domingo, 10 de março de 2013

A ditadura documentada: novos achados



Carlos Fico

Jornalistas têm descoberto acervos do regime militar em lugares inusitados. Rubens Valente, da Folha de S.Paulo, achou papéis da comunidade de informações nos subsolos da Esplanada dos Ministérios. Evandro Éboli, de O Globo, divulgou documentos retidos pela Câmara dos Deputados.

A importância desses achados não está apenas no conteúdo de tais documentos – cuja avaliação demanda tempo –, mas em sua simples existência. Como sempre dissemos, de todos os regimes militares latino-americanos, o brasileiro foi o que produziu e conservou o maior número de registros: a “ditadura documentada”. Ao contrário do que muitos costumam afirmar – como o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim – nem tudo foi destruído. Provam-no os jornalistas.

Essa iniciativas da imprensa ocupam o vazio deixado pela Comissão da Verdade. Trabalhando, ao que parece, de maneira cautelosa, o órgão não tem se preocupado em dar visibilidade às descobertas que eventualmente tem feito. Ao que parece, prefere deixar para o relatório final a revelação de fatos novos.

É uma pena. Os trabalhos da Comissão da Verdade deveriam impactar a sociedade brasileira no que se refere ao conhecimento da história do regime militar. Isso dificilmente será conseguido com a divulgação de um relatório, mesmo que substancioso.

Conhecer a estrutura da repressão, revelar o conteúdo de documentos inéditos, inserir no rol da vítimas as “pessoas comuns” que foram perseguidas (e não apenas os casos emblemáticos de repressão à esquerda armada ou não) – tudo isso enriqueceria, ou enriquecerá, o relatório da Comissão. Temos de aguardar. Por enquanto, a palavra está com a imprensa.

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