segunda-feira, 4 de março de 2013

1952 - Livro "O Velho e o Mar", de Hemingway, é publicado pela primeira vez


O “Velho e o Mar” (“The Old Man and the Sea”, no original em inglês) é um romance de Ernest Hemingway (1898/1961), escrito em Cuba, em 1951, e publicado em 4 de março de 1952.

Foi a última grande obra de ficção do escritor norte-americano a ser publicada ainda durante a sua vida, sendo também uma das suas mais famosas.

Conta a história de um velho pescador que luta com um peixe gigante em alto mar por entre a Corrente do Golfo. Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor a tempo de o qualificar para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954.

Depois de passar quase três meses sem fisgar um peixe, escarnecido pelos colegas de profissão, o velho Santiago promete acabar com a sua onda de azar. Sua sorte tem a forma de um peixe espada gigante, o maior peixe que já pescara.

Enfrenta o alto-mar, sozinho, em seu pequeno barco. Queria provar aos outros e a si mesmo que ainda era um bom pescador. É em completa solidão que ele travará uma luta de três dias com aquele peixe imenso, um animal quase mitológico, que lembra um ancestral literário, a baleia Moby Dick.

À medida que o combate se desenvolve, o leitor vai embarcando no monólogo interior de Santiago, em suas dúvidas, sua angústia, sentindo os músculos retesados, a boca salgada e com gosto de carne crua, as mãos úmidas de sangue.

Novela da maturidade de Hemingway, ex-correspondente de guerra e amante das touradas, “O Velho e o Mar”  é a melhor síntese de sua obra e de sua visão de mundo.
Escrito em um estilo ágil e nervoso, máxima depuração da prosa jornalística do autor, o livro explora os limites da capacidade humana diante de uma natureza voraz, onde todos os elementos estão permanentemente em luta.

“O Velho e o Mar” foi escrito no início da década de 1950, após pesadas críticas recebidas pelo seu último livro, “Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores”.

Wikimedia Commons
O escritor norte-americano Ernest Hemingway, em seu barco Pilar, em Cuba

Trata-se de uma das mais belas histórias escritas sobre a amizade entre um velho e um menino e a relação deles com o mar. Ou, ainda, sobre a superação de todos os limites humanos impostos pela idade. Santiago é um velho pescador que vive numa vila de pescadores, no litoral de Cuba, onde é alvo de gozação dos companheiros. Ele não pesca um peixe há 84 dias e conta apenas com a amizade e solidariedade de Manolin, um garoto a quem ele ensinou o ofício e que foi tirado de seu barco e colocado em outro, pelo pai.

Solitário, ingênuo e sonhador, Santiago tem uma relação fraternal de amizade com o mar, peixes e aves marítimas e se fortalece com as lembranças de um passado cheio de esperanças que compartilha com Manolin.


A história já rendeu um filme para o cinema e outro para a TV; o segundo teve o ator Anthony Quinn como Santiago (acima)

Em “O Velho e o Mar”, a luta é outra. Não há vingança. Há um velho pescador que, após 84 dias sem nenhuma pesca, fisga um gigantesco peixe-espada e, ao mesmo tempo em que busca dominar o peixe, se desculpa com ele por ser obrigado a matá-lo.

Santiago teme que o peixe descubra que ele é apenas um pescador velho que, no momento, só pode contar com a sua experiência. No mar, assim como na vida, nem sempre vence o mais forte e nem sempre cabe, ao vencedor, o espólio da sua vitória. “Meu Deus, nunca pensei que ele fosse assim tão grande. Mas tenho de matá-lo, murmurou o velho. Em toda a sua grandeza e glória. Embora seja injusto. Mas vou mostrar-lhe o que um homem pode fazer e o que é capaz de aguentar”.

Desta forma, é impossível ler “O Velho e o Mar” com olhos despretensiosos. Algumas referências apresentadas nos faz divagar sobre a representação que Hemingway dá a Santiago, ao jovem aprendiz, ao “Grande Peixe” e ao último grande obstáculo que atormentar a volta de Santiago para casa.

Hemingway não só criou um romance, mas uma crítica, uma reflexão e um personagem aprofundado em nós mesmos, que nos leva a um mar revolto de sentimentos, reflexões pessoais e sensações, permitindo-nos uma reflexão profunda sobre quem somos e o que fazemos de nossas próprias vidas quando estamos diante de grandes sonhos e difíceis problemas.

Fonte: Opera Mundi

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