sábado, 7 de setembro de 2013

1986 - Ditador Augusto Pinochet escapa de atentado no Chile

O general Augusto Pinochet, chefe da ditadura militar no Chile, sofre em 7 de setembro de 1986 um atentado armado em Las Achupallas, a 40 quilômetros de Santiago, quando regressava de sua casa de campo em El Melocoton.

O ataque, levado a cabo pelo agrupamento guerrilheiro FMPR (Frente Patriótica Manuel Rodriguez), terminou com cinco mortos e 11 feridos. No entanto, a FPMR não alcançou seu objetivo principal de eliminar o ditador.

A FPMR decidiu, no final de 1984, planejar um atentado para matar o general Pinochet. A ação foi denominada “Operação Século XX” e estaria sob o comando de José Valenzuela, o comandante Ernesto, membro da direção nacional.

Os dirigentes comunistas, férreos opositores de Pinochet, e os poucos que sabiam da operação, diziam que “1986 seria decisivo na luta contra a ditadura”.  Formou-se um grupo operativo comandados por Valenzuela e Cecília Magni que recebeu treinamento militar em Cuba para tal objetivo.

Wikimedia Commons

O ditador Augusto Pinochet durante desfile em comemoração ao oitavo ano do Golpe Militar, em 1981

A conformação do grupo que participaria do atentado ficou inteiramente a cargo da FPMR. Entretanto, as fortes medidas de segurança da ditadura dificultavam as tarefas de treinamento e logística dentro de território nacional.

A Operação Século XX ou Pátria Nova foi levada a cabo por uma vintena de membros da organização. Apesar de se ter acusado a FPMR de ter recebido armamento de Cuba trazido em barcos pesqueiros e desembarcado num ponto da costa norte do país, os próprios organismos de segurança da ditadura comprovaram a preparação local do atentado.

Pinochet costumava passar os fins de semana em sua casa de campo junto com parte da família e protegido pela escolta. Decidiu-se então que o atentado se daria durante o trajeto de regresso a Santiago.

Inicialmente se planejou executar o atentado colocando explosivos na rodovia na altura do autódromo de Las Vizcachas, mas a ideia foi afastada porque o explosivo que seria utilizado foi confiscado pela polícia quando foram descobertos os arsenais clandestinos de Carrizal Bajo.

Há outra versão de que o ataque com explosivos foi descartado devido à configuração do comboio que protegía Pinochet, que incluía automóveis blindados similares e de vidros escuros. Se se acrescentar a alta velocidade com que a comitiva se deslocava haveria demasiada incerteza quanto ao momento de acionar o explosivo o que aumentaria as possibilidades de fracasso.

Finalmente optou-se por uma emboscada em Cuesta Las Achupallas. Cesar Bunster e Cecília Magni se encarregaram em alugar uma casa nas redondezas onde se reuniu a totalidade da equipe e veículos que seriam utilizados na operação.

O lugar do atentado foi minuciosamente selecionado. Em um dos lados da estrada havia uma colina que dominava a rodovia. Do outro, no mesmo ponto, um barranco de 20 metros de altura. Os acidentes geográficos dificultariam a proteção, as manobras e a retirada da escolta de Pinochet. Um veículo com um trailer acoplado bloquearia qualquer possível saída.

O atentado estava planejado para o domingo, 31 de agosto de 1986, fim da tarde. Todavia, na noite anterior faleceu o ex-presidente Jorge Alessandri e Pinochet decidiu regressar a Santiago na madrugada do dia anterior, o que não estava previsto.
Wikimedia Commons - logo da FPMRNo domingo seguinte, 7 de setembro, cerca das 18h20 duas participantes do ataque alojadas em San Jose de Maipo, à margem da estrada, comunicam-se telefonicamente com o comandante Ernesto informando que a comitiva presidencial estava passando naquele momento diante delas. Imediatamente o grupo guerrilheiro se dirige ao local da emboscada.

Às 18h35 horas, a comitiva presidencial chegava ao ponto do atentado. Em Cuesta Las Achupallas foi interceptada por um grupo de guerrilheiros que, depois de deixar passar os dois motociclistas batedores dos Carabineiros, obstruí o trânsito com o veículo com trailer. O comboio é obrigado a reduzir a marcha e imediatamente abre-se fogo contra o primeiro automóvel. Os carros se aproximam e outros dois grupos de guerrilheiros começam os disparos. A escolta não conseguia comunicar-se com outras unidades policiais e militares em busca de reforço.

O carro onde viajavam Pinochet e seu neto, numa ágil manobra do motorista, gira no sentido de retornar a El Melocotón, recebendo ainda o impacto de um foguete. Conseguem escapar apenas com leves ferimentos. Cinco escoltas morreram e 11 resultaram feridos. O atentado durou entre 5 e 6 minutos.

Cessado o tiroteio, o pessoal da FPMR, certo de ter alcançado seu objetivo, abandona o local, posta-se em seus veículos com as janelas abertas e as armas para fora, fazendo-se passar por gente de Pinochet. Conseguem, dessa forma, burlar a polícia e chegar a Santiago, refugiando-se em diferentes casas de segurança.

Imediatamente depois do atentado, o governo decreta o estado de sítio e inicia uma frenética busca dos responsáveis pelo atentado. Alguns veículos são localizados e somente Cesar Bunster é identificado, mas ele já se encontrava no exterior. A onda repressiva prende Ricardo Lagos, Germán Correa e Patrício Hales entre outros. Várias pessoas foram assassinadas durante a noite pela polícia política, uma delas o jornalista José Carrasco.

Segundo experts da CIA e do próprio governo cubano, o fracasso do atentado se deveu a que primeiro se atacou com fuzilaria e posteriormente com material explosivo quando deveria ter sido o contrário. Outro grande erro foi o uso do lança-foguetes americano LAW disparados a curta distância o que impediu que tivesse distância suficiente para penetrar no auto blindado onde viajavam Pinochet e seu neto.
Fonte: Opera Mundi

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