sábado, 24 de agosto de 2013

1981 - Assassino de John Lennon é condenado nos EUA

Em 24 de agosto de 1981, o norte-americano Mark David Chapman é condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato do músico inglês John Lennon, pena que cumpre até os dias de hoje e que pode ser transformada em pena perpétua. O ex-integrante dos Beatles, ativista político e considerado um símbolo do pacifismo, foi morto em 8 de dezembro de 1980, em Nova York, em frente ao edifício Dakota, prédio onde morava, quando voltava do trabalho para casa ao lado de sua esposa, Yoko Ono.

Chapman cometeu o assassinato por volta das 23 horas, em uma segunda-feira. O músico levou cinco tiros, sendo quatro deles nas costas com um revólver calibre 38. No mesmo dia, Lennon havia autografado para ele uma cópia de seu último álbum, Double Fantasy – um fotógrafo chegou a registrar a cena (foto abaixo). O ex-beatle chegou morto ao hospital Luke’s Roosevelt.

Wikimedia Commons


Na ocasião, sua equipe de defesa tentou provar, baseando-se em testemunhas, que Chapman sofria de insanidade, não sendo responsável por seus atos. Chapman não aceitou a orientação e enfrentou o julgamento alegando ser culpado.

Pela sentença, Chapman deveria passar pelo menos 20 anos na prisão – etapa cumprida em 2000 – realizando tratamento para saúde mental. Depois, deveria ser submetido a exames que mostrassem que estava apto a conviver em sociedade. Todos os pedidos desde então por sua liberdade, refeitos a cada dois anos, têm sido negados.  A viúva de Lennon, Yoko, se opõe veementemente à possibilidade de Chapman ser posto em liberdade, alegando que ele ainda constitui um perigo para ela e seus dois filhos com Lennon.
Até 2012, ele se encontrava no presídio de segurança máxima Wende, no estado de Nova York, sendo transferido para uma instalação adjacente na cidade de Buffalo.

As motivações

Durante anos, Chapman alegou motivos religiosos e filosóficos para justificar o crime. Em cartas escritas em 1983 a Stephen Spiro, o policial que o prendeu, o assassino afirmava que seu “depoimento” estava todo contido na obra mais famosa do escritor J. D. Sallinger, “O Apanhador nos Campos de Centeio”. Como o protagonista, Chapman dizia odiar falsidade, e considerava Lennon um hipócrita.

Reprodução/Anne Leibovitz - Wikimedia Commons
 Também disse depois ter se sentido ofendido quando Lennon soltou a polêmica frase de que “era mais famoso que Jesus Cristo”, para ele uma blasfêmia. “Sim, Lennon era um hipócrita do mais alto grau, mas havia outros que podiam – e teriam – servido o mesmo objetivo”. Ele fazia referência a outras personalidades, como o apresentador de TV Johnny Carson, a atriz Elizabeth Taylor e a magnata Jackie Onassis, entre outros, afirmando que poderia tê-los matado também. Lennon, por sua vez, lhe parecia “um alvo mais fácil”. Morando em Honolulu, no Havaí, viajou para Nova York com essa meta em mente.

 [Foto de John e Yoko tirada exatamente no dia da morte do músico]

Chapman tinha certa obsessão pelo livro de Salinger. No dia da morte de Lennon, comprou uma cópia do livro, na qual escreveu “Esta é a minha declaração”, assinando como Holden Caulfield (a personagem do adolescente perturbado criada por Salinger). Após alvejar o ex-Beatle, esperou pela polícia lendo o livro na própria cena do crime.

Arrependimento

No entanto, em uma audiência realizada em 2010, voltou atrás afirmando que seu real objetivo era tornar-se famoso, virar uma celebridade. “Senti que, matando John Lennon, me tornaria alguém. Em vez disso, tornei-me um assassino, e os assassinos não são alguém”. Também reconheceu ter tomado “uma decisão horrível”. "Na altura achava que graças ao crime ficaria famoso, deixaria de ser um zé-ninguém".

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