segunda-feira, 10 de junho de 2013

1870 – Morre o escritor Charles Dickens

Em 9 de junho de 1870, de esgotamento e precocemente envelhecido, morre o escritor Charles Dickens, aos 58 anos. O imenso público de seus leitores conseguem da rainha Victória que fosse inumado no “Canto dos Poetas”, na Abadia de Westminster, no coração de Londres. Foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana.

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Por meio dos livros, mas também pelo teatro e o cinema, a obra de Dickens alimentou a imaginação de todas as crianças do mundo. O seu conto "Canção de Natal" é talvez a sua história mais conhecida. Foram feitas adaptações para quase todos os gêneros de comunicação: cinema, desenho animado, televisão e teatro, criando um fenômeno de popularidade que transcende a obra original. Segundo alguns, essa história, patética, moralista e bem humorada, resume o verdadeiro significado do Natal, eclipsando todas as outras histórias de Dickens sobre o tema.

[Problemas na infância marcaram obra de Dickens]

Dickens, quem provara a dureza da condição operária, jamais deixou de lutar contra as injustiças, com o que ganhou a estima perene de seus concidadãos. Testemunhou os aspectos mais sombrios da revolução industrial e do capitalismo nascente.

Nasceu em Portsmouth, sul da Inglaterra, em 7 de fevereiro de 1812. Foi o caçula de 8 filhos. Seu pai, funcionário do Almirantado, era um homem jovial, mas extremamente imprevidente. Alguns meses após o nascimento de Charles, mudou-se para Kent, onde a família conheceu tempos de felicidade.

Tudo se degringola quando Charles chega aos 10 anos. A família se traslada para Londres e o pai logo é esmagado pelas dificuldades financeiras. O pequeno Charles se vê obrigado a trabalhar numa fábrica de betume em troca de alguns shillings por mês.

Em Londres, metrópole insalubre de 1 milhão de habitantes, não se podia esperar qualquer compaixão dos poderes públicos. Sem condições de solver uma dívida reclamada pelo padeiro, o pai é condenado à prisão.

Após alguns meses, John é libertado, volta a trabalhar e passa por um período de certo desafogo. Sua mulher, no entanto, não quer perder o salário que lhe aporta seu filho mais novo e insiste que continue trabalhando. A lembrança desta traição materna acompanharia o escritor para sempre.

Por fim, seu pai o tira da fábrica e o matricula numa escola. Charles se dedica apaixonadamente aos estudos. Aos 15 anos ingressa como auxiliar num escritório de advogado.
Consciente de seus talentos literários, começa a publicar artigos em jornais alternativos. Sob o pseudônimo de Boz, publica pequenos contos bem recebidos nas brochuras populares a um tempo em que frequentava os teatros, a grande paixão de sua vida.

Aos 18 anos, já como jornalista parlamentar, apaixona-se por Maria, filha de um rico banqueiro, quem a proíbe de com ele se casar.

Desta juventude, semeada de humilhações e de sofrimentos mais do que alegrias, tiraria a matéria de um romance amplamente autobiográfico: DavidCopperfield (1849).

Chama a atenção de um editor que o convida a emprestar sua pluma a um desenhista de renome quem ilustrava “As Aventuras de Mr. Pickwick”, que seria publicado em forma de folhetim, gênero apreciado pelos jornais porque fidelizava os leitores.

Com esta publicação, Dickens, aos 24 anos, conhece enfim o sucesso e o conforto. Casa-se com Catherine Hogarth, filha de seu redator-chefe. O casal teria dez filhos. Junto a eles viveriam também duas jovens irmãs de Catherine, Mary e Georgiana, bem como um irmão de Charles. Devido à morte trágica de Mary, aos 18 anos, Dickens deixa, passados apenas dois anos, sua casa de Bloomsbury, hoje museu em homenagem ao escritor.

Com seu primeiro grande romance, Oliver Twist (1838), passa a ser considerado pela crítica e pelo público como um renomado autor, testemunha dos usos e costumes cruéis de seu tempo, quando empresários ávidos por lucro exploravam os miseráveis que afluíam às cidades.

Dickens denuncia abusos e a cupidez dos empresários e banqueiros. Dá seu apoio, em 1842, a uma lei que regulamentava o trabalho noturno das mulheres e das crianças. Numa viagem, no mesmo ano, aos Estados Unidos, se dá conta que os pobres não eram mais bem tratados do outro lado do Atlântico e não se priva de relatar o fato em seus textos.

Engaja-se na luta contra a pena de morte em 1849 e, no ano seguinte, funda o jornal  Household Words, a fim de promover suas ideias em favor da habitação operária, educação popular e a proteção da infância.

Apreciava Marx e Engels, todavia se manteve afastado de seu socialismo revolucionário. Esteve mais próximo do evangelismo de Tolstoï e Dostoievski.

Os últimos anos são marcados por desgostos familiares. Sua mulher Catherine, cansada de ouvir reprimendas, termina por deixá-lo em 1858. Consola-se com uma atriz, mas percebe que seu amor não é compartido.

Infeliz, lança-se ao trabalho com intensidade, multiplica as leituras públicas de suas obras e dá um toque final ao seu 16º romance.

Pode-se recomendar sem risco desde os primeiros anos do colégio os títulos mais conhecidos: Oliver Twist, David Copperfield As Grandes Esperanças, todos eles contando a luta pela vida de um rapaz mergulhado num mundo de brutalidades.
Fonte: Opera Mundi

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