quarta-feira, 16 de outubro de 2013

1973 – OPEP decide cortar exportação de petróleo para aliados de Israel

A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), dominada majoritariamente pelos países árabes, anuncia em 17 de outubro de 1973 a decisão de cortar a exportação de petróleo para os Estados Unidos e outras nações que forneceram ajuda militar a Israel na chamada Guerra de Yom Kipur de outubro de 1973.

De acordo com a resolução da OPEP, as exportações seriam reduzidas em 5% a cada mês até que Israel evacuasse os territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias de 1967. Em dezembro de 1961, um embargo total de envio de petróleo imposto contra os EUA e diversos outros países provocou uma séria crise energética nos EUA e em outras nações dependentes do petróleo estrangeiro.

A OPEP foi fundada em 1960 pela Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela com o principal objetivo de tentar controlar o preço do petróleo. Outras nações árabes e do Terceiro Mundo também produtoras de petróleo juntaram-se a ela nos anos 1960 e no começo dos anos 1970.

Na primeira década de sua existência, a OPEP teve pouco impacto no preço do petróleo, o que mudou no início da década de 1970 quando um forte incremento na demanda mundial por petróleo concomitante ao declínio na produção do “ouro negro” nos EUA deu-lhe peso e influência maiores.

Em outubro de 1973, estando os ministros da OPEP reunidos em Viena, o Egito e a Síria – nações não-membros da organização – lançaram um ataque conjunto a Israel. Após perdas iniciais no que ficou conhecida como a Guerra de Yom Kipur, Israel começou a recuperar o terreno perdido com a ajuda de uma ponte-aérea de armamentos organizada por Washington, bem como com a assistência militar da Holanda e da Dinamarca.

WikiCommons
Em 17 de outubro, a maré virou decisivamente contra o Egito e Síria e a OPEP decidiu valer-se da alta do preço do petróleo como uma ferramenta política contra Israel e seus aliados. Israel recusou-se a abandonar os territórios ocupados e o preço do óleo aumentou cerca de 70%.

Na conferência da OPEP em dezembro em Teerã, os preços do produto foram elevados em mais 130% e um embargo total nas exportações foi imposto aos EUA, Holanda e Dinamarca. Finalmente, o preço do óleo cru quadruplicou, provocando uma enorme crise energética nos EUA e na Europa que incluiu especulação de preço, escassez de gás e racionamento.

(Cartaz de posto de combustível norte-americano durante crise do petróleo)

Em março de 1974, o embargo contra os EUA foi levantado após o Secretário de Estado Henry Kissinger ter sido bem sucedido em negociar um acordo de retirada militar entre Israel e Síria. Os preços do petróleo, no entanto, permaneceram consideravelmente mais altos do que o padrão de meados de 1973.

A limitação da produção de petróleo determinada pela OPEP diversas vezes nos anos 1970 e 1980 fez com que o preço do óleo cru decuplicasse com relação aos valores de 1973.

No começo dos anos 1980, porém, a influência da OPEP no preço internacional do petróleo começou a declinar. As nações ocidentais passaram a explorar e utilizar com sucesso de fontes alternativas de energia como a nuclear e o etanol, além do que grandes e novos campos petrolíferos foram descobertos na América do Sul, na África, no norte da Europa em países não-membros da OPEP.

Todavia fatores politicos e estratégicos outros fizeram com que o preço do petróleo se mantivesse em níveis bastante elevados, em torno de 100 dólares o barril.


Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: