sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

1945 – Acontece a maior catástrofe marítima de todos os tempos

Em 30 de janeiro de 1945, o navio Wilhelm Gustloff é torpedeado no mar Báltico por um submarino soviético, provocando a morte de 7 a 9 mil passageiros, essencialmente civis alemães fugindo do avanço do Exército Vermelho. Tratou-se da maior catástrofe marítima de todos os tempos.
Os primeiros naufrágios em grande escala remontam ao século 20 com o surgimento dos navios gigantes e as guerras mundiais. Em segundo lugar se situa o barco Lancastria, ele também vítima da guerra, ao largo de Saint-Nazaire, em 17 de junho de 1940, com cerca de 5.200 vítimas fatais.
Wikimedia Commons

O Wilhelm Gustloff ancorado no porto de Danzig (hoje Gdansk, na Polônia)
O Titanic, que submergiu ao largo da Terra Nova, em 14 de abril de 1912, produziu “somente” 1.502 vítimas. Dois anos após o Titanic, ocorreu o naufrágio de outro transatlântico, o Empress of Ireland, no estuário do Saint-Laurent, com 1.012 vítimas.
Durante a Primeira Guerra Mundial, um navio misto britânico, o Lusitania, que transportava passageiros e também munição com destino a Inglaterra. Afundou em apenas 18 minutos fazendo 1.198 vítimas.
Mais perto de nós, os maiores dramas ocorrem com passageiros miseráveis em busca de portos mais prósperos, como o Jeola que navegava na costa do Senegal em busca de porto europeu e soçobrou em 26 de setembro de 2002, com cerca de 2.000 vítimas.
Wilhelm Gustloff
Na Suíça, um alemão chamado Wilhelm Gustloff assumiu o comando do partido nazista local. Um jovem ativista judeu, David Frankfurter, o assassinaria em Davos em 1936. Hitler decidiu então batizar um navio em fase de conclusão com o seu nome.
O barco foi lançado ao mar em 5 de maio de 1937 em Hamburgo, na presença da viúva e do chanceler nazista. Tratava-se de um navio de cruzeiro com 208 metros de comprimento por 24 de largura, concebido para transportar um total de 1865 pessoas, sem classe de luxo, contrariamente ao usual.
Após a declaração de guerra em 1939, foi transformado em navio-hospital. Posteriormente em 1940 ficou atracado em Gothenhafen (Prússia Oriental), utilizado desde então como quartel-flutuante.
Na virada de 1945, raros eram aqueles que alimentavam ilusões sobre o resultado da guerra. Na Alemanha Oriental, uma multidão de refugiados civis e militares fugia ao avanço do Exército Vermelho. Muitos subiram a bordo do Wilhelm Gustloff, que levantou âncora na manhã de 30 de janeiro de 1945 na esperança de atingir Hamburgo ainda em poder dos nazistas.
A lista oficial arrolava 6.050 pessoas a bordo: refugiados, soldados e tripulação. Na verdade o número era bem superior. Pesquisas recentes falam em 10,5 mil pessoas.
Desde a primeira noite submarinos russos foram avistados. Um deles, o S13, sob o comando de Alexandre Marinesko, telegrafa a Leningrado: “Nós singramos as águas perto do covil fascista, mas nenhum desses cães ousou aparecer”.
Na noite de 30 de janeiro, um marinheiro irrompe na cabine de comando com uma mensagem de rádio. Uma formação de caça-minas se dirige em direção ao Wilhelm Gustloff. O capitão ordena iluminar as luzes de posição a fim de evitar colisão.
O submarino S13 encontrava-se em patrulhemento sobre a superfície a algumas milhas, ao longo da costa baixa da Pomerânia. Um oficial do comando logo assinala essa inesperada presa.
Marinesko ordena armar quatro torpedos aos quais denominou : “Pela Pátria-Mãe” ; “Por Stalin” ; “pelo Povo Soviético” ; “por Leningrado”. Disparados a 700 metros de distância sobre um alvo tão maciço, não havia escapatória. Ademais, o navio era desprovido de blindagem e pronto foi transfixado. Pelo menos dois torpedos atingiram a casa de máquinas.
Em menos de uma hora, o orgulhoso navio aderna e soçobra. O pânico a bordo é geral. Os botes salva-vidas tomados de assalto estavam cobertos de gelo a uma temperatura de -15º C.
Segundo o testemunho de Ursula Resas, as mulheres tomadas de pânico abandonam seus filhos para poder escapar rapidamente, os marinheiros, revólver em punho, reservam o acesso às escadas somente às mulheres e crianças.
O mecânico Johann Smrczek conseguiu subir à ponte superior preparada para receber os feridos do front oriental. “Foi lá que tomei consciência do drama que se desenrolava abaixo. Através dos vidros blindados não os podia ouvir gritar. Mas as pessoas estavam comprimidas como sardinhas em lata e a ponte inferior já estava metade coberta de água. E vi os clarões, os estampidos. Os oficiais matavam sua própria família.”
Sobreviveram 996 recolhidos por navios em socorro. Essa catástrofe de amplitude inédita permaneceu quase ignorada em meio a tantos dramas da Segunda Guerra Mundial.
Fonte: Opera Mundi

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