostrar lealdade à autoridade do Czar, às tradições da Igreja Ortodoxa Russa e, de forma mais vaga, à nação russa. Estes princípios levaram à repressão geral e à supressão das nacionalidades não-russas e religiosas em particular. O governo suprimiu as igrejas católicas gregas na Ucrânio e Bielorússia em 1839.

Nicolau pensou em abolir a escravidão na Rússia, mas não avançou com o projeto por razões de Estado. Temia os proprietários e acreditava que eles podiam se virar contra a coroa se perdessem os servos. Contudo, fez alguns esforços para melhorar as condições de vida dos servos do Estado.

Apesar da repressão nessa época, a Rússia viu florescer a literatura e as artes em geral. Por intermédio das obras de Aleksandr Pushkin, Nikolai Gogol e Ivan Turguenev entre muitos outros, a literatura russa ganhou estatus e reconhecimento, internacional. O balé enraizou-se na Rússia após ser importada da França e a música clássica impôs-se por meio de compositores como Mikhail Glinka, Alexandr Borodin e Modest Mussorgsky.
Fonte: Opera Mundi

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