segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O GLOBO lança acervo digital com 88 anos de História


Reprodução da capa do site do Acervo Foto: Reprodução
Reprodução da capa do site do AcervoREPRODUÇÃO

RIO - Quando chegou às bancas no início da noite de 29 de julho de 1925, O GLOBO trazia a manchete “Voltam-se as vistas para a nossa borracha!” e mais uma penca de assuntos em sua primeira página: a descoberta de arquivos secretos sobre a queda do Império, o “assombroso augmento dos automóveis” e a façanha de três jovens que tentavam atravessar o Canal da Mancha a nado. Sim, os jornais eram, em sua maioria, vespertinos, e empilhavam, na capa, muitas notícias misturadas, uma rara foto ou outra e algumas ilustrações. Bem diferente do moderno jornalismo, que pode ser lido no papel, no computador, no tablet ou no celular. Agora, as páginas do tempo em que arquivo se escrevia com “ch” também estão ao alcance de um clique: o site Acervo O GLOBO permitirá ao internauta navegar pelas edições do jornal desde sua fundação. E consultar tanto as páginas quanto as matérias ou artigos, que foram digitalizados um a um. No total, são mais de 11 milhões de documentos, entre páginas e artigos. E é muito fácil navegar pelo acervo.

— Desde o início do projeto, em 2011, não queríamos apenas entregar a digitalização do acervo, mesmo sabendo que seria um rico material de pesquisa. Fomos além, indexando todo o conteúdo por matérias, trazendo inúmeras alternativas, para que os usuários possam ter uma experiência única, simples e de grande utilidade. Foram mais de 125 profissionais envolvidos. Estamos orgulhosos e felizes. Será um presente para nossos assinantes e uma oportunidade enorme para os que têm interesse em conhecer, através desse conteúdo de alto valor, fatos atuais e históricos do Rio, do Brasil e do mundo — afirma o diretor-geral da Infoglobo, Marcello Moraes.


Consultando o Acervo, será possível saber que ruas malconservadas já preocupavam os cariocas em 1925. Tanto que, em sua estreia, O GLOBO fez mais do que denunciar o recapeamento ineficiente. Simplesmente contratou uma equipe para tapar provisoriamente uma cratera no Engenho Novo, chamada, ironicamente, na manchete, de “S.M. o rei dos Buracos” (S.M. quer dizer Sua Majestade). Esse DNA carioca, que nasceu com o jornal, inspirou uma das seções do Acervo. Em Rio de Histórias, o internauta poderá saborear episódios da vida da cidade da década de 1920 até os dias de hoje. Os fatos foram selecionados por um time de jornalistas e colunistas da casa: Luiz Paulo Horta, George Vidor, João Máximo, José Casado, Zuenir Ventura, Artur Xexéo, Arthur Dapieve, Flavia Oliveira, Ancelmo Gois e Agostinho Vieira. E os curadores foram buscar tanto um Rio idílico — como o Píer de Ipanema, lembrado por Xexéo — quanto dramático. Ancelmo citou a morte de Tim Lopes, e Zuenir, a assinatura do AI-5.

— O Acervo O GLOBO nasce dinâmico e se renovará diariamente como documento vivo da História, tal qual o jornal. Além da busca por fatos, será possível compartilhar frases de personalidades, acessar fotogalerias e saber mais sobre a História do Rio de Janeiro. Queremos, dessa forma, ampliar o acesso da sociedade a esse conteúdo histórico e privilegiar a experiência dos leitores — diz a diretora da Unidade o GLOBO, Sandra Sanches.

Além de Rio de Histórias, o site Acervo O GLOBO tem outras cinco seções: Em Destaque, Charges e Humor, Fatos Históricos, Frases e Fotogalerias. Elas contemplam as mais de 1 milhão e 700 mil páginas e 9,2 milhões de artigos, ao longo dos 88 anos do jornal. Esse material foi digitalizado de agosto de 2011 a abril de 2013. O diretor de Redação do GLOBO, Ascânio Seleme, destaca:
— Estamos oferecendo aos leitores 88 anos de História, contada diariamente com riqueza de detalhes. A partir de hoje, o leitor poderá navegar pelo acervo que O GLOBO construiu em oito décadas de intensa e dedicada cobertura jornalística.

Em Destaque é a seção “viva” do Acervo: ela servirá para conectar os fatos do dia a dia com o material do arquivo do jornal. Com isso, o leitor poderá lembrar que, já nos anos 50, eventos católicos mobilizavam a cidade: o Congresso Eucarístico Internacional, em 1955, reuniu milhares de fiéis na área onde hoje existe o Aterro do Flamengo. Em Charges e Humor, o melhor da produção de chargistas, cartunistas, desenhistas e humoristas que passaram — e ainda passam — pelas páginas do GLOBO. Na estreia do jornal, em 1925, a primeira charge, de Raul Pederneiras, já lamentava o déficit das contas públicas. De lá para cá, craques como Theo (que retratou Getúlio Vargas como ninguém), Otelo, Henfil, Marcelo Monteiro, Lan, Aroeira e Miguel Paiva, entre outros, dão o ar de sua graça em centenas de trabalhos. Chico Caruso mostra o melhor de sua produção, desde sua chegada ao jornal, em 1984.

Fatos Históricos oferece um resumo do que aconteceu no país e no mundo nestes 88 anos, com perspectiva jornalística. Estão lá as guerras; as grandes conquistas tecnológicas; os artistas, filmes, livros e músicas que fizeram sucesso em quase um século de História. Os eventos esportivos e as grandes transformações da economia também aparecem nessa seção. Em Frases, fica um apanhado do que personalidades disseram no GLOBO. São tiradas de escritores como João Ubaldo Ribeiro e Luis Fernando Verissimo — ambos colunistas da casa — pérolas de políticos, pensamentos de intelectuais e artistas. Em Fotogalerias, estão reunidas séries de fotos, que tratam de assuntos variados. O acervo terá acesso gratuito por tempo limitado.


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