terça-feira, 28 de maio de 2013

História revisitada de diferentes formas em ciclo de debates


Atividades tiveram por objetivo propiciar diálogos, consolidar pesquisas e divulgar o acervo do Arquivo Histórico Regional

Foto: Carla Vailatti
Reitor José Carlos Carles de Souza foi o mediador de mesa-redonda realizada na tarde de 23 de maio
A relação entre história, memória e judiciário foi tema de debate em atividade realizada pelo curso de História, Arquivo Histórico Regional (AHR) e Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade de Passo Fundo (UPF). O ciclo de debates História, Memória e Judiciário reuniu, na Academia Passo-fundense de Letras e AHR, estudantes, pesquisadores e profissionais do Direito e História, entre outros interessados, que participaram de conferência, mesas-redondas e visita ao AHR. Entre os destaques da programação, realizada na quinta-feira, 23 de maio, esteve a renovação de convênio entre o AHR e a Justiça do Trabalho, existente desde 2007, a oficialização de parceria com a Justiça Federal – Seção Judiciária do Rio Grande do Sul, e a inauguração da Sala Arquivos Privados: Fundo Dr. Nicolau de Araújo Vergueiro, do AHR.

O reitor da UPF José Carlos Carles de Souza foi o mediador da mesa-redonda Memória e Judiciário, da qual também participaram o juiz federal diretor Foro de Passo Fundo Giovani Bigolin e o juiz federal diretor do Foro da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul Eduardo Tonetto Picarelli, a presidente da Associação Nacional dos Pesquisadores de História - seção regional Rio Grande do Sul Marluza Marques Harres e a professora do curso de História e PPGH e coordenadora do AHR Gizele Zanotto. Para o professor José Carlos, o judiciário é uma importante fonte de pesquisas para a história. “O espaço judiciário é rico como repositório das angústias e dos interesses da sociedade brasileira. Especialmente depois do advento da constituição de 1988, a população descobriu a possibilidade de buscar seus direitos. Muitos desses momentos históricos representados no judiciário ficam agora guardados aqui na nossa Universidade, por meio dos convênios firmados”, considerou o reitor, salientando a importância desse material como fonte de pesquisas.

Entre os presentes, estiveram a juíza titular da 3ª Vara do Trabalho de Passo Fundo Flávia Cristina Padilha Vilande, o coordenador da equipe técnica do Memorial da Justiça do Trabalho do RS Alexandre Veiga, a diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Rozani Sgari, a coordenadora do PPGH Ana Luíza Setti Reckziegel e a coordenadora do curso de História Ironita Policarpo Machado.

Acervo de Nicolau de Araújo Vergueiro
Após a mesa-redonda Memória e Judiciário, os participantes foram convidados a visitarem o AHR, junto ao Campus III. Além de conhecerem as instalações, os presentes participaram da inauguração da Sala Acervos Privados: Fundo Dr. Nicolau de Araújo Vergueiro. O espaço conta com um acervo predominantemente bibliográfico de mais de 3.500 peças, organizadas da forma como Vergueiro as guardava, dividindo-as por temas, como história, política, religião, ciências, filosofia, psicologia e literatura, entre outras. Além dos livros, há uma relevante coleção de periódicos, como Kodak, Revista da Semana e Ilustração Brasileira, que abrangem todo o século XX, e almanaques, com datas a partir de 1883. O acervo conta ainda com documentos, memórias manuscritas, fotografias e recortes de jornais, além de armários, mesas, vitrolas, máquinas de escrever, cofre e quadros.


Quem foi?
Nicolau de Araújo Vergueiro nasceu em Passo Fundo em 1882. Formou-se médico em 1905 e, no ano seguinte, estabeleceu clínica médica em Passo Fundo, com atividades até o final da década de 1940. Foi médico da Assistência Pública de Saúde por mais de 20 anos, idealizador e primeiro presidente da Sociedade Passo-Fundense de Medicina, fundada em 1931. Foi um dos políticos mais influentes da história de Passo Fundo, elegendo-se deputado estadual por cinco legislaturas seguidas (1909-1928); prefeito de Passo Fundo entre 1921 e 1924; lutou na Revolução Gaúcha de 1923; foi deputado estadual em 1930 e participou ativamente da Revolução de 30; apoiou o movimento constitucionalista, tendo sido preso e exilado em consequência de seu apoio à rebelião (1932-1933). Foi deputado federal no Rio Grande do Sul (1935-1937) e, após inúmeras contribuições para Passo Fundo e região, faleceu em 1956.


De acordo com a professora Gizele, grande parte do acervo do AHR decorre de articulação com entidades, grupos, indivíduos e instituições, que contribuem, cada qual da sua maneira, com o arquivo. “Esse é o caso do acervo de Nicolau de Araújo Vergueiro, agora disponível nesse espaço em função de nossa relação próxima com o Instituto Histórico de Passo Fundo e Projeto Passo Fundo”, relatou. Antes de serem encaminhadas ao AHR, as peças permaneceram sob os cuidados da família de Vergueiro. Os objetos de Nicolau de Araújo Vergueiro integram o Acervo de Arquivos Privados do AHR, que conta também com materiais e documentos que um dia pertenceram a outros nomes que marcaram a história de Passo Fundo, como Clodoaldo Brenner, Ciro Schell, Alfredo Custódio e Mario Menegaz.

Todos esses materiais, bem como o restante do acervo do AHR, estão à disposição da comunidade, que pode utilizá-los para pesquisa ou simplesmente para ampliar seus conhecimentos. O AHR permanece aberto à visitação gratuita de segunda à sexta, das 8h às 11h30min e das 13h30min às 17h30min, e está localizado na rua Paissandu, 1756, próximo à Praça Tamandaré.



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