quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Entre a aldeia e a cidade

Portal desenvolvido por ONG reúne mais de 200 artigos escritos por indígenas para ajudar professores a trabalhar com o tema em sala de aula

Gabriela Nogueira Cunha
28/8/2013
  • Foto: portal Índio Educa
    Foto: portal Índio Educa

    “O índio descobriu primeiro”. Este é o título de um dos muitos artigos que compõem o site Índio Educa, projeto desenvolvido pela ONG Thydewá e formado por um time de universitários indígenas de diferentes etnias e regiões do Brasil. A ideia surgiu em 2008 e hoje o portal já conta com cerca de 200 textos escritos por eles, que ajudam recontar a história, indo de encontro com versões mais tradicionais. Aqui, a resposta para a famosa pergunta “Quem descobriu o Brasil?” é outra.
    Em 2008, impulsionados pela Lei 11.645 – que torna obrigatório o ensino das Histórias Afro-Brasileira e Indígena no currículo oficial da rede de ensino –, o pessoal da organização Thydewá começou a reunir jovens interessados em produzir material que servisse de apoio a professores e alunos. Em 2011, o portal Índio Educa estava pronto para seu lançamento. Para o presidente da ONG, Sebastian Gerlic, “a época do índio sem voz está terminando”.
     A plataforma online tem o objetivo de produzir material educativo, tentando desconstruir alguns preconceitos como a ideia de que índios ainda vivem nus. “O portal responde às perguntas formuladas na cabeça das pessoas que, desde quando se ouvia falar de índio, condicionavam (e ainda condicionam) o estereotipo de indígena”, explica Hemerson Dantas, colaborador da Aldeia Pataxó de Pau Brasil.
    “O Índio Educa é destinado a professores, que podem utilizar livremente o conteúdo lá contido em suas aulas para que os alunos entendam o indígena da maneira mais real possível. Pensando assim, nada melhor do que o próprio índio contando sua história, ou seja, sendo protagonista”, conclui Hemerson.
    Foto: portal Índio Educa
    Foto: portal Índio Educa
    Creative Commons
    O conteúdo do site encontra-se em formato de Recurso Educacional Aberto, com licença Creative Commons. O que significa que o material pode ser utilizado e modificado por outras pessoas, como professores que queiram montar um conteúdo didático próprio. Segundo o estudante de História Alex Makuki, um dos gestores do Índio Educa, qualquer um pode se tornar colaborador. “Quem posta no portal são os cinco indígenas que fazem parte da gestão e mais outros colaboradores. Nós recebemos artigos, fotos e textos e damos todos os créditos ao autor”.
    Sobre a gama variada de temas abordados no site, como as moradias indígenas, Makuki reafirma a necessidade da desmistificação de certos conceitos enraizados pelo senso comum, como a ideia de casa de índio é sempre de palha.  “Cada texto postado no portal tem uma pitada de senso critico, no sentido de contar uma história partindo do ponto de vista dos povos indígenas.”
    Para a pesquisadora Simone de Athayde, do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA), iniciativas como esta são de extrema relevância para o estudo e ensino da História do Brasil. “No caso dos povos indígenas, ouvir a história contada por eles vem a enriquecer o nosso conhecimento, e considerar que a nossa história se inicia bem antes do ‘descobrimento’ em 1500. Acho que além de iniciativas como este site, deveríamos incluir mais abordagens como estas nas aulas e nos livros didáticos utilizados em escolas publicas e privadas no Brasil”, conclui.

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