sábado, 25 de maio de 2013

1810 – Ocorre a Revolução de Maio na Argentina

Em maio de 1810, o ânimo dos ‘criollos’ – espanhóis nascidos na Argentina - estava inflado de fervor patriótico. Episódios como a Reconquista e a Defesa durante as invasões inglesas; a Revolução Francesa; a independência dos Estados Unidos; as ideias do Iluminismo; e a invasão da Espanha por Napoleão fizeram os nativos da Argentina compreenderem que seriam capazes de governar-se sozinhos.

A ideia da Revolução começou a tomar força em reuniões secretas em diversos locais. Rapidamente a semente da liberdade se expandiu, com a criação de uma sociedade secreta integrada, entre outros, por Nicolás Peña, Manuel Belgrano, Juan Paso, Hipólito Vieytes, Agustin Donato e Manuel Alberti.

As reuniões tinham lugar na casa de Vieytes, na de Nicolás Peña ou na quinta de Orma. Cornelio Saavedra ofereceu seu contingente armado, os Patrícios.

Na manhã de 15 de maio de 1810, o vice-rei Cisneros soube, por notícias trazidas pelo barco inglês Milestoe, que a Junta de Cadiz estava a ponto de cair em mãos francesas.

O vice-rei não ocultou a verdade e, em 18 de maio, expôs os fatos e manifestou vontade de lutar pela coroa espanhola e pela “liberdade e independência” de toda a dominação estrangeira. Isto não foi suficiente para tranquilizar a população nem os Comandantes de Armas.

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Cabildo Aberto começou no dia 22 de maio de 1810

Os ‘criollos’ exigem a realização de um Cabildo Aberto (Cabildo é o nome dado às corporações municipais instituídas na América Espanhola durante o período colonial que se encarregavam da administração geral das cidades coloniais) para tratar da situação na Espanha.

Saavedra e Belgrano então se reuniram com o prefeito, Juan Lezica. Cisneros reuniu na Fortaleza os chefes militares para pedir seu apoio, o que foi negado. Os patriotas decidiram que Castelli e Martin Rodriguez se apresentassem ante o vice-rei para exigir a convocação de um Cabildo Aberto. Cisneros finalmente aceitou convocar os principais habitantes para deliberar acerca da conjuntura.
Foram então distribuídas 450 convocações para participar do Cabildo em 22 de maio. Dos 450 convidados, compareceram apenas 251. O debate se iniciou com o escrivão do Cabildo, Justo Nuñez, que aconselhou a acatarem a autoridade do vice-rei. Em seu discurso, referiu-se também ao perigo que a ambição portuguesa representava.

O bispo de Buenos Aires, Benito Riega, sustentou que ainda no caso de perda da Península Ibérica, os espanhóis deveriam continuar governando na América e os ‘criollos’ só poderiam chegar ao poder quando não permanecesse nenhum espanhol nessas terras. Castelli o confrontou, fundamentando os direitos do povo de exercer sua soberania e formar um novo governo.

Ruiz Huidobro, em nome de alguns grupos militares, defendeu que Cisneros devia deixar o governo por ter caducado a autoridade que o nomeou. O procurador Manuel Villota afirmou que as resoluções dos habitantes de Buenos Aires careciam de validez porque não representavam todo o vice-reino.

O presbítero Nepomuceno Solá se mostrou partidário de entregar o poder ao Cabildo até se formar uma junta integrada por deputados de todo o vice-reino.  Juan Paso, advogado ‘criollo’, defendeu a necessidade de estabelecer na cidade uma Junta Governativa o quanto antes.

Decidiu-se pôr a voto a proposta de Cornelio Saavedra, de cessação do governo do vice-rei e a delegação ao Cabildo de governar até a formação de uma Junta que exerceria o poder com base na participação popular.

A votação no Cabildo, realizada em 23 de maio, apresentou o seguinte resultado: 155 votos pela destituição do vice-rei e 69 pela continuação no comando. O governo deveria ficar em mãos de uma Junta em nome do rei espanhol Fernando VII.

Em 24 de maio, o Cabildo, cumprindo o mandato recebido, nomeia uma Junta composta pelo vice-rei Cisneros, Juan Solá, Juan Castelli, Cornalio Saavedra e José de Incháurregui, representando distintos setores. Cisneros era funcionário; Saavedra, militar; Solá, clérigo; Castelli, advogado e Incháurregui, comerciante.

Apesar da decisão anterior do Cabildo, o vice-rei Cisneros foi designado Chefe da Junta. Saavedra e Castelli aceitaram o argumento de não alarmar as províncias, já que haviam defendido a importância de consultar as populações do interior.

O povo, porém, não queria Cisneros. Somado ao descontentamento nos quartéis, os rumores nos conventos  e a reação dos comerciantes, a agitação popular começou a tomar forma.

Os cabecilhas da revolta eram Domingos French, Antonio Beruti e outros jovens conhecidos como ‘chisperos’ (soltadores de faísca), integrantes da chamada Legião Infernal.

Saavedra e Castelli não resistiram ao clamor popular e renunciaram. Ante a pressão popular, o Cabildo aceitou a renúncia da Junta. Um grupo de jovens encabeçado por Beruti se apresentou na sala de Acordos e deu a conhecer a lista das pessoas que integrariam a nova Junta Governativa.

Um dos membros da Junta destituída assomou o balcão e ao ver somente um pequeno número de populares perguntou: “Onde está o povo?” a que os patriotas responderam: “Abram-se os quartéis e verás!”

Sem meios para resistir, os membros do Cabildo reconheceram a autoridade da Junta Revolucionária. Era o dia 25 de maio de 1810.
Fonte: Opera Mundi

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