quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Brasileiros não são tão diferentes quanto pensam

Identidades Nacionais nos Brasis Regionais foi o tema da conferência de abertura do II Congresso Internacional de História Regional que acontece até hoje (26/09) na UPF

Foto: Leonardo Andreoli
Congresso reúne pesquisadores de mais de 60 instituições de ensino superior
A ideia de que o povo brasileiro é muito distinto dependendo da região geográfica se disseminou e hoje muitos acreditam nisso. O que nem todo brasileiro sabe é que existem características tão marcantes da cultura que fazem com que baianos, gaúchos, paulistas ou sul-mato-grossenses sejam mais parecidos do que pensam. Esse foi o tema da conferência proferida pelo brasilianista Jeffrey Lesser, da Emory University (EUA), na abertura do II Congresso Internacional de História Regional que acontece na Universidade de Passo Fundo (UPF) até esta quinta-feira (26/09).
O pesquisador norte-americano integra um grupo que estuda o Brasil em diferentes aspectos e tem interesse, principalmente, nas questões étnicas e multiculturais do país e os brasileiros de origem estrangeira. “Por exemplo, em São Paulo e Paraná há centenas de milhares de brasileiros que são chamados de japoneses, o Rio Grande do Sul tem milhares de brasileiros chamados de alemães e pra nós chama muito a atenção o que isso quer dizer. Meus estudos são sobre as identidades dos brasileiros que são chamados por outras nacionalidades”, explicou.
Brasis regionais
Para Lesser as variações regionais das quais muito se fala não são tão intensas na realidade. “Como no Brasil a ideia de regionalismo é muito forte, o gaúcho se acha muito diferente do baiano, por exemplo. Às vezes as diferenças são bem menores do que as pessoas imaginam. Há um discurso de diferença que não condiz com a diferença de verdade”, acrescentou.
Entre as semelhanças citadas por ele está um discurso predominante da ideia de que ser estrangeiro é muito bom e ser brasileiro é problemático. Isso justifica, inclusive, a ideia de chamar um brasileiro de alemão, por exemplo, devido a sua descendência, de acordo com a tese de Lesser.  Outro aspecto nacional é a cultura ligada na aparência. “Isso chama muito a atenção para alguém dos Estados Unidos onde estamos muito fixados na pessoa não como ela parece. Fico muito impressionado como as pessoas se chamam de o careca, o gordo, o loiro, o branco, isso acontece em todo o Brasil e não é um fenômeno regional”, finalizou.
Abertura
O reitor da UPF José Carlos Carles de Souza participou da abertura do congresso e destacou a evolução tanto em número de participantes, quanto na qualidade dos trabalhos apresentados. “Temos reunidos na UPF os principais pesquisadores em áreas que abrangem o tema da história regional. Esse encontro entre estudantes da graduação e pós-graduação com pesquisadores experientes representa uma importante troca de experiências”, ressaltou. Para o professor José Carlos, o congresso é fundamental a fim de avançar em uma das principais metas da Instituição que é a de ampliar a internacionalização.
A diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UPF Rosani Sgari destacou a sensibilidade científica de todos os presentes e dos envolvidos na organização do Congresso. O professor Adelar Heinsfeld representou a comissão organizadora e destacou que o Congresso atingiu a marca de quase 400 trabalhos inscritos para serem apresentados, pesquisadores de 12 estados brasileiros e de mais de 60 instituições.
A abertura contou ainda com a presença da coordenadora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da UPF Rosa Kalil representando o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UPF, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História Ana Luiza Setti Reckziegel, e a coordenadora do curso de História Ironita Policarpo Machado.
Congresso
O II Congresso Internacional de História Regional é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História da UPF. A programação completa e outras informações podem ser conferidas no site www.upf.br/historiaregional.
 


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