quinta-feira, 21 de novembro de 2013

284 - Diocleciano é coroado imperador romano

César Caio Aurélio Valério Diocleciano Augusto  é coroado imperador romano em 20 de novembro de 284. Seu reinado durou até 305, quando abdicou por problemas de saúde.

Nascido em 22 de dezembro de 244 em Diocleia, perto de Salona, Dalmácia, de família ilíria humilde, começou a carreira militar no império de Numeriano. Foi governador de Mísia, antiga região do noroeste da Ásia Menor, e em 282 foi chefe da guarda imperial. Em 283 tornou-se cônsul. Foi aclamado imperador pelas Legiões no dia 20 de novembro de 284, depois do assassinato de Numeriano.

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Seu primeiro ato como imperador foi assassinar pessoalmente o assassino de Numeriano, Árrio Áper. Tomou uma atitude corajosa quando dividiu o império romano em dois: oriental e ocidental. Para governar o império romano ocidental nomeou Maximiniano, ficando Diocleciano com o oriental, quando recuperou a Mesopotâmia e estabeleceu protetorado sobre a Armênia.

Durante os anos 293 a 305 impôs uma reforma política, militar, judiciária, econômica e financeira ao império. Criou também uma tetrarquia. Nomeou Galério para governar com ele no oriente e depois sucedê-lo; para o governo do ocidente nomeou Constâncio Cloro. Maximiano governava a Itália e a África, e Constâncio Cloro, a Grã-Bretanha, a Gália e a Espanha. Galério governava as regiões do Danúbio e a Ilíria, e Diocleciano, o Egito e a maior parte do oriente.

Durante campanhas contra os sármatas e tribos do Danúbio (285-290), os alamanos (288) e os usurpadores na província do Egito (297-298), Diocleciano expulsou das fronteiras do império as ameaças a seu poder.

Em 299, negociou com os sassânidas, tradicional inimigo do império no Oriente, obtendo uma paz duradoura. Separou e ampliou os serviços militar e civil e reorganizou as divisões provinciais de Nicomédia, Mediolanum e Augusta Trevorum, implementando o maior governo na história do Império Romano.
Tendendo ao absolutismo, comum aos governantes do século III, passou a se denominar autócrata. Estimulou formas imponentes nas cerimônias públicas e na arquitetura. As despesas burocráticas e militares e os projetos megalômanos levaram a uma reforma tributária, com a elevação, a partir de 297, dos impostos.

Nem todos os planos de Diocleciano tiveram sucesso. O Édito sobre os Preços Máximos de 301, sua tentativa de controlar a inflação por meio do controle de preços, foi malsucedido. O sistema tetrárquico ruiu logo após a abdicação de Diocleciano ante as disputas dinásticas rivais de Magêncio e Constantino.  A Perseguição de Diocleciano (303-311), a maior e mais sangrenta perseguição oficial do cristianismo, não só não conseguiu destruir a comunidade cristã como ainda a deixou mais fortalecida.

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Tetrarquia: a divisão administrativa do Império Romano feita por Diocleciano

Após 324, a religião tornou-se majoritária no império, especialmente depois de seu primeiro imperador cristão, Constantino. Apesar dos insucessos, as reformas de Diocleciano alteraram fundamentalmente a estrutura do governo imperial romano, e ajudaram a estabilizar o império econômica e militarmente, permitindo que seguisse intacto nos subsequentes 100 anos, apesar de ter chegado perto do colapso total durante a juventude de Diocleciano.

Em 1º de maio de 305, debilitado pela doença, Diocleciano abandonou o palácio imperial e se tornou o primeiro imperador romano a abdicar voluntariamente de seu cargo. Viveu os últimos anos de sua vida em palácio na Dalmácia, onde faleceu em 3 de dezembro de 311. Seu palácio se tornou posteriormente o centro da cidade croata de Split.

Diocleciano reabilitou as velhas tradições, incentivando o culto dos deuses antigos. Perseguiu os maniqueus, praticantes de religião persa. Empreendeu a grande perseguição aos cristãos no que é considerada pelos historiadores como a "Era dos Mártires".

O pretexto que desencadeou a perseguição teria sido um sacrifício no palácio imperial de Nicomédia, oficiado por Diocleciano, em que os cristãos presentes haviam acintosamente feito gestos para desviar a presença dos "demônios idólatras". Em fevereiro de 303, um primeiro édito imperial ordenava a destruição geral de igrejas, objetos de culto cristãos, e a destituição de funcionários adeptos da "nova" religião. Um segundo édito ordenou a prisão do clero em geral. Um terceiro previa a libertação dos cristãos em caso de apostasia, e o quarto ordenava toda a população do império a sacrificar aos deuses sob pena de morte ou trabalhos forçados em minas.

Wikimedia Commons (2012)

Palácio de Diocleciano em Split, segunda maior cidade da Croácia

As perseguições de Diocleciano esbarraram na falta de entusiasmo de uma população já bastante cristianizada - especialmente no Oriente, onde Diocleciano e Galério governavam diretamente. No Ocidente, o césar Constâncio Cloro limitou-se a aplicar o primeiro édito. O zelo administrativo dos funcionários foi suficiente para garantir perseguições violentas tanto no Oriente como na parte do Ocidente governada por Maximiano, que só arrefeceriam em 311, quando Galério, moribundo, emitiu um édito de descriminalização do Cristianismo.

O édito de tolerância de Galério abriria caminho ao Édito de Milão de 313 – editado por Licínio e Constantino I – que não apenas toleraria o Cristianismo mas o reconheceria como uma das religiões oficiais – e finalmente a única – do império.
Fonte: Opera Mundi

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