segunda-feira, 1 de julho de 2013

1751 - Com discurso de d'Alembert, é publicado o primeiro volume da Enciclopédia

Em 1º de julho de 1751 é publicado o primeiro volume da Enciclopédia, precedida por discursod'Alembert. Foi nessa data o início de uma aventura editorial sem precedente que iria sacudir e arejar as ideias na França e em toda a Europa.

O projeto nascera seis anos antes do desejo do livreiro Le Breton de traduzir a Cyclopaedia do autor inglês Ephraïm Chambers - um dicionário ilustrado das ciências e das artes publicado em 1728.

Reprodução @delcampe.net

Modelo de como eram as primeiras edições da Enciclopédia

O livreiro e editor submete sua ideia a Denis Diderot, que na época tinha 32 anos. Esse impetuoso e ambicioso rapaz, que se dizia "filósofo", passou a visar não mais uma simples tradução e sim um "quadro geral dos esforços do espírito humano em todos os gêneros e em todos os séculos" Foi assim que surgiu o nome 'enciclopédia', neologismo forjado segundo uma expressão grega que designa as ciências destinadas a ser ensinadas.

Diderot resolve valer-se também dos serviços de seu amigo, o matemático e filósofo Jean Le Rond d'Alembert. Em outubro de 1750, expõe seu projeto em um Prospectus tendo em vista atrair subscritores. Mais de 2 mil responderam ao apelo e pagaram cada um 280 libras. Ou seja, o equivalente ao ingresso anual de um operário. Alguns dos maiores espíritos da época aceitaram colaborar com a grandiosa obra editorial.

Jean d'Alembert, principal autor da Enciclopédia ao lado de Diderot, era filho natural do cavaleiro de Touches e de uma dama da alta aristocracia, Madame de Tencin.

Abandonado ao nascimento em 11 de novembro de 1717 sobre as escadarias da igreja  Saint-Jean Le Rond – daí o seu segundo nome – recebe entretanto uma excelente educação graças aos subsídios de seu pai natural. Torna-se um sábio e um pensador muito requisitado que as pessoas arrastavam aos salões mundanos de Paris, como os da Madame Geoffrin, da Madame du Deffand e de Julie de Lespinasse, de quem se apaixonaria sem esperança até sua morte.

De seu lado Denis Diderot consegue também a proteção da influente marquesa de Pompadour, amante do rei Luis XV. O sucesso da Enciclopédia é imediato na França e nos demais países da Europa das Luzes. Sua tiragem se eleva de pronto a elevados 4200 exemplares, um número extraodinário levando-se em conta também o custo e a amplidão da obra.
A publicação teve os seus problemas. Além de acusações de heregia, teve que enfrentar constatemente as acusações dos religiosos. O tempo se fecha novamente a partir de 1757 quando um desequilibrado, Damiens. pratica um atentato contra o rei.

Os devotos saem ao assalto furiosamente contra os Enciclopedistas, culpados de criticar a religião católica. Os jesuitas, alicerçados em seu prestígio em matéria de educação, são os adversários mais virulentos.

De maneira totalmente inesperada, Jean-Jacques Rousseau se desavem com Diderot e passa a se opor à Enciclopédia em virtude do artigo Genebra no qual d'Alembert critica os modos e costumes austeros da cidade calvinista. Rousseau publica então a Carta a d'Alembert sobre os Panoramas.

Em 8 de março de 1759, scom base num falacioso pretexto, o Conselho de Estado proibe a venda da Enciclopédia e exige o reembolso aos 4 mil subscritores.

Malesherbes intervem de novo a fim de evitar a ruína de Diderot todavia não pôde autorizar o prosseguimento das publicações.

D'Alembert, desencorajado, renuncia a levar adiante o empreendimento. Os dois últimos tomos são publicados clandestinamente por Diderot em 1765 e os derradeiros volumes de páginas e pranchas ilustradas são enfim publicadas sem a participação de Diderot em 1772.

No total, em trinta anos, foram publicados 28 volumes compreendendo 11 volumes de pranchas ilustradas e mais de mil artigos com a assinatura de cerca de 200 autores, entre os quais os mais reputados de seu tempo: Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Condorcet, Quesnay, Turgot, Marmontel, Helvétius, barão d'Holbach.
Fonte: Opera Mundi

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