sexta-feira, 16 de agosto de 2013

1954 - Alfredo Stroessner assume oficialmente o poder no Paraguai


A posse de Horacio Cartes à Presidência do Paraguai, marcada para esta quinta-feira (15/08), ocorre tradicionalmente no dia da fundação da capital Assunção. Na mesma data, há 49 anos, quem assumia "oficialmente" e à força o comando do país era o ditador Alfredo Stroessner.

O dia 15 de agosto de 1954 marca o início de um período de três décadas e meia marcado por fraudes eleitorais, forte repressão a opositores e crimes contra a humanidade – assassinatos, prisões ilegais, torturas, deportações e desaparecimentos estavam entre os principais delitos. Calcula-se que, durante seu regime, teriam morrido entre três a quatro mil dissidentes.

Antes de se envolver na política, Stroessner tinha uma bem-sucedida carreira militar. Participou da Guerra do Chaco (1932-1935) e liderou o massacre contra a classe trabalhadora em Assunção durante um levante popular em 1947, a Revolução dos Pynandí (ou "pés descalços", em guarani). No ano seguinte atingiu a patente de general-de-brigada e se tornou o general mais jovem na América do Sul.

Filiou-se ao governista Partido Colorado em 1951. Em maio de 1954, ele comandou a destituição do presidente Federico Cháves, do mesmo partido ao qual era filiado, o Colorado, assumindo o poder interinamente. Foi eleito, sem oposição, no dia 11 de julho do mesmo ano.

Enquanto Cháves levava a cabo uma política nacionalista e contrária ao FMI (Fundo Monetário Internacional), Stroessner, por sua vez, realizou um governo claramente alinhado com os Estados Unidos. Por sua postura anticomunista durante a Guerra Fria, tinha apoio estratégico, militar e financeiro norte-americano, fato que contribuiu para o aumento da dívida externa do país.
Assim que assumiu o poder, Stroessner prometeu colocar fim a “50 anos de anarquia”. Para tanto, suprimiu os direitos constitucionais e manteve controle direto das Forças Armadas. Ele seria eleito outras sete vezes: 1958, 1963, 1968, 1973, 1983 e 1988.

No aspecto econômico, seu mandato foi marcado por dois fatores: a transformação do país em um porto seguro do comércio de produtos contrabandeados, atividade que se tornou uma das principais fontes de riqueza paraguaia; e a inauguração da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, projeto que empreendeu em conjunto com o governo brasileiro.

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Em 3 de fevereiro de 1989, após 35 anos no poder, o general foi derrubado por um golpe de Estado liderado por seu sogro, o general Andrés Rodríguez. Acabou fugindo para o Brasil, onde obteve asilo, e passou o resto de seus dias em Brasília, onde morreu em 16 de agosto de 2006.

Instabilidade

O Paraguai, por sua vez, não encontrou estabilização política após a saída do ditador. Ocorreram duas tentativas de golpe de Estado, uma contra Juan Carlos Wasmosy, em 1994, e outra contra Raúl Cubas, em 2000 – seu vice, Luis Maria Argaña, foi assassinado.

Em 2012, o ex-bispo Fernando Lugo, presidente com ampla minoria no Congresso, foi deposto por uma aliança entre Colorados e Liberais Radicais, seus ex-apoiadores - Federico Franco tomou seu lugar. A medida foi considerada um golpe pelos demais vizinhos sul-americanos, principalmente pelo fato de que Lugo nã'o teve amplo direito à defesa. Em consequência, o Paraguai foi suspenso da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e do Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul) até a posse de um presidente democraticamente eleito.
Fonte: Opera Mundi

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