terça-feira, 23 de julho de 2013

1951 - Morre o general francês Henri-Philippe Petain

Em 23 de julho de 1951, o general Henri-Philippe Petain, herói nacional francês da Primeira Guerra Mundial, que foi acusado de colaboração com os ocupantes alemães de seu país durante a Segunda Guerra Mundial e sentenciado à prisão perpétua, morre, aos 95 anos.

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Filho de camponeses de Pas-de-Calais, o futuro vencedor de Verdun viu-se, aos 15 anos, confrontado com os horrores da guerra ao socorrer feridos quando da Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871.

[Imagem do general em 1930]

Graduado na Academia Militar de Saint-Cyr, Petain serviu como segundo tenente no Regimento Alpino onde desenvolveu uma reputação de camaradagem com os soldados de infantaria.

Ao termo de uma carreira comum e sem ter participado das guerras coloniais, se apresta a passar para a reserva no posto de coronel quando sobrevém a Grande Guerra. É promovido a general de exército em outubro de 1914 e em seguida nomeado em fevereiro de 1916 chefe do 2º Exército com a missão de defender Verdun.

Iniciou então uma controvertida carreira de professor no Colégio de Guerra em 1888, onde propôs teorias que estavam em conflito direto com as ideias bélicas comumente aceitas, em especial seu ponto de vista de que uma poderosa defesa era a chave para a vitória, e não a estratégia de “ataque permanente”, defendida pelo exército francês à época. Esta oposição às teorias em voga lhe valeu muitas inimizades.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o general Petain distinguiu-se na Batalha de Verdun durante a qual repeliu com êxito os sucessivos ataques germânicos  contra a cidade fortificada. Nomeado comandante-em-chefe em maio de 1917, passou a ser uma inspiração para as suas tropas e impediu discussões, retaliações e motins dentro do exército após as desastrosas ofensivas comandadas pelo general Robert-Georges Nivelle. Petain reconquistou a confiança e a lealdade daqueles soldados ao ser nomeado sucessor de Nivelle, agindo com moderação e firmeza, melhorando as condições de seus combatentes, dando início a uma comunicação aberta entre o comando e as tropas.

O exército deveu a ele a conservação de sua coesão nesta passagem difícil. É graduado marechal – um posto honorífico – em dezembro de 1918.

Após a guerra, Pétain surge como uma lenda viva e mantém múltiplas atividades. Em 1925, parte para combater Abd el-Krim, no Marrocos. Em 1931, ingressa na Academia Francesa. Em 1934, torna-se ministro da Guerra. Sua autoridade permanece intacta, mas começa então a sentir os efeitos de sua idade, 78 anos, com rasgos de perda de memória.
Em 1939, é enviado a Madri como embaixador e se regozija com este fim de carreira dourado... até 16 de maio de 1940, quando recebe um telegrama ordenando-lhe retornar a Paris, onde se contava com ele para salvar a França confrontada com a invasão da Alemanha nazista. Dotado de plenos poderes pela Câmara de Deputados, recolhido em Vichy, o marechal põe sua popularidade a serviço da colaboração com o ocupante. Acreditava que assim agindo estava servindo aos interesses da nação.

Petain é nomeado vice-primeiro-ministro pelo premiê Paul Reynaud. À medida que a Wehrmacht invadia mais e mais do território francês, o gabinete governamental entrava em desespero. Reynaud continua alimentando esperanças, recusando-se a pedir um armistício, especialmente no instante em que a França recebia garantias da Grã Bretanha que ambos iriam lutar como uma só nação e que Londres iria continuar enfrentando os germânicos ainda que a França fosse totalmente tomada. Contudo, outros membros do governo mostravam-se desalentados e demandavam uma paz a qualquer preço. Reynaud renuncia em protesto. Petain forma então um novo governo e apresenta aos alemães sua disposição de firmar o armistício, na verdade uma rendição.

O homem que havia galgado a fama de herói de guerra lendário, por ter enfrentado com êxito os ataques dos alemães em solo francês, capitulava agora diante de Hitler.

A levar em conta suas manifestações, Petain esperava preservar um resto de vitalidade do país, debilitada pela guerra precedente, aguardando dias melhores. Porém muito rapidamente é arrastado a compromissos cada vez mais duvidosos.

Outrossim, passa a encorajar pessoalmente a Legião dos Voluntários Franceses que partam para o front oriental a fim de combater os bolcheviques ao lado dos alemães. Ordena às tropas francesas da África do Norte que resistam ao desembarque anglo-americano de 8 de novembro de 1942. Aprova também a criação da Milícia em 30 de janeiro de 1943 e adota abertamente uma política antissemita.

Após a Libertação esses atos lhe valem ser condenado à morte por traição à pátria. Comutada a pena para prisão perpétua em consideração a avançada idade, iria terminar seus dias na prisão da ilha de Yeu, aos 95 anos.
Fonte: Opera Mundi

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