quarta-feira, 8 de maio de 2013

1972: EUA minam portos do Vietnã do Norte


No dia 8 de maio de 1972, os EUA instalaram minas nos portos no norte do Vietnã. Através de um bloqueio marítimo e intensos bombardeios, os EUA pretendiam evitar a fusão dos dois Vietnãs sob um governo comunista.
Desde 1964, as Forças Armadas norte-americanas vinham bombardeando objetivos militares no Vietnã do Norte. Há dez anos, o país estava dividido entre o norte comunista e a república sul-vietnamita. Os norte-americanos utilizaram recursos militares drásticos, lançando desfolhantes sobre a floresta, destruindo as colheitas e atacando a população civil vietnamita com bombas de napalm e gases tóxicos.
Porém, não conseguiram impor uma solução militar do conflito. Em vez disso, aumentava a capacidade de luta do exército norte-vietnamita e da guerrilha sul-vietnamita – o Vietcong, que abalava internamente o sul do país. Ambos lutavam em nome do líder nacional Ho Chi Minh, falecido em 1969, e de seu ideal de um Vietnã unificado e sob governo comunista. A meta declarada dos Estados Unidos nessa guerra era impedir uma disseminação do comunismo.
Resposta a ofensiva norte-vietnamita
No dia 30 de março de 1972, nos feriados de Páscoa, o exército norte-vietnamita tinha iniciado uma ampla ofensiva. Suas tropas avançaram até a província sul-vietnamita de Quang Tri. A resposta americana foi a colocação de minas diante dos mais importantes portos norte-vietnamitas, a partir de 8 de maio de 1972, e o bombardeio de Haiphong e Hanói.
A instalação das minas foi um último recurso para os norte-americanos no Vietnã. Vários navios mercantes, entre eles pelo menos um soviético, deixaram o porto norte-vietnamita de Haiphong, minado pelos EUA, na manhã da quinta-feira, 11 de maio. Pouco depois, as minas foram ativadas.
Sem se deixar impressionar pelo bloqueio marítimo e os pesados ataques aéreos a Hanói e Haiphong, as tropas norte-vietnamitas e o Vietcong aumentaram ainda mais sua pressão militar contra o Vietnã do Sul e continuaram avançando contra o cinturão de defesa na região central de Kontum. Com o início do bloqueio marítimo e os ataques a Hanói, os EUA aumentaram, por sua vez, a pressão sobre o Vietnã do Norte. Após dois dias de silêncio, a União Soviética condenou as medidas norte-americanas.
Situação desoladora das tropas norte-americanas
As minas e as bombas visavam cortar as vias de abastecimento do Vietcong e, assim, obrigar o Vietnã do Norte a fazer concessões nas negociações de paz em transcurso. No entanto, os observadores da guerra viam nos novos ataques apenas os perigosos estertores finais de um animal ferido de morte. Era desoladora a situação dos americanos no Vietnã. Diversas tropas de elite foram inteiramente dizimadas pelo exército norte-vietnamita e pelo Vietcong. Na primavera de 1972, parecia estar prestes uma retirada desordenada dos 64 mil soldados americanos que ainda restavam no Vietnã.
Cerca de cinco semanas depois do início da poderosa ofensiva militar do Vietnã do Norte, o Vietcong já estava a 25 quilômetros da capital. As três maiores cidades do Vietnã do Sul estavam diretamente ameaçadas. A situação tornava-se grave na região central do país. Quang Tri tornou-se então a capital provisória de um governo revolucionário instituído pelo Vietcong.
Enquanto o governo de Richard Nixon ficava cada vez mais convencido de um êxito do bloqueio marítimo e dos bombardeios, os observadores internacionais no Vietnã do Norte não constatavam nenhuma consequência grave para o suprimento do Vietcong, nem para o abastecimento da população norte-vietnamita. Um navio soviético logrou, além disso, romper o bloqueio marítimo.
Cessar-fogo em janeiro de 1973
Nixon combinou o bloqueio marítimo com uma nova oferta de paz ao Vietnã do Norte: o exército comunista deveria aceitar uma trégua e libertar milhares de pilotos americanos presos. Em contrapartida, os americanos se retirariam inteiramente do Vietnã, no prazo de quatro meses.
Contudo, as negociações de paz caminhavam lentamente. Nada conseguia impedir as sucessivas vitórias do general Giap, comandante-em-chefe das tropas norte-vietnamitas. Nem a colocação das minas diante dos portos, nem os pesados bombardeios lograram evitar a primeira grande derrota mundial das Forças Armadas norte-americanas.
No dia 27 de janeiro de 1973, os representantes dos EUA, do Vietnã do Sul, do Vietnã do Norte e do Vietcong assinaram um acordo para o fim da guerra. O acordo de cessar-fogo prescrevia, entre outros pontos, a inteira suspensão de todos os atos de hostilidade, a retirada completa das tropas dos EUA e de seus aliados dentro do prazo de 60 dias e a libertação dos prisioneiros de guerra de ambos os lados, dentro do mesmo prazo.
O último batalhão de infantaria norte-americano abandonou o palco da guerra do Vietnã pouco depois. O Vietnã do Norte e o Vietcong lograram, assim, alcançar uma de suas metas na guerra – a retirada incondicional do corpo expedicionário norte-americano. Em relação às perdas de vidas humanas e de material, a guerra do Vietnã entrou para a história como um dos mais graves conflitos bélicos de todos os tempos.
Após a retirada dos norte-americanos, a guerra transformou-se numa guerra civil. A reinstituição da paz no Vietnã teve que esperar até 30 de abril de 1975. Nesse dia, o exército norte-vietnamita ocupou Saigon, e o Vietnã do Sul capitulou.

DW.DE

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