quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ONU e Parlamento britânico freiam planos dos EUA para intervenção na Síria

Agência Efe
A intervenção dos Estados Unidos na Síria, prevista para esta quinta-feira (29/08) segundo a imprensa norte-americana, encontrou dois empecilhos nesta quarta, depois que a reunião do Conselho de Segurança da ONU terminou sem decisão sobre o pedido de apoio do Reino Unido para uso da força no país. Além disso, o jornal britânico The Guardian informa que lutas internas no Parlamento do país europeu também incitam o presidente Barack Obama a adiar seus planos.

Fontes diplomáticas confirmaram que a reunião do Conselho de Segurança realizada hoje foi marcada pela falta de consenso entre os cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China. Segundo a Agência Efe, representantes de Pequim e Moscou, aliados do regime de Bashar al-Assad, deixaram a sala “após concluir o encontro”, enquanto os outros embaixadores permaneceram reunidos.

[O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fala na Holanda sobre a situação na Síria]

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse hoje na Holanda que os inspetores enviados à Síria precisam de quatro dias para concluir a investigação sobre o ataque com armas químicas da última quarta-feira (21), denunciado pelos rebeldes. Depois, eles deverão preparar e apresentar um relatório ao Conselho de Segurança.

Leia mais:
Síria responde ameaças de invasão: “vamos nos defender e surpreender o mundo”

Ban afirmou que sua responsabilidade "neste momento é dirigir e completar a investigação" da ONU em Damasco e não quis especular sobre uma possível resposta da comunidade internacional ao suposto ataque químico.

Leia mais:
Roteiro de guerra na Síria segue trama de filme B

O Reino Unido, por meio de documento, já apontou o “fracasso do Conselho de Segurança da ONU nos últimos dois anos em tomar uma ação conjunta em resposta à crise na Síria". Na moção, que deve ser apresentada amanhã, os britânicos dizem que “todo esforço deve ser feito para assegurar uma resolução apoiando a ação militar antes que essa ação seja tomada” e prometem consultar o Parlamento antes de aprovar o “envolvimento direto” do país em uma intervenção na Síria. 
O Departamento de Estado dos EUA, por sua vez, afirmou na tarde desta quarta-feira que, com a oposição da Rússia a uma intervenção na Síria, não acredita que o Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiará uma resolução quanto às denúncias contra o governo de Assad.

"O Conselho de Segurança deveria assumir suas responsabilidades, condenar esses atos [ataques com armas químicas] e cobrar uma resposta internacional robusta, mas todas as tentativas anteriores para que o Conselho aja foram bloqueadas pela Rússia", criticou a porta-voz Marie Harf.

Em sua entrevista coletiva diária, Harf disse que está claro que a Síria violou as leis internacionais que regulamentam guerras ao utilizar armas químicas em grande escala, mas não comentou sobre uma possível intervenção dos EUA e de aliados no país, mesmo com oposição da ONU.

Parlamento britânico 

Além da falta de decisão do Conselho de Segurança, problemas políticos internos do Reino Unido, aliado dos EUA, podem levar a um adiamento da ação dos norte-americanos na Síria, uma vez que ficou claro hoje que o Parlamento não chegará a uma decisão sobre uma possível intervenção antes da próxima semana, segundo o Guardian.

O primeiro-ministro, David Cameron, anunciou que, além da votação de emergência prevista para amanhã na Câmara dos Comuns, os membros do Parlamento deverão votar novamente sobre a resposta do Reino Unido ao suposto ataque químico em Damasco depois que os inspetores da ONU apresentarem um relatório ao Conselho de Segurança.

Agência Efe

Manifestantes no Reino Unido protestam contra possível intervenção do país na Síria; Câmara dos Comuns deve votar amanhã 

A decisão ocorreu após o Partido Trabalhista, de oposição, ter dito que se oporia no Parlamento à resolução do governo sobre uma resposta militar à Síria se não fosse respeitado o tempo necessário aos inspetores da ONU na Síria. A oposição dos cidadãos britânicos a essa ação também vem crescendo nos últimos dias.

Segundo fontes citadas pelo Guardian, os EUA devem adiar os planos de intervir na Síria pelo menos até terça-feira que vem (03/09), quando Obama deve partir para a reunião do G20 na Rússia. Desse modo, Cameron teria tempo suficiente para impedir uma crise entre a oposição e a coalizão conservadora da qual faz parte.

Ainda de acordo com o jornal, EUA e Reino Unido devem publicar em conjunto nesta quinta-feira um resumo das inteligências, no qual apontam que a responsabilidade pelo ataque com armas químicas foi do governo de Assad. O comunicado seria um esforço para conquistar mais apoio às medidas punitivas à Síria.
Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: