domingo, 1 de dezembro de 2013

1900 - Morre poeta e dramaturgo Oscar Wilde


Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, escritor e poeta irlandês, morre indigente em Paris em 30 de novembro de 1900, aos 46 anos. É considerado um dos dramaturgos mais destacados do final da era vitoriana por sua criatividade. Além das peças teatrais e de seu único romance “O Retrato de Dorian Gray”, ele é lembrado também por se envolver em um escândalo que revelou sua homossexualidade, que culminou em sua prisão, seguida da morte prematura.

Filho de importantes intelectuais de Dublin, demonstrou inteligência desde tenra idade ao adquirir fluência em francês e alemão. Foi educado em casa até o nove anos. Com dez, ingressou na Port Royal School de Enniskillen, Irlanda ali permanecendo até os 17. Em 19 de outubro de 1871 matriculou-se  no Trinity College, Dublin, onde teve acesso aos clássicos.

Em 17 de outubro de 1874 ingressou no Magdalen College, onde continuou seus estudos até 1878. Seu poema “Ravenna” conquistou o Prêmio Oxford Newdigate em junho de 1878. Finalmente, em novembro de 1878 recebeu o diploma de Bacharel em Artes, graduando-se com a mais alta nota.

Em meados de 1881, aos 27 anos, reuniu, revisou e ampliou seus trabalhos poéticos em seu primeiro livro: “Poemas”, que foi bem recebido e vendeu 750 cópias na primeira impressão. Foram vendidas quatro edições em poucas semanas.

Wilde regressa a Dublín, onde conheceu e se enamorou de Florence Balcombe, mas por ela foi desprezado. Os seis anos seguintes  passou em Londres, Paris e Estados Unidos, onde pronunciou conferências.

Em 29 de março de 1884, casa-se com Constance Lloyd, filha de um conselheiro da rainha. As 250 libras esterlinas de dote permitiram ao casal levar uma vida confortável. Tiveram dois filhos. Separaram-se em consequência do escândalo da prisão de Wilde. Constance mudou o sobrenome para Holland para se distanciar do escândalo e Wilde teve de renunciar ao pátrio poder dos filhos.

Como porta-voz do esteticismo, era conhecido por seu gênio mordaz, o vestir extravagante e brilhante oratória, convertendo-se numa das maiores personalidades de seu tempo.

Nos anos 1890, refinou suas ideias sobre a supremacia da arte, incorporando temas de decadência, duplicidade e beleza em “O Retrato de Dorian Grey”. Nessa obra escreveu “Toda a arte é deveras útil”. Esta citação refletia o apoio de Wilde ao principio básico do movimiento estético, ou esteticismo: “a arte pela arte”. O movimento, representado entre outros por Walter Pater, William Morris, Dante Rossetti e Stephane Malarmá, teve duradoura influência nas artes decorativas inglesas. Wilde, um de seus principais representantes, tinha suas frases engenhosas e sarcásticas citadas em todos os lugares.

Passou a usar cabelos compridos e a desdenhar abertamente dos esportes “masculinos”. Começou a decorar sua casa com plumas de pavão real, girassois, porcelana erótica e outros objetos de arte provocantes. Esse comportamento se propagou em certos segmentos da sociedade ao ponto de as atitudes lânguidas, as vestes exageradas  e o esteticismo em geral se converteram num hábito reconhecido.

O esteticismo chegou a Nova York de modo que convidaram Wilde a dar um ciclo de palestras. A chegada de Wilde ocorreu em 1882. A primeira palestra “The English Renaissance”, teve lugar em 9 de janeiro. O jornal The Nation publicou uma resenha mordaz: “Mr. Wilde é, esencialmente, um produto estrangeiro e difícilmente poderá ter êxito em nosso país. O que tem a dizer não é nada novo, nem é sua extravagancia o bastante extravagante para divertir o público norte-americano habitual”.
De regresso ao Reino Unido, trabalhou como revisor para a Pall Mall Gazette de 1887 a 1889. Converteu-se depois no editor de Woman’s World.

WikiCommons - julgamento de Wilde no Police News
A  oportunidade para desenvolver detalhes estéticos e combiná-los com temas sociais induziu-o a escrever teatro. Em Paris escreveu “Salomé” em francês, porém sua representação foi proibida devido ao fato de que na peça apareciam personagens bíblicos.

No apogeu de sua fama e êxito, em 1985, enquanto sua obra-prima “A Importância de ser Prudente” seguia em cartaz com enorme éxito, Wilde escandalizou a elite britânica. Era amigo do lorde Alfred Douglas e o pai deste suspeitou que ambos tinham “um affair". Decidiu enviar uma carta a Wilde, que processou o pai por calúnia e difamação, esgrimindo a amoralidade da arte como defesa. No entanto, o pai contratou detetives particulares que seguiram Wilde por toda parte e conseguiram recolher material suficiente para incriminá-lo.

Levado às barras do tribunal em maio de 1985, acusado de sodomia, foi condenado a dois anos de trabalhos forçados. A sentença teve grande repercussão e fez recrudescer a intolerância sexual não só no Reino Unido como também na Europa. Muitos artistas homossexuais sofreram represálias e tiveram de abandonar seu país.

Durante sua permanência na prisão, escreveu uma extensa carta a Douglas que levou o título de “De profundis” (1897), um contraponto obscuro à sua anterior filosofía hedonista.

Após sua libertação, em maio de 1897, desenganado com a sociedade britânica e arruinado material e espiritualmente, parte para a França, onde escreveu sua derradeira obra, “A Balada do Cárcere de Reading”, um poema que fala dos duros tempos da vida carcerária.

Retomou a relação com Douglas e se encontraram em agosto de 1897 em Rouen. Viveram juntos uns meses no final de 1897, perto de Nápoles, até que a ameaça das respectivas famílias de cortar-lhes o dinheiro terminou por separá-los.

Wilde passou o resto de seus dias em Paris, sob o nome falso de Sebastián Melmoth. Ali, pelas mãos de um sacerdote irlandês da Igreja de São José, se converteu ao cristianismo.
Fonte: Opera Mundi

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