sábado, 17 de agosto de 2013

1908 – Primeira animação da história, Fantasmagorie estreia no cinema


Em 17 de agosto de 1908 estreava em Paris a animação Fantasmagorie, do cartunista Émile Cohl. A película é considerada por muitos pesquisadores da sétima arte como o primeiro desenho animado da história, opinião dividida com apoiadores de ”Humurous Phases of Funny Faces”.

Trata-se de uma produção extremamente simples e experimental, de apenas 1min40s, e que não pode ser avaliada pelos critérios atuais. Consiste em uma história surrealista cujo personagem principal, um palhaço feito de “palitinhos”, criado por mãos humanas, contracenando com uma série de objetos mórficos, como pessoas, uma flor, um cavalo ou uma garrafa de vinho.

Sua apresentação ocorreu no Théatre du Gymnase Marie-Bell, que comportava 800 pessoas, nordeste de Paris, e que era transformado em cinema durante o período de férias.

Esse desenho foi considerado o primeiro passo de uma indústria que parece não conhecer limites e que tem na data de 1928, com a estreia de Mickey Mouse e a sincronização entre as imagens do filme e o som, outro marco histórico. Com também em 1964, a Hanna-Barbera passa a trabalhar tanto com o celuloide quanto com a ajuda de computadores; ou em 1995, quando “Toy Story”, da Pixar, se torna o primeiro longa-metragem completamente em 3D.



Pai de todos?

Há controvérsias sobre o pioneirismo de Fantasmagorie, já que, em 1906, o norte-americano James Stuart Blackton lançou o filme “Humorous Phases of Funny Faces” [abaixo], em que gravou imagens desenhadas por ele mesmo com giz em um quadro negro, rodado em 20 imagens por segundo. Portanto, para os defensores de Fantasmagorie, embora ele tenha impressão de uma animação, é gravado a partir de imagens reais e estáticas, fator considerado irrelevante para os apoiadores do norte-americano.


 
Por sua vez, Fantasmagorie, mesmo inspirado no estilo de Blackton, é 100% animado, rodado imagem por imagem, e cada fotograma é corresponde a um desenho completo, com personagens e fundo. Cohl desenha ao menos 700 desenhos, cada um filmado ao giro de manivela em dois clichês sucessivos, resultando em um total de 1.400 fotogramas. A animação dá a impressão de ter sido feita numa lousa, como Blackton, mas Cohl na verdade as desenha com tinta nanquim em uma folha branca e, em seguida, usa um negativo duplicado, que inverte os efeitos do branco e do preto. Assim como Blackton, utiliza-se de imagens reais, de sua própria mão, desenhando o personagem principal nos momentos iniciais.



O autor

O francês Émile Cohl (1857-1938), nascido como Émil Eugène Jean Louis Courtet, era um caricaturista francês e passou a ser considerado, por essa produção, “o pai do desenho animado”. Participou de um movimento artístico efêmero e muito pouco conhecido, chamado “Os Incoerentes”, iniciado por Jules Lévy em 1882.

O movimento consistia em afirmar que absolutamente tudo pode ser considerado uma obra de arte: um desenho feito por alguém que não sabe desenhar, por exemplo, é uma obra, mesmo que “ incoerente. Para eles, não há material que não possa ser utilizado  e absolutamente tudo pode servir de inspiração para qualquer tipo de tema. Muitas dessas “obras” tinham o humor como pano de fundo. O pintor e ilustrador Toulouse-Lautrec é um dos nomes mais famosos a ter participado do movimento, abandonado em 1888. Fantasmagorie, mesmo tendo nascido 20 anos depois, é claramente um fruto dessa corrente.

Em sua adolescência, enquanto gazeteava as aulas na escola, Cohl aprendeu nas ruas duas grandes referências para o seu trabalho: o teatro de marionetes e a caricatura política. Após sua mãe tentar colocá-lo em empregos tradicionais, como em uma joalheria ou uma agência de seguros, ele acabou optando por trabalhar com a filatelia e declarou sua preferência pelo mundo artístico, os desenhos e o estilo de vida boêmio, mesmo que para isso “tivesse de passar fome”.

Se aproximou muito de um dos mais famosos caricaturistas da época, André Gill. Se tornaram melhores amigos. Chegou a ser preso em 1879 pela sátira contra o então presidente Patrice Mac-Mahon, duque de Magenta. Seu interesse pelo cinema o levou a trabalhar no estúdio Gaumont em 1907, onde aprendeu a desenvolver um estilo próprio para um filme 100% feito de animação.
Fonte: Opera Mundi

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