sexta-feira, 9 de agosto de 2013

1896: Otto Lilienthal faz seu último voo

Em 9 de agosto, o engenheiro caía durante uma tentativa de sobrevoar Berlim. Gravemente ferido, morreria um dia depois. Até então, Lilienthal fizera milhares de voos a vela com diferentes modelos de planador.
Uma 'asa' original de Lilienthal é usada por Hans Richter em 1926
9 de agosto de 1896, à encosta da montanha Gollenberg, cerca de 60 km a noroeste de Berlim. O serviço meteorológico de Potsdam anuncia tempo estável, temperatura média de 20ºC e possibilidade de ventanias.
Vestido de calça até o joelho e camisa de algodão, Otto Lilienthal se ajusta na sua parafernália de voo, feita de vime e tecido. Seu mecânico, Paul Beylich, tenta dissuadi-lo do empreendimento: "Não sei não, Otto, o tempo está bom, mas fico meio preocupado com o vento. Não seria melhor deixar o voo para amanhã?" Mas Otto não se deixa convencer, prometendo que este seria o último do dia.
Ele desce alguns passos, decola bem e sai sobrevoando o vale. Até que uma repentina rajada de vento o faz perder o controle sobre o aparelho e Otto despenca de uma altura de mais de 15 metros. Após o acidente, ele não sente mais suas pernas. Uma fratura na coluna o deixara paraplégico.
"Todo mundo tem que sacrificar alguma coisa." Essas teriam sido suas últimas palavras. No dia seguinte, 10 de agosto de 1896, Otto Lilienthal morria como primeira vítima da aviação moderna.
Observação das aves
Seu irmão menor, Gustav, não estava presente no momento do acidente. Com ele, Otto, ainda aos 14 anos, tinha construído e testado seus primeiros mecanismos de madeira, inspirados nas asas de cegonha. Ele costumava observar com toda atenção o voo de gaivotas e cegonhas ou empinar pipas, para investigar melhor as condições aerodinâmicas.
Foi a partir dessas observações que acabou deduzindo o princípio da impulsão, ainda desconhecido da maioria dos físicos da época. Ele descobriu que a asa deveria ser abaulada, para ser sustentada pela corrente de ar.
Em 1889, Otto Lilienthal publicou seu livro O voo das aves como fundamento da arte de voar (Der Vogelflug als Grundlage der Fliegekunst), uma das mais importantes obras de referência para a aviação do século 19.
No entanto, só depois de muitos experimentos áridos e exercícios enfadonhos conseguiu realizar seu sonho de voar. Isso ocorreu num dia de verão de 1891. Posteriormente, o francês Ferdinand Ferber, pioneiro da aviação, reconheceria que este foi o dia em que o ser humano aprendeu a voar.
Milhares de tentativas e mecanismos diversos
Nos cinco anos posteriores, Lilienthal fez um voo atrás do outro. Até sua morte, foram mais de 3 mil tentativas. Às vezes, até 80 vezes por dia. Pés torcidos e braços quebrados já faziam parte do seu cotidiano. Com o tempo, Lilienthal conseguiu fazer voos a vela de até 250 metros. Ele experimentou 18 mecanismos diferentes, o maior deles com sete metros de envergadura.
Além disso, Lilienthal fez negócios com seus inventos. Como primeiro fabricante, anunciava seus mecanismos de voo em todo o mundo: "Planador para exercitar a arte do voo por 500 marcos". Das instruções de segurança de seus produtos, constava a seguinte advertência: "Pense bem: você só tem um pescoço para quebrar".
Otto Lilienthal sabia do perigo a que estava se expondo. No entanto, sua paixão e sua sede de conhecimento eram maiores que seu medo. O acidente que culminou com sua morte ocorreu na época em que ele já estava se sentindo relativamente seguro em seus voos.
Pode-se dizer que ele morreu enquanto exercia seu hobby, pois esse era apenas um lado de sua vida. Otto Lilienthal era engenheiro mecânico, inventor, fabricante, empresário e pai de quatro filhos. Certa vez, ele chegou a exclamar, nervoso: "Sou pai de família e tenho outras obrigações mais importantes do que ensinar o ser humano a voar". No entanto, querendo ou não, ele ensinou.
  • Autoria Judith Hartl (si)
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