quinta-feira, 31 de outubro de 2013

475 - Rômulo Augusto é empossado como último imperador romano do Ocidente

Flavio Rômulo Augusto foi elevado ao trono de Roma por seu pai, Flávio Orestes, em 31 de outubro de 475, tendo sido o último imperador romano do Ocidente. O imperador do Oriente, Zenón, não o reconheceu.

A pressão do povo hérulo reclamando a entrega de terras do centro da Península Itálica provocou a queda de Rômulo pouco após a sua posse, quando ainda contava apenas 15 anos. Em seu lugar, o general dos hérulos, Odoacro, reclamou o trono e o tomou em 476, recluindo o imperador na baía de Nápoles. A partir de 476 perde-se o seu rastro histórico.

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Local de templo em homenagem a Flavio Rômulo Augusto


A deposição de Rômulo Augusto marca o fim do Império Romano, se bem que sua parte oriental sobreviveu até 1453, ano da queda de Constantinopla, do Império Bizantino. Com efeito, ainda que Odoacro tenha reclamado o trono da Itália, não mostrou interesse em preservá-lo, preferindo transferir o poder integral a Constantinopla.

Este episódio serviu como justificativa para os imperadores de Bizâncio considerarem-se os legítimos soberanos do Império Romano do Oriente e, eventualmente, tentarem a reconquista dos territórios ocidentais tomados pelos reinos bárbaros.

O depreciativo apelido com o qual é conhecido, Rômulo Augústolo, provém do sufixo latino ‘ulus’, um diminutivo. Portanto,  Augústulo significa literalmente 'Pequeno Augusto', no sentido de insignificante ou sem importância.
O Império Ocidental já era uma sombra do que havia sido. A autoridade imperial se havia retirado para as fronteiras italianas e o imperador oriental tratava seu colega ocidental como soberano de um Estado menor. Constantinopla assistiu ao golpe de Estado de Orestes e a subsequente transferência do poder para seu filho, com indiferença. Nem os generais Zenón e Basílisco o aceitaram como autoridade legítima.

Como o poder era controlado por seu pai, Rômulo não tomou nenhuma decisão nem construiu obras.

Meses depois que Orestes assumira o poder, uma coalizão de hérulos, ésciros e torcilíngios exigiram dele um terço das terras da Itália a fim de estabelecer-se como federados. Diante da recusa, as tribos se rebelaram sob o comando de Odoacro. Orestes foi capturado perto de Piacenza em 28 de agosto de 476 e, em seguida, executado.

Pouco depois, em 4 de setembro, obriga Rômulo a abdicar. A deposição de Rômulo não causou nenhuma interrupção significativa. Roma já havia perdido sua hegemonia sobre as províncias, pois os germanos dominavam os exércitos “romanos” e há muito tempo os generais bárbaros eram os verdadeiros detentores do poder. Roma e a Itália sofreriam devastações maiores durante o século seguinte, quando o imperador Justiniano I enviou suas tropas para reconquistá-las.

Depois da abdicação de Rômulo, o Senado romano reconheceu Zenón como único imperador. Odoacro, por seu lado, exigiu que se lhe outorgasse o posto de regente imperial, que foi aceita com a condição de que seria vigário do legítimo imperador do Ocidente, Julio Nepote.

No entanto, as relações com Constantinopla se deterioraram e, em 489, com o apoio do imperador Zenón, os ostrogodos, a mando de Teodorico o Grande, invadiram o reino de Odoacro, dizimaram seu exército, obrigando-o a render-se em 493. É morto por Teodorico, que assume o poder sobre a Itália.

O destino final de Rômulo é desconhecido. As fontes coincidem que ele esteve confinado em Villa Lucullana, num castelo antigo construído em suas origens pela família dos Scipiões em Nápoles. A partir deste ponto, os historiadores contemporâneos deixam de mencioná-lo.
Fonte: Opera Mundi

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