quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

1966 - Bokassa aplica golpe de Estado na República Centro-Africana


O Golpe de Estado de São Silvestre, organizado por Jean Bedel Bokassa, líder do exército da República Centro-Africana, derroca o governo do presidente David Dacko entre 31 de dezembro de 1965 e 1º de janeiro de 1966. Dacko, primo de Bokassa, assumira o país em 1960. Bokassa, por seu turno, oficial militar do exército francês, ingressara no exército do país em 1962.

Em 1965, o país estava em crise, assolado pela corrupção e pelo lento crescimento econômico, enquanto suas fronteiras eram violadas por rebeldes de países vizinhos. Dacko obteve ajuda financeira da República Popular da China, mas, apesar do apoio, os problemas do país persistiram. Bokassa fez planos para assumir o governo. Dacko, ciente disso, tentou contê-lo formando uma gendarmeria liderada por Jean Izamo, que logo se tornou o mais próximo conselheiro de Dacko. Contudo, nada disso impediu que Bokassa conseguisse o golpe com sucesso.

A antiga colônia francesa de Ubangui-Chari fazia parte da África Equatorial Francesa. Em 1958, tornou-se república dentro da Comunidade Francesa e totalmente independente em 1960.

Em 1976, o presidente Bokassa transformou-a num império declarando a si próprio como imperador. Denúncias de atrocidades levaram a sua deposição em 1979, voltando o país a ser república. A instabilidade política persistiu e, em 1981, o general André Kolingba tomou o poder.

O governo civil foi restaurado em 1986, com Kolingba ainda presidente. Houve exigências por eleições multipartidárias e o MDREC (Movimento Democrático pela Renovação e Evolução na África Central) foi constituído. Uma conferência constitucional fracassou em 1992 e o líder do MDREC foi preso.

Em 1993, ocorreram eleições livres, vencidas no segundo turno por Ange-Felix Patassé,  ex-primeiro-ministro do governo Bokassa.

Dez anos depois, um golpe de Estado depôs Patassé e o líder rebelde François Bozizé assumiu o poder. Dois anos depois, organizou eleições presidenciais e as venceu em segundo turno.
No ano passado, Bozizé foi deposto por um novo golpe de Estado, após a coalizão rebelde Seleka assumir o controle da capital e forçar a fuga do ex-presidente para Camarões.

A República Centro-Africana é um dos poucos países africanos sem saída para o mar. O terreno é pouco acidentado, tendo as suas maiores altitudes nos restos do Maciço de Adamaua, que vem de Camarões, a noroeste, e no Maciço de Bongo, a nordeste. Ao sul, é marcado pelos vales dos rios Ubangui e Boma. A floresta tropical resume-se à extremidade sudoeste e a algumas zonas dispersas pelo sul, sendo o restante território ocupado por savana, cada vez mais seca à medida que se caminha para norte e se aproxima do Sahel. A maior cidade é, destacadamente, a capital, Bangui.

Wikimedia Commons

Mapa da República Centro-Africana

A população quase quadruplicou desde a independência. Em 1960 estava em cerca de 1,232 milhão de habitantes, enquanto em 2009 chegou a 4,444 milhões. As estimativas para este país levam em conta os efeitos da alta mortalidade devido à Aids, o que pode resultar em menor expectativa de vida, elevada mortalidade infantil, menor população e baixas taxas de crescimento, resultando em mudanças desiguais, e para pior, na distribuição de renda da população.

As Nações Unidas estimam que cerca de 11% da população entre os 15 e 49 anos é portador do vírus do HIV. Apenas 3% do país tem a terapia antirretroviral disponível, em comparação com 17% de cobertura nos países vizinhos do Chade e da República do Congo.

A nação está dividida em mais de 80 grupos étnicos, cada um com sua própria língua. Os maiores grupos étnicos são os Baya (33%), Banda (27%), Mandjia (13%), Sara (10%), MBOUM (7%), M'Baka (4%) e Yakoma (4%). Os outros 2% incluem descendentes de europeus, principalmente franceses. As principais línguas são o Sangho, língua materna para 17% da população, e o Manza, 11%. A língua oficial é o francês.

Os cristãos formam 66% da população, enquanto 18% mantém elementos das religiões tradicionais africanas. O islamismo é praticado por cerca de 15% da população do país.

Há muitos grupos missionários que operam no país, incluindo os luteranos, batistas, católicos, mórmons e Testemunhas de Jeová. Muitos missionários deixaram o país devido aos combates entre rebeldes e forças do governo em 2002 e 2003.
Fonte: Opera Mundi

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