domingo, 14 de julho de 2013

1878 - É concluído o Tratado de Berlim

O Tratado de Berlim, concluído em 13 de julho de 1878, firmado entre as principais potências da Europa e o Império Otomano, determinou o estabelecimento de um regime de controle permanente sobre a administração interna do império. Isso garantiu aos europeus um mínimo aceitável de direitos, em particular a "liberdade religiosa" para os cidadãos submetidos à lei turca.
Wikicommons

Sudeste europeu após o Congresso de Berlim. Acordo foi feito entre as principais potências europeias e o Império Otomano

Assinado no final do Congresso de Berlim, o documento modificou o Tratado de Santo Estêvão, ao qual se opunham o Reino Unido e o Império Austro-Húngaro, que instituia a “Grande Bulgária”. O chanceler alemão Otto von Bismarck, que presidiu o Congresso, comprometeu-se, sem sucesso,  a equilibrar os distintos interesses de Reino Unido Grã Bretanha, Rússia e Austria-Hungria.

O Tratado de Berlim reconheceu a independência dos reinos da Romênia em 1881, da Sérvia em 1882, de Montenegro em 1910 e a autonomia da Bulgária, embora esta permanecesse sob tutela formal do Império Otomano e fosse dividida em três partes: o Principado da Bulgária, a província autônoma da Rumélia Oriental e a Macedônia, devolvida aos otomanos para impedir os planos russos de uma Grande Bulgária russófila. A província otomana da Bósnia-Herzegovina foi colocada sob ocupação austro-húngara em 1908, embora formalmente continuassem a integrar o Império Otomano, evitando séria crise europeia.

O Tratado de Berlim concedeu estatuto jurídico especial para alguns grupos religiosos, mas também serviu de modelo para o Sistema de Minorias, que foi posteriormente estabelecido no âmbito da Liga das Nações.

O Congresso contou com a presença do Império Britânico, Império Austro-Húngaro, França, Itália, Império Russo e Império Otomano. A principal missão das grandes potências era dar um golpe decisivo no crescente movimento paneslavista. O movimento causava sérias preocupações em Berlim e particularmente em Viena, que temia que a repressão às nacionalidades eslavas trouxessem uma revolta contra os Habsburgos.
Londres e Paris mostravam-se nervosos com a expansão cultural russa para o sul em boa parte decorrente da diminuição da influência do Império Otomano. Os dois posicionavam-se para colonizar Egito e Palestina.

Mediante o Tratado de San Stefano, os russos tinham conseguido criar o Principado da Bulgária autônomo do Império Otomano, de modo que os temores britânicos quanto à crescente influência russa no Oriente Europeu eram procedentes. A Bulgária passou a ter acesso ao Mar Egeu, abarcou uma grande porção da Macedônia e poderia a qualquer momento dominar o estreito que separa o Mar Negro do Mediterrâneo.

Esta disposição não era aceitável para o Império Britânico que considerava o Mediterrâneo como de sua esfera de influência e via uma presença russa como grave ameaça a seu poder. Uma semana antes do Congresso, o primeiro-ministro Benjamim Disraeli tinha celebrado uma aliança secreta com os otomanos contra a Rússia. O Reino Unido acabou ocupando estrategicamente a ilha de Chipre.
Wikicommons

Reunião final de chanceleres no Congresso de Berlim: Bismarck, Andráss, Shuvalov, Károlyi, Gorchakov e Disraeli

O Congresso de Berlim é frequentemente visto como o ponto culminante da "Batalha de Chanceleres" envolvendo Alexander Gorchakov da Rússia e Otto von Bismarck da Alemanha. Foram capazes de persuadir os demais líderes europeus que uma Bulgária livre e independente iria melhorar consideravelmente os riscos decorrentes da desintegração do Império Otomano.

Bismarck

A fim de manter a paz na Europa, Bismarck tentou convencer diplomatas europeus da conveniência da divisão dos Balcãs, de modo a propiciar maior estabilidade. Uma das razões pelas quais Bismarck foi capaz de mediar as várias tensões presentes no Congresso de Berlim proveio de sua personalidade.

Ele era um fervoroso pacifista quando assuntos internacionais não diziam respeito diretamente à Alemanha. Por outro lado, agia agressivamente, sempre que o interesse nacional da Alemanha, estava em questão. No Congresso de Berlim, "a Alemanha não podia tirar qualquer vantagem a partir da crise" que ocorreu nos Balcãs em 1875.

Como resultado, Bismarck alegou imparcialidade da Alemanha. "Os Bálcãs não valem os ossos de um granadeiro alemão", exclamou o chanceler.
Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: