segunda-feira, 23 de setembro de 2013

1945 - General Patton comete gafe que o tiraria da Segunda Guerra


General George S. Patton, um dos principais estratégistas da 2ª Guerra, em carreata em Los Angeles
O general George Smith Patton era amado e odiado pelos seus soldados. Amado por tratar-se de um guerreiro e estrategista nato; odiado pelo fato de ser rígido ao ponto de não admitir que seus soldados sofressem fadiga de batalha. Patton também era famoso por não ter papas na língua, o que lhe causou muitos problemas.
No dia 22 de setembro de 1945, em uma coletiva aos correspondentes da Segunda Guerra, o general diz que não ver necessidade nessa "coisa de desnazificação" e compara a controvérsia sobre o nazismo a uma "luta eleitoral entre democratas e republicanos". Uma vez mais, Patton metia os pés pelas mãos —seria a última.
Descendente de uma longa linhagem de militares, Patton graduou-se na Academia Militar de West Point em 1909 e serviu no Corpo de Tanques durante a Primeira Guerra Mundial. Como resultado dessa experiência, tornou-se um entusiasta defensor da Guerra de blindados. Durante a Segunda Guerra Mundial, como comandante do 7º Exército, capturou Palermo, Sicília, em 1943 exatamente por esse meio. A audácia de Patton tornou-se evidente em 1944, quando, como comandante do 3º Exército, invadiu boa parte do norte da França valendo-se de estratégia pouco ortodoxa e implacável.
Era um homem cheio de extravagâncias: falava francês, fazia poesias e gostava de desenhar seus uniformes, usava uma pistola Colt 45 com cabo revestido de marfim e suas iniciais gravadas em preto. Acreditava em reencarnação. Jurava ter lutado em Troia, tomado parte das legiões romanas de Júlio César contra Vercingetórix, ter sido o comandante cartaginês Aníbal e ter participado das guerras napoleônicas.

A história do general virou filme em 1970; 'Patton: rebelde ou herói?' rendeu o Oscar ao ator George C. Scott
A língua ferina de Patton, no entanto, provou-se tão perigosa para a sua carreira quanto os alemães. Quando repreendeu e estapeou um soldado hospitalizado, diagnosticado com neurose de Guerra, a quem acusou de “se fazer de doente”, Patton teve sua cabeça pedida pela imprensa. O general pensou que seria retirado da ativa, não fosse a intervenção dos generais Dwight Eisenhower e George Marshall. Após meses de inatividade, voltou ao campo de batalha. 
De fato, na Batalha da Bélgica, durante a qual foi bem-sucedido em empregar uma estratégia complexa e engenhosa, conseguiu contornar o avanço alemão em Bastogne, empreendendo uma contra-ofensiva, empurrando os germânicos para leste cruzando o Reno até atingir a Tchecoslováquia.

Patton teve mais uma chance de exibir sua astúcia na Batalha das Ardenas, na fronteira da Bélgica com a Alemanha. Durante cinco dias, os alemães isolaram 18 mil soldados americanos na cidade de Bastogne. Patton foi convocado para salvá-los. Em apenas três dias, resgatou os compatriotas. 
O destino seguinte era o coração da própria Alemanha. Quando cruzou o Reno, Patton violou novamente ordens que proibiam o 3º Exército de atravessar o rio. Uma noite, ouvindo uma transmissão da BBC, escutou um discurso de Churchill atribuindo ao britânico General Montgomery a façanha de ser o primeiro militar a atingir o Reno. Patton enfureceu-se e, diante dos auxiliares, arriou as calças e urinou no Reno gritando: Eu fui o primeiro!
Patton possuía muitos dons, contudo a diplomacia não era um deles. Após a Guerra, estacionado na Alemanha, criticou o processo de “desnazificação” e a remoção de antigos membros do partido nazista de posições políticas administrativas e governamentais. No entanto, as declarações politicamente incorretas resultaram na sua destituição do cargo de comandante dos Estados Unidos na Baviera. Foi transferido para o 15º Agrupamento, como forma de punição, o que marcou o fim de sua participação na Segunda Guerra. Em dezembro de 1945 quebrou o pescoço num acidente de carro que o deixou tetraplégico, vindo a falecer menos de duas semanas depois, aos 60 anos.
Fonte: Opera Mundi

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