sexta-feira, 8 de novembro de 2013

1519 - Exército de Cortés chega a Tenochtitlán e é recebido com honras por Moctezuma

Em 8 de novembro de 1519, o conquistador espanhol Hernán Cortés e seu exército penetram em Tenochtitlán, capital do vasto Império Mexicano, sendo recebido com boas-vindas pelo imperador Moctezuma II. Foram alojados no palácio construído por Atzayacatl, apesar da manifestação popular contrária ao alojamento dos “aventureiros”. A ingenuidade ou covardia do imperador foi a causa da destruição das maravilhosas culturas que floresciam na Mesoamérica e da queda de Tenochtitlán.

Nessa época, Moctezuma, angustiado pelos mais sombrios presságios, encerrou-se durante dias no Gran Teocali, em jejum, oração e sacrifícios com seu próprio sangue. Mudando de atitude, enviou mensageiros para que convidassem Cortés a entrar no México. Os emissários aztecas recomendaram com insistência um caminho, porém Cortés desconfiou. Em carta que escreveu ao rei Carlos I revelou “como eu e os de minha companhia íamos em seu real serviço, Deus nos mostrou outro caminho, embora algo agreste, não tão perigoso como aquele por onde nos queriam levar”.

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Quadro "A Tomada de Tenochtitlán" (autor desconhecido) mostra as consequências do erro de Moctezuma

Tenochtitlán, a cidade maravilhosa, ficava isolada, como estrangeira em seus próprios domínios. Ali residia Moctezuma, o tlatoani, em seu imenso palácio, com uma corte de milhares de pessoas. Quando viajava para fora da cidade, era carregado num andor ou punham tapetes que seus pés não tocassem a terra. Ninguém podia encará-lo, todos deviam manter a cabeça baixa a sua passagem.

Foi um imperador majestoso, que fazendo-se preceder de solenidades e obséquios, prestou aos espanhóis uma impressionate acolhida em Tenochtitlán. Bernal Díaz a narrou em termos altissonantes: “diante de nós estava a grande cidade do México e nós ainda não chegávamos a 400 soldados.” Era 8 de novembro de 1519.

Cortés e os seus são instalados em grandiosas dependências das casas imperiais. No dia seguinte de sua entrada em Tenochtitlán, Cortés visita Moctezuma no palácio, onde é recebido com cortesia. O capitão espanhol estava acompanhado de Alvarado, Velázquez de León, Ordaz y Sandoval e cinco soldados, entre os quais, Bernal Díaz que escreveria sobre os acontecimentos, mais dois intérpretes. Começa o diálogo e após os rapapés de praxe, Cortés vai direto ao ponto.
Cortés começa a apresentar-se como enviado do rei da Espanha “e da parte de Deus o que nos cabe dizer é que somos cristãos e adoramos a um só Deus verdadeiro, que se diz Jesus Cristo que padeceu paixão e morte numa cruz para nos salvar, ressuscitou no terceiro dia e está no céu com quem fez o céu e a Terra.” Disse-lhe também que “nele cremos e adoramos e que aqueles que os aztecas têm por deuses, não o são. Ao contrário são diabos, coisas muito más, representadas por figuras horrendas – os deuses aztecas eram horríveis”.

Em seguida continua com uma catequese elementar sobre a criação, Adão e Eva, a condição de irmãos que une toda a humanidade. “E como irmão, nosso grande imperador Carlos I, condoendo-se da perdição das almas que aqueles seus ídolos levam ao inferno, nos enviou para que aquilo que ouviu de nós o remedie. Parem de adorar aqueles ídolos e deixem de sacrificar em sua honra índios, pois somos todos irmãos, nem consinta sodomias nem roubos”.

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Pintura mostra encontro entre Cortés e Moctezuma

Talvez Cortés, tendo chegado a este ponto, sentiu que nem sua teologia nem o exemplo de sua vida davam para mais pregações. Desse modo acrescentou “que com o correr do tempo nosso rei e senhor enviaria uns homens que entre nós vivem mui santamente – frades missionários –  melhores que nós, para que os façam entender”. Cessando sua intervenção, Cortés comenta com seus companheiros”. Com isso cumprimos com o nosso dever e é o primeiro toque.

Moctezuma responde que já estava a par de tudo, pois lhe haviam comunicado “que por todos os povos onde estiveste pregaste as mesmas coisas. Não o contestei porque desde sempre adoramos nossos deuses e os temos por bons assim como são bons os de vocês. Portanto, não há necessidade de falarmos deles”.

Dessa maneira transcorreu o primeiro encontro entre dois mundos religiosos. Um seguro da vitória que acabou acontecendo. Outro pressentindo o fim com angústia, o que acabaria ocorrendo ao longo do tempo, relegado a pontos de visitação e a museus de antropologia.
Fonte: Opera Mundi

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