quinta-feira, 19 de setembro de 2013

96 - Assassinato do imperador romano Domiciano marca fim da Dinastia Flávia


Tito Flávio Domiciano, conhecido como Domiciano, reinou sob o Império Romano de 14 de outubro de 81 até seu assassinato em 18 de setembro de 96. Foi o último imperador da Dinastia Flávia, que reinou sobre o Império desde o ano 69, abarcando o reinado de seu pai, Tito Flávio Vespasiano (69-79), de seu irmão mais velho, Tito (79-81) e finalmente o seu próprio (81-96), dando início à Dinastia Ulpio-Aelia, que começaria com a nomeação de Nerva no mesmo dia da morte do imperador.

Os triunfos do irmão Tito marcaram a juventude e o início de sua carreira, já que aquele alcançou considerável renome militar durante as campanhas na Germânia e na Judeia nos anos 60. Seu pai Vespasiano foi coroado imperador em 21 de dezembro de 69, depois de um intenso ano de guerras civis, conhecido como o Ano dos Quatro Imperadores. À época que seu irmão gozou de poderes semelhantes aos do pai, Domiciano foi recompensado com honras nominais que não implicavam responsabilidade alguma.

Por ocasião da morte de Vespasiano, em 23 de junho de 79, Tito o sucedeu pacificamente, porém o reinado terminou abrupta e inesperadamente com sua morte por enfermidade ocorrida em 13 de setembro de 81. No dia seguinte Domiciano foi proclamado imperador pela Guarda Pretoriana. Seu reinado, que duraria 15 anos, seria o mais longo desde o de Tibério.

Fontes clássicas o descrevem como um tirano cruel e paranoico, situando-o entre os imperadores mais odiados ao comparar sua vileza com as de Calígula ou Nero.

Todavia, a maior parte das afirmações acerca dele tem sua origem em escritores que lhe foram abertamente hostis: Tácito, Plínio o Jovem e Suetônio. Exageraram a crueldade do monarca ao fazer adversas comparações com os Cinco Bons Imperadores que o sucederam. A historiografia moderna o descreve como um autócrata impiedoso porém eficiente, cujos programas pacíficos, culturais e econômicos foram precursores do próspero século II em contraste com o turbulento crepúsculo do século I.

O imperador foi assassinado em consequência de uma conspiração palaciana urdida por cortesãos. Suetônio oferece uma detalhada descrição do homicídio, afirmando que o líder dos conspiradores era o fidalgo imperial Partênio. Este oficial se havia inimizado com o imperador em seguida à execução de seu secretari,o Epafrodito.

Os autores materiais do crime foram um liberto de Partênio, chamado Máximo, e Estevão, mordomo da sobrinha do imperador, Flávia Domitila. Não se definiu com total certeza a participação da Guarda Pretoriana, liderada por Norbano e Petrônio Segundo, embora se saiba que este último tinha conhecimento do complô.
A “História Romana” de Dion Cassio, escrita quase cem anos depois do delito, cita a viúva Domícia Longina entre os conspiradores. No entanto, a fé e a devoção que esta mulher sentia pelo marido, inclusive depois de sua morte, faz com que sua participação na conjura seja muito pouco provável.

Dión sugere que o assassinato teria sido um ato improvisado. Entretanto, os escritos de Suetônio implicam a existência de uma conspiração bem organizada. Na véspera do ataque, Estevão simulou uma lesão no braço esquerdo a fim de poder levar uma adaga debaixo das vendas com que cobria a fictícia ferida. No dia do assassinato foram cerradas as portas dos quartos dos serventes imperiais. O pessoal do imperador levara a espada que este ocultava debaixo de seu travesseiro. Segundo uma predição astrológica, o imperador acreditava que morreria ao meio-dia. No dia assinalado pelo astrólogo, perguntou a um mancebo a hora. O jovem, incluído no complô, lhe respondeu que era mais de meio-dia.

Wikimedia Commons

Inscrição com o nome de Domiciano apagado, comprovando sua damnatio memoriae

Aliviado, o imperador se dirigiu a seu gabinete onde tinha planejado firmar alguns decretos. De repente, Estevão, intendente de Domitila, acusado de malversação, dele se aproxima, pois lhe havia pedido uma audiência a fim de denunciar uma conspiração em curso. Introduzido em sua câmara, enquanto Domiciano lia a correspondência, fere-o no baixo ventre.

Estevão e o imperador continuariam lutando no chão até que o restante dos conspiradores conseguisse dominá-lo e assestar-lhe várias punhaladas. Um mês antes de cumprir 45 anos, Domiciano morria assassinado. Sem qualquer cerimônia, seu corpo foi arrastado e o cadáver cremado. Consumido pelo fogo, as cinzas foram misturadas com a de sua sobrinha Júlia e depositadas no Templo Flávio. Suetônio afirmou a existência de uma série de presságios que haviam previsto sua morte.

O Senado proclamou Nerva como o novo imperador no mesmo dia. Após a designação, o Senado emitiu um damnatio memoriae, literalmente “condenação da memória” sobre Domiciano: moedas com sua efígie, bustos e estátuas em sua homenagem foram fundidos, seus arcos derrubados e seu nome eliminado de todos os registros públicos. Ainda que a sucessão tenha se efetivado de maneira muito rápida, manteve-se latente o apoio das forças armadas ao recém falecido imperador. Por ocasião de seu falecimento, os militares pediram a sua deificação, e como medida de reparação exigiram a execução dos assassinos de Domiciano, a que Nerva se negou.
Fonte: Opera Mundi

Um comentário:

Paulo Jorge Ramos disse...

O imperador Vespasiano era milagreiro e Messias, de acordo com Josefo, Tácito e Suetónio:
http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2013/10/seculo-i-vespasiano-messias-e-milagreiro.html

Saudações
Paulo Ramos