domingo, 10 de março de 2013

1957: Doutrina Eisenhower


No dia 9 de março de 1957, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um pacote de sugestões conhecido como Doutrina Eisenhower.
Dwight Eisenhower cumprimenta Konrad Adenauer em Bonn, em 1959
No dia 5 de janeiro de 1957, o presidente norte-americano Dwight Eisenhower havia ressaltado, num pronunciamento diante do Congresso, que o Oriente Médio havia atingido uma nova fase crítica em sua história.
"Nas últimas décadas, muitos países na região não conseguiram a autonomia completa; outras nações desempenharam um papel autoritário, ameaçando a segurança na área, mas, desde a Primeira Guerra Mundial, houve movimentos positivos pela independência e os Estados Unidos saúdam estas iniciativas", destacou o chefe de governo norte-americano.
Eisenhower, entretanto, estava preocupado com a nova intromissão das potências coloniais na região (o conflito pelo Canal de Suez, entre britânicos e franceses, e o avanço de Israel) e acusava o "comunismo internacional" de agravar e inclusive manipular a situação. Para contrabalançar o suposto avanço do poder soviético na região, Eisenhower sugeriu ao Congresso uma resolução para prestar apoio econômico e militar ao Oriente Médio.
O pacote de medidas foi aprovado no dia 9 de março de 1957 e passou a ser conhecido como a Doutrina Eisenhower. Na realidade, ela repetia os princípios da Doutrina Truman, editada dez anos antes, beneficiando a Grécia e a Turquia. Depois da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Ocidente, e da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (Seato), em 1955 havia sido criado o Pacto de Bagdá, fechando a frente contra a União Soviética.
Intervenção dos EUA
No conflito do Oriente Médio em 1956, o fornecimento de armas por Moscou havia aumentado a influência soviética sobre a Síria e o Egito. Depois da derrubada da monarquia no Iraque pelos militares, em 1958, e da advertência do presidente conservador do Líbano, Kamil Chamoun, para o perigo de um golpe socialista em seu país, os Estados Unidos resolveram intervir diretamente, através do envio de fuzileiros navais por três meses a Beirute.
A missão norte-americana no Líbano foi criticada, pois a Doutrina Eisenhower permitia apenas intromissões em caso de ameaça à segurança externa. Na realidade, o interesse de Washington era econômico, devido à riqueza petrolífera da região. Apesar de não quererem mais uma missão como a de 1958 no Líbano, os Estados Unidos tentaram conquistar os países da região através de apoio político e econômico. E esta fórmula, a longo prazo, surtiu mais efeito que a doutrina Eisenhower.
A Jordânia conseguiu estabilizar sua situação depois das reviravolta no Iraque, o Egito se distanciou da União Soviética – alguns anos mais tarde, inclusive, fez as pazes com Israel, enquanto as nações do Golfo se aliaram a Washington. Devido a este apoio incondicional a Israel, muitas nações árabes ainda hoje vêem com ceticismo as intenções de Washington. A aplicação da Doutrina Eisenhower ao pé da letra só teria aumentado esta aversão...
  • Autoria Peter Philip
  • Fonte http://dw.de/p/1H9Y

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