quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

1914 – Morre Alphonse Bertillon, pioneiro na modernização da polícia técnica

Em 13 de fevereiro de 1914, morre o criminologista francês Alphonse Bertillon, fundador do primeiro laboratório de identificação criminal baseada nas medidas do corpo humano. O criminologista foi também o criador da antropometria judicial — ou "sistema Bertillon" — método de identificação adotado em toda a Europa e nos Estados Unidos, e utilizado até 1970.
Oficial de polícia francês nascido em Paris, em 22 de abril de 1853, conhecido como o criador da moderna Polícia Técnica, Bertillon criou métodos, processos e noções utilizados para facilitar o inquérito judicial, especialmente quando esteve a serviço da polícia parisiense. Autor de vários trabalhos científicos capazes de eliminar a probabilidade de erros na solução dos problemas judiciários, suas descobertas constituem a primeira etapa no caminho do progresso da Polícia Técnica.
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"Mug shot": autorretrato de Bertillon, o criador do método de fotografia judiciária usado no mundo todo
Em 1880, entrou para a Prefeitura da Polícia de Paris. De início, ficou encarregado de copiar relatórios e as cartas dos agentes secretos, cargo considerado de absoluta confiança, passando depois a trabalhar como assistente do laboratório fotográfico, onde percebeu a dificuldade da Polícia em identificar e reconhecer criminosos. Inventou o assinalamento antropométrico e a fotografia judiciária — conhecida nos EUA como "mug shot" — , adotados pela administração policial com grande sucesso, iniciando sua celebridade internacional como perito do mundo policial.
Lançou em Paris em 1879 um sistema de identificação humana que consistia na medição das diferentes partes do corpo.  O sistema era uma ampliação de diversos princípios de antropologia aplicados aos criminosos e posteriormente passou a ser chamado de Bertillonage, em homenagem ao seu criador. Baseado nos princípios de Quetelet, em que as regras matemáticas presidiam a repartição das formas e a distribuição das dimensões da natureza, teve a inspiração de considerar algumas medidas antropométricas para o estabelecimento e verificação da identidade. Seu sistema foi definitivamente consagrado com todas suas razões científicas, no primeiro Congresso Internacional de Antropologia Criminal realizado em Roma, em 1885.
Bertillon fundou a antropometria, sistema de classificação de fotos com base em 11 caracteres fundamentais. Chegou também a iniciar pesquisas sobre as impressões digitais.
A antropometria tem como base três princípios: a fixidez absoluta do esqueleto humano a partir de 20 anos de idade; o corpo humano apresenta medidas exatas variando de indivíduo para indivíduo; e, facilidade de precisão relativas com certas dimensões do esqueleto que podem ser medidas.
Graças à ‘sinalização’ sistemática de criminosos e delinquentes, chegou a algum sucesso na identificação dos reincidentes o que lhe valeu imensa popularidade. A opinião pública chegou a compará-lo a Louis Pasteur.
Porém, o sistema antropométrico permaneceu aleatório e logo teve a concorrência da comparação pelas impressões digitais colocada em prática nas Índias britânicas e adotada pela Scotland Yard em 1901, por iniciativa do comissário Edward Henry. Tanto o Bertillonage quanto o sistema britânico de impressões digitais seria superado pelo sistema datiloscópico argentino de identificação, criado em 1892 e demonstrado cientificamente em 1904 pelo croata-argentino Juan Vucetich.
Bertillon ainda tentou negar o interesse dessa técnica concorrente. Contudo, solicitado a esclarecer o homicídio de um dentista parisiense viu-se diante das semelhanças entre as impressões digitais recolhidas no local com as de um obscuro reincidente de cujo caso tratou alguns meses antes.
Este primeiro golpe de efeito da polícia científica consagrou a glória de Bertillon, mas evidenciou a superioridade dos arquivos de impressões digitais.
Não se pode esquecer, no entanto, que Bertillon também foi chamado em 1894 para a análise grafológica do documento que levou a prisão do capitão Dreyfus. Afirmando reconhecer nele a escrita manual do capitão, contra a opinião de outros grafólogos, aferrou-se em seu parecer, emitindo uma famosa teoria sobre a maneira com que o inculpado tentou maquiar sua letra. No entanto, esse passo em falso não foi suficiente para dissipar sua popularidade.
Fonte: Opera Mundi

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