sábado, 28 de setembro de 2013

1066 – Guilherme II, o Conquistador, inicia invasão normanda da Inglaterra

A conquista normanda da Inglaterra foi a invasão e ocupação ocorrida no século XI iniciada em 27 de setembro de 1066 por um exército formado de normandos, bretões e franceses comandado pelo duque Guilherme (ou William) II da Normandia.

WikiCommons - Tapeçaria de Bayeux
Guilherme derrotou Haroldo II da Inglaterra na batalha de Hastings em 14 de outubro de 1066. Foi coroado rei no Natal daquele ano. Consolidou seu controle sobre o país, estabelecendo muitos de seus seguidores, o que supôs a introdução de mudanças políticas, econômicas e sociais.

Ele reivindicou o trono inglês amparando-se em seu parentesco com o rei anglo-saxão Eduardo o Confessor, morto em princípios de 1066. A circunstância deste não ter descendência alentou o desejo do normando de conseguir sua entronização.

Eduardo, que tinha passado muitos anos no exílio na Normandia, assumiu o trono inglês em 1042. Isto o levou a criar um grande interesse normando pela política inglesa e Eduardo buscou apoio em seus antigos anfitriões e se cercou de cortesãos, soldados e clérigos normandos, nomeando-os para postos de importância. Sem filhos e envolvido num conflito com o poderoso Godwin de Wessex, Eduardo pode ter estimulado as ambições do duque Guilherme da Normandia ao trono inglês.

Houve disputa sucessória entre numerosos aspirantes. O sucessor imediato de Eduardo era Haroldo Godwinson, conde de Wessex, o aristocrata mais rico e poderoso da Inglaterra, eleito rei pelo Witenagemot da Inglaterra e coroado pelo arcebispo de York, Aldred.

Contudo, Haroldo foi desafiado por dois poderosos pretendentes. O duque Guilherme afirmava que o rei Eduardo lhe havia prometido o trono e que Haroldo jurara aceitar. Harald III da Noruega, conhecido como Harald Hardrada, também impugnou a sucessão. Sua pretensão se baseava em um acordo entre seu predecessor, Magnus I, e o anterior rei da Inglaterra, Canuto Hardeknut, que, se morresse sem herdeiro, permitia ao outro herdar Noruega e Inglaterra. Tanto Guilherme quanto Harald prepararam suas tropas e barcos para a invasão.

Harald invadiu o norte da Inglaterra em setembro de 1066, conquistou a vitória na Batalha de Fulford antes de ser derrotado por Haroldo na Batalha de Stamford Bridge em 25 de setembro desse ano.
No entanto, Guilherme havia desembarcado no sul e Haroldo marchou rapidamente para enfrentá-lo. Em 14 de outubro ambas as forças se chocaram perto de Hastings. Haroldo foi derrotado e morto em combate.

Embora tenha eliminado seu principal rival, Guilherme teve de afrontar numerosas rebeliões e só em 1072 viu consolidado seu poder. A resistência inglesa levou a que grande parte da elite britânica perdesse suas terras e tivesse de exilar-se. Com o fim de controlar o reino, Guilherme deu terras aos seus próximos, e construiu castelos e fortalezas por todo o país.

Wikicommons - trecho da Tapeçaria de Bayeux

Tapeçaria de Bayeux mostra chegada de tropas normandas à Inglaterra

Os conquistadores introduziram a língua francesa e remodelaram a composição das classes altas. Não está claro até que ponto esta conquista influiu no povo inglês, mas uma mudança importante foi a abolição da escravatura, que pode ou não ser debitado à invasão.

Houve poucas mudanças na estrutura de governo, pois os normandos adotaram o modelo de domínio anglo-saxão.

Os normandos – 8 mil segundo os historiadores, e isto somando-se oriundos de outras regiões da França - eram poucos comparados com os nativos. Os seguidores de Guilherme esperavam ser recompensados com terras por serviços prestados durante a invasão.

No entanto, o rei reivindicou a posse de todas as terras inglesas sobre as quais seu exército tinha o controle de facto e afirmou o direito de dispor delas à vontade. As terras foram distribuídas de maneira pouco sistemática, sem divisão regular nem terrenos agrupados ou contíguos. Um senhor normando típico possuía terras dispersas pela Normandia e Inglaterra, em vez de um único bloco geográfico.

Para recompensar os seus, Guilherme confiscou inicialmente as propriedades dos senhores que lutaram e morreram junto a Haroldo e as redistribuiu em parte.

Estes confiscos provocaram revoltas que redundaram em mais confiscos, um círculo que não se rompeu nos cinco anos subsequentes à Batalha de Hastings. Para sufocar e evitar novas revoltas, os normandos construíram castelos e fortificações em número sem precedentes.

O historiador Robert Liddiard ressaltou que “ao lançar-se uma vista geral à paisagem de Norwich, Durham ou Lincoln o observador vê-se obrigado a recordar o impacto da invasão normanda”. Guilherme e seus barões exerceram também um controle mais estrito sobre as heranças propriedade de viúvas e filhas, em muitas ocasiões forçando casamentos com normandos.

Uma demonstração do êxito de Guilherme é que, desde 1072 até a conquista da Normandia pela dinastia dos Capetos em 1204, Guilherme e seus sucessores foram governantes frequentemente ausentes da Inglaterra. Como exemplo, depois de 1072 Guilherme passou mais de 75% de seu tempo na França, visto que, enquanto necessitava estar presente na Normandia para defender seus domínios da invasão estrangeira e sufocar revoltas internas, na Inglaterra foi capaz de criar estruturas administrativas reais que lhe permitiram governá-la à distancia.

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