quarta-feira, 13 de março de 2013

Museus abrem exposições com diálogo sobre gênero e representação feminina

Mostras Mulheres e Eg Rá – Nossas marcas podem ser visitadas no MAVRS e MHR, respectivamente, até 04 e 27 de maio

Foto: Leonardo Rodrigues Andreoli
Exposição Eg Rá apresenta elementos da cultura caingangue
A força política quase inexistente das mulheres nas aldeias indígenas foi o tema abordado por Joziléia Daniza Jagso Inácio Jacobsen durante o diálogo Mulheres: Gênero e Representação, que marcou a abertura das exposições Eg Rá – Nossas Marcas e Mulheres, nos museus Histórico Regional (MHR) e de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), na noite de 08/03. O diálogo contou ainda com a participação da professora da Universidade de Passo Fundo (UPF) Jacqueline Ahlert Arenhert, e foi mediado pela professora Marlise Meyrer. O evento aconteceu no Teatro Municipal Múcio de Castro.

Joziléia é descendente de índios caingangues e estuda o contexto político da mulher indígena caingangue na sociedade não indígena. “Há uma observação de que as mulheres têm saído das terras indígenas, onde elas não ocupam papeis políticos, que são de exclusividade dos homens, e buscam esse espaço na sociedade não indígena, conquistando postos que muitas vezes nem não indígenas conseguiram”, pontuou. Ela citou exemplos como o de Fernanda Kaingàng, que é uma das únicas mulheres indígenas que discute conhecimento tradicional associado à biodiversidade e repartição de benefícios na ONU. “Todos os povos Gês, do qual descendem os caingangues, são patriarcais e é difícil ter uma inserção mais política da mulher dentro da sociedade. Por isso, elas buscaram esses espaços”, explicou. Nas aldeias, as mulheres ensinam a língua, as comidas tradicionais, os costumes e as mitologias às crianças. “É a mulher que mantêm a sociedade caingangue viva”, avaliou.

A professora e coordenadora da especialização em Artes Visuais Jacqueline Ahlert Arenhert abordou a representação do feminino a partir de pintura, poesia, letras de música e esculturas. “Temos letras de Pixinguinha sobre a contemplação do feminino como algo próximo ao divino, algumas esculturas de Menna Barreto fazendo referência às deusas mães que também estão vinculadas a questão do divino”, exemplificou.

A apresentação das exposições foi feita pela coordenadora administrativa dos Museus, Tania Aimi, que convidou todos os presentes a visitarem o MHR e o MAVRS. O horário de funcionamento do museu é de terça a sexta-feira, das 09h às 18h, e aos sábados e domingos das 14h às 18h. A entrada é gratuita. As exposições Mulheres e Eg Rá podem ser conferidas até 04 e 27 de maio, respectivamente.
Diálogo
No dia 14 de maio acontece o diálogo O Universo Kaingáng através do grafismo, a partir das 14h, no MHR. A atividade contará com a participação de representantes do Ponto de Cultura Kanhgág Jare, da Terra Indígena Serrinha.

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