sábado, 2 de novembro de 2013

É comemorado o Dia de Finados

Dois de novembro de cada ano é a data em que se recorda e homenageia todos os mortos.

A Igreja Católica comemora todos os fieis defuntos – Dia de Finados – no dia seguinte ao dia de Todos os Santos ou Festa de Todos os Santos, ou seja, em 2 de novembro.

É uma maneira de colocar simbolicamente o conjunto dos mortos sob a proteção dos santos.

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O lugar dos falecidos e a visão da morte evoluíram bastante desde a Antiguidade, como nos lembra com convicção o historiador Michel Rouche no texto seguinte, de inspiração cristã:

De que modo percebemos a morte no curso da História?

Nossos ancestrais da Antiguidade tinham uma visão da morte profundamente marcada pelo medo. Os cemitérios estavam localizados fora das cidades, como que os mortos fossem delas expulsos. Ao fazer venerar as relíquias dos santos dentro das basílicas, o cristianismo inaugura uma visão radicalmente distinta. Passaram a inumar os falecidos em torno desses santuários, a fim de participar da virtude e da força dos santos. Os cemitérios passam a ser edificados no interior das cidades. Por volta de 800, o medo da morte passa a ser exorcizado. Ao rezar sobre os túmulos, ganha-se a consciência de fazer parte de uma mesma comunidade, a dos vivos e a dos mortos.

Foi somente no século 18, sob influência dos médicos higienistas e sob o pretexto de maus odores que desprendiam dos cadáveres sepultados, que os cemitérios passaram a ser reedificados fora das cidades. Era um retorno à Roma Antiga.

Hoje em dia, qual é o comportamento das sociedades ante essas duas percepções? As tentativas de afastar os mortos são tão poderosas que se chega a deles esquecer. As pessoas morrem no hospital. Só se as vê em seu ataúde antes de partirem para a última morada e apresentadas de uma maneira que nega a realidade da morte. Tudo se passa com bastante rapidez: “luto de 24 horas”  pode-se ler em algumas vitrines de empresas que organizam solenidades fúnebres. Parentes e amigos não trajam mais vestes pretas como sinal de luto nem carregam mais as braçadeiras em negro. O culto aos mortos, tendo desaparecido, tornou-se impraticável cumprir o luto.
Que consequências pode trazer o menosprezo à morte em nossas sociedades? As sequelas psicológicas são muito importantes. Ao esquecer o passado e as gerações precedentes, pode-se também negar-se a pensar no futuro, afirma boa parte dos psicanalistas. Nossas sociedades hipertrofiam o presente. A pessoa humana não é mais respeitada, sequer em sua doença  e na morte, pois se pretende ficar eternamente jovem e gozando de boa saúde. E quando a morte se torna inexorável diante de uma enfermidade em estado terminal, pensa-se na eutanásia. É uma atitude paradoxal. O ‘halloween’ com seus mortos que surgem para puxar os vivos pelos pés assinala um retorno aos mitos pagãos. E reintroduz o medo do qual o cristianismo e o Iluminismo nos livrou.

Os historiadores de formação cristã mostram-se convencidos de que a cristianização começa por uma visão cristã da morte.
Fonte: Opera Mundi

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